Eu não tenho habilidade em descrever movimentos de dança, então sempre que der eu vou deixar um vídeo de como eu imaginei que a cena foi ou no qual eu me baseei para fazer algo.
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Pov Liz
A dança era uma das minhas grandes paixões. Era quando eu poderia movimentar meu corpo em um ritmo fora da realidade, extravasando sentimentos que por aquele pequeno período de tempo seria sinceros. Era a forma de falar, gritar para o mundo, mas movendo o meu corpo. Tudo começou com minha mãe que havia assistido uma apresentação de ballet, ela achou tão lindo que decidiu por suas filhas em aulas. Cassie não havia gostado, porém fez até os seus dez anos, depois que mamãe morreu ela desistiu completamente. Eu não poderia abandonar a minha única forma de expressão sem pudores, por isso continuei na dança, conhecendo novos ritmos, aprendendo novos movimentos.
Vivendo do jeito que eu queria por alguns minutos.
Por isso a ideia de estar ali, em frente a uma Escola de Dança de uma cidade do interior brasileiro me deixava com um friozinho na barriga. Eram expectativas mescladas com o medo de não ser aceita. Felizmente Pierre estava ali, ao meu lado, para me impedir de fugir e desistir. Anne havia ligado para a diretora Rachel Pontes e conseguido marcar uma audiência e entrevista para as primeiras horas da manhã. Assim, as sete e meia eu e meu amigo sonolento estávamos na sala de espera enquanto o resto da equipe não chegava. Rachel já estava lá, era uma senhora de cabelos grisalhos e roupas elegantes, um porte tão ereto e correto quanto o meu. Engatamos em uma conversa sobre a história do Ballet, citando nomes importantes e peças que marcaram época. Em termos de simpatia àquela senhora havia me conquistado. Logo Anne e mais um professor, um homem negro e alto, apareceram. O rapaz era Wagner, professor de zumba, axé e forró. Ele era completamente hiperativo, não parava de se mexer e estava sempre sorrindo. Logo depois chegou Iara, que era professora das turmas mais avançadas. Iara era uma garota loira e de olhos azuis, magra e de minha altura. Ela era mais reservada e quieta, mas respondia e comentava quando necessário.
-Estamos todos aqui, acho que podemos começar – Rachel anunciou poucos minutos depois da chegada de Iara – Elizabeth, a primeira parte será uma apresentação e depois uma entrevista. Sabe já o ritmo que irá fazer?
-Dança contemporânea – respondi prontamente – Pierre será meu parceiro.
-Tudo bem, vamos para o estúdio de dança 3 então – Rachel decidiu.
-Simbora! – Wagner disse animado – Boa sorte!
Agradeci de forma educada e caminhei mantendo a minha postura, mas por dentro meu coração estava esmagando meu peito com suas batidas alucinadas. Subimos um lance de escadas e acabamos em uma sala ampla e com duas paredes completamente forradas com espelhos. Meus "juízes" ficaram a um canto enquanto Pierre entregava o pendrive com a música. Tínhamos feito apenas um ensaio antes de vir para cá para relembrarmos os passos e sequências, mas ainda assim estávamos seguros do que iriamos fazer. Eu retirei a saia que usava e pedi para Anne segurar um pouco, assim ficando com um shortinho preto colado ao meu corpo e uma blusa cinza mais folgada apenas. Pierre trajava uma calça e blusa também cinza. Direcionamo-nos ao centro do estúdio e nos sentamos, tive de respirar fundo por duas vezes para manter a minha concentração.
-Vai dar tudo certo – Pierre murmurou perto de mim, dando um sorriso confiante.
-Estão prontos? – Rachel perguntou ficando mais séria.
-Oui – respondi dando meu ultimo suspiro.
A música começou a tocar e tomou conta do lugar. A canção era The Funeral de Band of Horses. Comecei a apagar meus problemas da mente, tentando me envolver e entregar-me ao ritmo. Logo estava me entregando a dança, a cada giro, a cada movimento. Naquele momento eu não estava preocupada mais com meu pai em Genebra, com minha fuga, muito menos estava lembrando que estava no Brasil. Estava apenas eu e Pierre, dançando um ao redor do outro, roçando nossos corpos naquela coreografia em que trabalhamos por um ano na nossa antiga escola de dança. Eu confiava nele, ele confiava em mim, possuíamos uma química de dançarinos que não me fazia importar onde ele estava me tocando, como ou se havia risco de cair. Eu sabia que ele me seguraria firme, que iria estar sincronizado com meu corpo. Tão rápido eu havia entrado na música, mais rápido ainda ela pareceu ter acabado. Meu corpo e alma pareceu implorar por mais enquanto minha respiração ficava levemente ofegante. Ajeitei meu cabelo vermelho que havia pousado em meu rosto, de repente a preocupação de estar sendo avaliada retornou com mais força. Virei em direção a minha pequena plateia e os descobri sorrindo e Wagner aplaudindo fortemente.
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Ma Chèrie
RomansaLiz teve de tomar uma decisão drástica e dramática em sua vida para escapar de um futuro imposto pelo pai: fugir para o Brasil. Filha de um duque, criado na nata da sociedade europeia e com sangue nobre, Elizabeth acaba em uma cidade do interior viv...
