n/A: E aqui vai mais um!
Boa leitura!!
Pov Anne
-Você está agitada – Liz comentou ao meu lado, dentro do elevador.
Dei um chute mental em mim mesma por não conseguir disfarçar o quanto eu estava abalada em estar cada vez mais perto de Nicoly. Dizer que eu pensei nela o tempo todo era eufemismo. Às vezes me desconcentrava na própria aula, pegando-me imaginando o que ela estaria fazendo em meu apartamento. Eu sei, pode ser loucura, eu vi a garota apenas algumas vezes no Rio de Janeiro e simplesmente dava as chaves de minha casa para ela. Porém não era bem assim. Aquela loirinha fazia parte de minha vida mais do que pessoas próximas fisicamente de mim. Por ela, eu até me debatia para poder digitar por um bom tempo no celular, sendo que eu odiava coisas escritas por causa de minha dislexia.
Estava tudo bem quando ela estava em horas de distância de mim. Eu sabia como lidar com aquele friozinho na barriga que me acometia as vezes quando nos provocávamos. Mas com ela tão presente, as dúvidas que assolavam a minha mente se mesclavam com a felicidade de tê-la tão perto. Eu nunca tive preconceito contra homossexualidade, tinha uma vadia lésbica como melhor amiga, mesmo que agora Victoria estivesse perdidamente apaixonada pela ruiva do meu lado. Mas quando se tratava de você, com dúvidas se estava gostando de uma garota ou não, sendo que a vida toda gostou de machos lindos e viris, o nó que ficava em sua mente era completamente cego e complicado demais de desatar.
-Se quiser, você e mademoiselle Nicoly podem jantar lá no nosso apartamento – Liz convidou assim que as portas do elevador se abriram.
-Não – neguei e soltei um longo suspiro – A Nic se autoconvidou para jantar comigo fora. Estou pensando em leva-la naquele restaurante oriental perto do Jardim de Santa Mônica.
-Oui, ela irá apreciar bastante a sua escolha. Mas tome cuidado que é meio de semana e o Jardim a noite é um tanto perigoso, está bem?
Era nesses momentos que eu entendia como Victoria se apaixonou tanto por aquela ruiva burguesinha. Ela estava sempre bem vestida, mesmo que não usasse roupas caras. Sua postura era o orgulho de qualquer professora de etiqueta. Mas seus olhos achocolatados refletiam uma genuína garota boa e gentil.
-Pode deixar madame. Também porque a Nicoly distraída do jeito que é, pode tropeçar em um ladrão, pedir desculpas e sair andando sem nem notar que perdeu a carteira.
Liz riu divertida e parou a frente da sua porta, entrando logo depois. A ruiva sempre chegava primeiro que Vic. Como eu dei minha chave para Nicoly, tive de bater uma, duas vezes. Mas ninguém veio atender. Soltei um suspiro e revirei os olhos, tentei girar a maçaneta e a porta estava aberta. Já estava preparando um sermão por ela ter deixado a porta destrancada, quando a encontrei deitada no sofá da sala. Eu tive de morder forte o meu lábio para não rir alto da posição que ela estava! Nicoly estava deitada de costas, uma perna erguida apoiada no encosto do sofá, a outra com o pé apoiado no braço. Um de seus braços caído para fora do móvel, a outra mão dentro da blusa repousando dentro da barriga. Ela estava toda torta! Como alguém conseguia dormir assim?! Não resisti a bater uma foto com meu celular e rir baixo. Aproximei e ajoelhei perto dela, ia tocar o seu ombro para acordá-la, mas parei por um instante com a mão ainda no ar, no meio de caminho.
Ela estava tão... Linda. Seu semblante era tão calmo que parecia pecado despertá-la, mesmo que o resto de seu corpo estivesse em uma posição tão esquisita. Parecia uma daquelas crianças com mal dormir medonho. Ao contrário do que planejava de início, eu parei ali para admirá-la. Gravei na minha mente cada traço daquele rosto, o contorno suave do nariz fino, o desenho perfeito da boca, as sobrancelhas bem feitas, formato do queixo, o modo que o cabelo moldava seu rosto tão suavemente. Acho que até aquele momento, nunca notei tantos detalhes em alguém.
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Ma Chèrie
RomanceLiz teve de tomar uma decisão drástica e dramática em sua vida para escapar de um futuro imposto pelo pai: fugir para o Brasil. Filha de um duque, criado na nata da sociedade europeia e com sangue nobre, Elizabeth acaba em uma cidade do interior viv...
