Capítulo 42: O dia depois do natal

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n/A: E é faltando 15 pra meia noite que começo a revisar esse cap!

Hoje ainda é hoje!

Bom, boa leitura!


Pov Victoria

Foi meio que decepcionante como nada demais aconteceu pelo resto do dia de natal. Eu esperava por confrontos épicos, alguns gritos e algumas acusações. Que em algum momento o senhor meu pai me expulsasse dali do mesmo modo como ele tinha feito anos atrás. Mas nada disso aconteceu.

Eu diria que foi apenas um pouco desconfortável por causa de comentários desnecessários e piadinhas de mal gosto. Mas em comparação a expectativa pessimista que eu tinha? Foi quase uma brisa para a tempestade que eu esperava. Dona Helena permaneceu imparcial. Olhava-me mais, porém não se aproximava. Era visível a confusão em seu olhar quando eu a flagrava olhando para mim, mas a senhora Carvalho não tinha coragem ainda de se aproximar da filha que abandonou no mundo por ser diferente do que ela esperava.

Obviamente chegamos muito atrasadas depois da cachoeira. Mas eu estava tão sublime que no meio do sermão de vó Maria eu a abracei tão forte e gostoso que a ergui do chão alguns centímetros. Apliquei um beijo estalado na bochecha da matriarca e disse da maneira mais carinhosa que podia o quanto eu a amava. Isso desconcertou prontamente a minha avó, ela apenas ordenou que fossemos tomar banho para almoçar.

A troca de presentes foi uma coisa meio constrangedora, mas não o suficiente para estragar o momento. Eu não tinha levado nenhum presente, assim como ninguém tinha comprado um para mim. As crianças estavam deslumbradas com tudo o que tinham ganhado, Yasmim se aproximava direto de mim olhando para meu braço para confirmar que eu era a sua tia e não sua mãe. Depois do pequeno susto, a minha sobrinha parecia se divertir em ter duas "Veronicas" por perto. E o dia passou assim. Anne e Pierre falavam mais com os jovens e eu me meti com as crianças em brincadeiras e conversas sobre desenhos. O motivo era bem simples, aqueles seres pequenos eram os únicos que me olhavam sem a malícia ou julgamento, eles ainda eram inocentes e ingênuos, com o único propósito de se divertir naquele natal. Elizabeth passeava por qualquer grupo com classe, ela sabia falar com todo mundo mesmo que eles fossem um pouco indelicados. Em sua maior parte, conversou sobre as grandes diferenças que tinha entre a Europa e um país sul-americano com as mulheres da família.

Logo nas primeiras horas da manhã estávamos arrumando o carro para voltarmos para a capital. Dessa vez, Pierre que ia na direção pois Anne parecia ansiosa o suficiente para ultrapassar os limites de velocidade.

-Calma baixinha – disse fingindo seriedade, mas logo abria um sorriso sacana – Logo vai poder matar as saudades da sua loira.

-Cale a boca – Anne resmungou em mal humor matinal.

-Mon amour – Liz apareceu tocando o meu braço suavemente – Você poderia ir ao quarto verificar se não esquecemos nada? Madame Maria vai me passar uma receita que eu realmente gostaria de tentar quando chegássemos em casa.

Um sorriso todo bobo surgiu em meus lábios ao perceber o quanto minha ruiva era linda e delicada mesmo que fosse praticamente de madrugada ainda. Deus, eu estava mesmo parecendo uma adolescente vivendo um amor intenso pela primeira vez. Ou melhor, essa era a primeira vez que acontecia isso. Pronta para obedecer qualquer pedido dela, apenas roubei um selinho fugaz daqueles lábios rosados antes de sair em disparada para dentro do casarão. Tudo bem que não tinha sido tão ruim ir até ali, mas a vontade de ir embora era tamanha que eu mal via a hora de sairmos dali e poder respirar direito.

Entrei no quarto e dei uma rápida olhada ao redor, verificando cantos e até mesmo debaixo da cama. Porém, quando ergui o corpo, vi a minha fiel cópia parada na porta. Veronica olhava para mim um pouco séria, os braços cruzados e o ombro encostado na batente da porta. Meu corpo ficou institivamente sério, ombros tensos, queixo erguido e olhar preso ao dela sem ousar desviar um centímetro para o lado.

Ma ChèrieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora