Nove

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Desde a mureta cinza acompanhada por um pequeno portão de ferro branco, passando pelo pequeno jardim onde erguiam-se duas palmeiras e eram divididas por um caminho de cimento seguindo-se uma pequena escadaria de quatro degraus levando até a grande porta de madeira escura e trincos dourados, era possível ver o altar. Um tapete vermelho escurecido pela poeira levava o caminho entre os vários assentos até onde um homem em seus cinquenta anos falava no microfone, uma voz calma, mas imponente, vestindo um paletó preto que ressaltava seu cabelo grisalho.

O teto ia se inclinando cada vez mais para cima, deixando o trabalho das lâmpadas cada vez mais difícil, que iluminavam o culto prestes a acabar.

Leo encontrava-se do lado esquerdo, onde os bancos de madeira eram organizados em fileiras horizontais. Ficava razoavelmente nos primeiros assentos, como sempre. Aqueles eram os lugares reservados para os adolescentes engajados na igreja.

Ele, junto com amigos, alguns até do colégio, participavam da OJD, Organização Jovem de Deus. Pode parecer chato, entediante e uma perda de tempo. Para Leo foi, nas primeiras semanas, mas logo tinha se enturmado e construído uma relação de afeição pelas outras pessoas ali.

Depois que todas as cabeças, antes abaixadas pela oração, levantaram-se, o pastor regressou a falar palavras encorajadoras para finalizar o culto.

Como de costume, depois de todos serem dispensados, alguns casais sorridentes saíam acompanhados de senhoras de idade avançada, algumas com bengalas para auxiliar na locomoção. Mas Leo, os adolescentes e algumas pessoas ajudantes da igreja ficaram pra trás.

Não demorou muito para a igreja, em si, se esvaziar, pois depois que as luzes começaram a serem desligadas as pessoas que restaram se dirigiram para o vão deixado por um leve portão de ferro aberto.

Este dava passagem para a lateral esquerda da igreja, onde o caminho de cimento retornava, cortando a continuação do jardim de entrada, levando até os banheiros e alguns quartos que a igreja oferecia para hospedagens provisórias.

Seguia-se uma pequena escada, que era o caminho que todos faziam, e acabava em uma quadra, mais para um pátio de concreto, onde dava-se espaço para cadeiras e pequenas mesas de plástico, organizadas aleatoriamente na extensão.

Era ali onde eles passariam as próximas duas horas conversando ou planejando/organizando alguma coisa para os eventos e confraternizações da igreja. Isso antes de irem para suas casas e se prepararem para o próximo dia, mais uma segunda-feira.

A noite, àquela hora, já tinha começado, então não havia nenhum rastro do sol para deixar o céu alaranjado. O azul marinho denso era apenas interrompido pelo brilho solitário de algumas estrelas distantes e as nuvens finas que sobrevoavam sobre a cabeça de todos.

O amontoado de adolescentes se espalhou quando atingiu a quadra, alguns se sentaram, outros foram procurar refrigerante na geladeira dentro da cozinha improvisada, constituída debaixo de um telhado e sob uma fundação, anos atrás.

Leo sentava-se em uma cadeira de plástico com braços e apoiava sua perna esquerda em seu joelho direito, tomando uma posição confortável no meio das outras cadeiras ao seu redor organizadas em um círculo.

Ali, a seu lado, estavam as pessoas que ele tinha mais afinidade, mesmo sendo amigo de todos na OJD.

Quatro, das seis pessoas que o acompanhavam, estudavam na mesma escola que ele. Dani, o menino alto de pele escura, sentava-se à sua direita, seguindo assim por Lisbela. Israel, o menino a quem Diana tinha uma queda e por isso era conhecido no grupo como Coisa. E Lydia.

Bianca e Katrina eram as duas outras meninas que sentavam no círculo de cadeiras. Leo tivera construído uma grande amizade com as duas desde que tinha chegado ali.

O Menino Da ÁrvoreOnde histórias criam vida. Descubra agora