A manhã parecia tão sombria aos meus olhos. Os poucos raios de luzes quase não eram notados. O céu estava coberto por uma longa camada de nuvens enegrecidas, o que fazia aquele dia parecer ainda mais assustador.
Da sacada eu conseguia ver claramente as três fileiras de guardas no jardim. Aspen falava algo - que eu não conseguia ouvir daqui - para os guardas e Maxon observava atentamente. O velho homem também se encontrava lá, com uma expressão indecifrável.
Maxon tinha uma espécie de mapa em uma das mãos, e olhava algumas vezes para o mesmo. Dessas vez, vi que o idoso questionara alguma coisa, fazendo com que todos voltassem sua atenção para ele.
- Suas criadas me deixaram entrar. O clima de hoje não está muito legal, não é? - eu nem havia notado Marlee ali ao meu lado, só notei porque ela falara.
Me virei para ela.
- Não. Estou preocupada - falei enquanto voltava minha atenção para o jardim.
- Vai dar tudo certo, América. Temos que crer - comentou, colocando sua mão em meu ombro.
- Eu não sei. Às vezes não tem como saber o que nos espera. Principalmente nesse caso.
Novamente, Aspen voltara a falar, gesticulando as mãos enquanto revezava o olhar no homem e no mapa que agora se encontrava estendido e aberto nos braços de Maxon.
- Eu entendo - Marlee voltou a falar - É realmente muito preocupante, nem sabemos se o que esse homem contou é verdade.
- Você sabe alguma coisa sobre a família dele? - perguntei curiosa.
- Ele diz que estão num esconderijo. Sua mulher e suas duas filhas. Mas não disse onde - revelou.
Não entendo como Maxon acreditou com tão poucas palavras e histórias daquele velho carpinteiro. Poderia ser uma armadilha? Poderia. Ele poderia ser o demônio disfarçado? Também poderia. Mas o único jeito era verificando com os próprios olhos.
- Vamos para o café? Provavelmente as garotas já estão lá.
- Tudo bem - respondi vendo uma última vez a expressão indecisa de Maxon.
**
Eu não tinha alegria para distribuir naquele dia. As cadeiras ao redor da mesa da sala de jantar estavam repletas por várias cores, por causa dos vestidos diferentes das garotas, e mais a mesa cheia de comida e bebida, entretanto o silêncio era presente.
Nunca havia visto essas garotas tão quietas. Será que elas estão fazendo as mesmas perguntas que eu, mentalmente?
- América? - Maxon adentrou a sala de jantar vindo em minha direção - Bom dia, vocês.
Olhei fixamente para ele e me levantei. Notei que ele queria falar comigo em particular. Saímos da sala de jantar e eu o ouvi suspirar.
- Eu só... Eu vou com eles.
O quê?
- Como assim "eu vou com eles?" - perguntei arqueando uma sobracelha. Isso tinha virado um hábito.
Ele colocou aos mãos em meus ombros cautelosamente, e olhou em meus olhos.
- Eu vou ficar bem. Estamos levando muitos guardas, mas deixamos outros aqui por precaução. E eu preciso ir com eles, não posso ficar aqui parado...
- É arriscado, Maxon... - interrompi, com a voz cheia de súplica para que ficasse.
- Tenho que arriscar, América - ele falou calmamente.
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O Refúgio
RandomDepois de um mês que se casaram, Maxon e América vivem o seu belíssimo e apaixonante episódio amoroso, tentando deixar os cacos dos terríveis acontecimentos para trás. Mas nem tudo são flores, não é mesmo? Nessa história, os dois presenciam coisas...