Quem eu sou

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Mil perdões, fiquei de postar ontem, mas eu estava meio malzinha. Meu melhor amigo mudou de Estado para começar uma nova fase da vida e, infelizmente, fiquei meio deprê e com sensação de que to sozinha em minha cidade. Mas voltamos a programação normal!! Próxima atualização daqui dois dias! Ou seja, sexta-feira!


Pov Liz

Eu já tinha passado a virada de ano em incontáveis locais diferentes. Geralmente acompanhando meu pai e Cassie em algum evento importante, viajávamos pela Europa ou outros locais famosos para passar aquele momento teoricamente simbólico cultivando a imagem de família perfeita.

Ibiza. Paris. Roma. Dubai. Londres... A lista era infindável e, apesar de muitos considerarem aquele momento importante e festivo, em pouco me lembrava o que havia acontecido, pois tudo era simplesmente um replay do ano passado. Os mesmos sorrisos falsos, os mesmos cumprimentos educados e palavras de incentivo para o ano que estava por vim. Conhecidos de meu pai se aproximavam com discursos do que seriam melhor para o mundo nesse novo ano que estava por vim.

Obviamente nada havia se comparado a virada de ano no Rio de Janeiro.

Não por ser a beira da praia em plena Copacabana ou pelo show de fogos de artifícios. Aquela noite e madrugada ficaram marcadas em minha mente e memória pelas pessoas que me cercavam. Chegamos cedo para acompanhar os shows e só então eu percebi o quanto o espírito brasileiro era genuinamente festivo. Eles simplesmente não paravam! Não me restringi as bebidas, apesar de evitar veementemente a cerveja, o gosto amargo não apetecia o meu paladar. O que se provava contrário quando se tratava de drinks doces.

Nós bebemos, rimos, cantamos e dançamos. Dançamos a noite inteira. Dançamos no meio de pessoas estranhas e sem nos importamos com o que elas pensariam de nós. Até mesmo minha Victoria ousou uma dança ou duas comigo, mesmo que na maioria das vezes ela apenas pulasse ou balançasse o corpo tentando seguir um ritmo ou apenas para se mexer. Durante a contagem regressiva todos pareciam acumular a energia e liberá-la assim que o tempo findou. Quando Victoria me beijou eu não conseguia pensar em pudores sociais de troca de carinho intimo em meio a uma multidão. Tudo o que eu compreendia era que eu estava em um momento especial com a minha pessoa especial.

Naquela noite eu havia compreendido o que era passar uma virada de ano com os amigos. Cada um deles me abraçou apertado, um abraço sincero e demorado. Eles me desejaram coisas bobas e esquisitas, mas sinceras. Pierre me emocionou ao segurar meu rosto e dizer o quanto estava orgulhoso de mim. Anne assim que escapou do beijo com Nicoly também se aproximou, mais me agarrando do que abraçando, apenas para sussurrar em meu ouvido um "obrigada por fazer minha melhor amiga feliz".

Foi uma das melhores noites de minha vida.

Entretanto, momentos como esse sempre faziam emergir pensamentos de como havia sido o ano que se passou e como desejássemos como fosse o que estava apenas começando. Há um ano, nessa mesma data, eu estava em uma festa de gala em uma cobertura de hotel cinco estrelas, vestindo um conjunto exclusivo e extremamente caro. Naquela época eu era a filha caçula do Duque Roux, uma dama perfeita como exigia o enredo. Nesse ano eu estava em uma praia carioca, não apenas de braços entrelaçados com uma garota, mas a amando e tendo todos os meus planos futuros traçados ao lado dela.

Finalmente eu tinha convicção do que queria. Quando tinha fugido de casa almejava minha independência, o direito de seguir meu coração sonhador e conquistar as coisas por mim, não por ser uma nobre dama. Surpreendentemente, em poucos meses eu tinha alcançado vitórias mais do que em toda a minha vida. Porém, aquele era apenas o começo, uma base para meus próximos passos.

E meu próximo passo era a sinceridade.

-Eu consigo escutar o seu cérebro fritando.

A voz rouca e levemente sonolenta da brasileira rompeu a minha linha de raciocínio. Não recordava quando tínhamos de fato chegado à casa de Nicoly e adormecido no quarto reservado para nós duas. Mas ao despertar encontrei-me presa naqueles pensamentos sobre o passado e o futuro. Lentamente, virei meu corpo na direção da minha morena, deitando de lado e tendo a visão de um belo rosto amassado e uma confusão de fios negros. Acabei sorrindo suavemente, ela era uma linda bagunça sempre quando acordava.

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⏰ Última atualização: Dec 29, 2016 ⏰

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