No estranho aposento escuro embaixo da casa, Alexander M. Kaseph e seu pequeno
séquito permaneciam imobilizados, em profunda meditação. Diante deles, logo atrás do tosco
banco, postava-se o Valente, ladeado por seus guardas e auxiliares íntimos. Sua cara frouxa
estava estirada agora num riso hediondo, e ele babava com as presas à mostra, exibindo
demoníaco deleite.
— Um a um, os obstáculos estão caindo — disse. — Sim, sim, sua oferenda lhe trará
boa sorte, e me agradará —. Os grandes olhos amarelos se estreitaram com a ordem:
— Tragam-na!
No andar de cima, sentada indefesa entre os dois guardas, os pés e as mãos presos com
algemas, Susan Jacobson esperava e orava. Com tudo o que havia dentro de si, ela clamou ao
Deus verdadeiro, o Deus a quem não conhecia mas que tinha de existir, tinha de ouvi-la, e era
o único que a podia ajudar naquela hora.
Tal alcançou as montanhas e arremeteu encosta acima, subindo, subindo, diminuindo a
velocidade. Ele continuou mais devagar ao aproximar-se do topo, e então, assim que passou a
crista, cessou todo movimento e todo som, deixando-se planar encosta abaixo do outro lado,
silenciosamente, invisivelmente. Percebeu que a nuvem havia aumentado desde que ele partira
dali. Sua única esperança era a de que a cobertura de oração fosse suficiente pelo menos para
cegar essas fétidas criaturas.
Guilo estivera alerta, esperando o capitão, e seus penetrantes olhos viram Tal descendo
como águia silenciosa em sua direção.
— Apronte-se — disse Guilo ao guerreiro ao seu lado.
O guerreiro estava pronto, os olhos na janela do andar de cima. Tal desceu tão baixo
que estava quase deslizando pelo chão. Finalmente se deteve ao lado de Guilo.
— Temos a cobertura — disse Tal.
— Vá! — ordenou Guilo ao guerreiro, que saiu meio voando, meio correndo na direção
da casa de pedra.
O pequeno sacerdote, os olhos inquietos de antecipação, subiu a grande escadaria,
murmurando e resmungando uma mantra para si mesmo.
Kaseph e seu pessoal esperavam em baixo, em pesado silêncio, Kaseph em pé ao lado
das facas.
Susan Jacobson tentou afrouxar as algemas, mas elas estavam tão apertadas que lhe
cortavam a carne mesmo que ela não se esforçasse para soltá-las. Os guardas apenas riram-se
dela.
— Querido Deus — orou ela — se o senhor é verdadeiramente Senhor deste Universo,
por favor tenha misericórdia daquela que ousou colocar-se do seu lado contra este terrível
mal...
Naquele instante, como se já não estivesse no quarto, como se acordasse lentamente de
um pesadelo, o medo torturante que lhe retorcia o coração começou a desvanecer-lhe da mente
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Este Mundo Tenebroso - Volume 1
EspiritualEste livro conta a história de uma das maiores batalhas espirituais já travadas pelos anjos de Deus contra os principados e potestades deste mundo tenebroso. O episódio tem seu início sob o céu e entre os habitantes da cidadezinha de Bascon, propaga...
