POV Harry
Para minha grande sorte ou azar, o Paul deixou-me a mim e à Martha a fechar o café.
Ela ignorou-me o dia todo. Raramente me dirige a palavra e quando o faz é com sete pedras na mão. Não entendo o porquê, mas realmente angustia-me a sua súbita mudança de humor.
O jantar de sábado correu tão bem... Ela entendeu-se perfeitamente com a minha irmã e até descobri que ambos temos o sonho da música em comum. No bar, ficou cheia de ciúmes quando aquelas miúdas estavam só a olhar para mim e até me beijou. Segundo ela, foi apenas para as outras perceberem que eu não estava só, mas eu bem vi a maneira como a sua pele se arrepiou e ouvi como o seu coração acelerou ao tocar dos nossos lábios.
E agora estamos assim. Parece que voltámos à estaca zero... Àquela altura em que ela diz que me odeia e é fria para mim. Bom, neste momento ela nem fria está a ser, pois está a limitar-se a limpar as mesas e a arrumar as cadeiras em silêncio.
- Martha... - chamo-a, mas sou ignorado.
Aproximo-me dela e coloco a minha mão sobre a sua.
- Não me toques. - ela resmunga, entre dentes.
- Porquê? - sussurro, junto ao seu ouvido.
- Porque eu odeio-te, Styles! - e com esta vira-me as costas, afastando-se novamente de mim.
Num ato impulsivo encosto-a à parede e pressiono o meu corpo contra o seu. Ela tenta afastar-me, mas desiste dessa intenção quando eu a abraço. Ela não retribui o gesto de carinho, mas também não me tenta afastar.
Ecosto a minha testa no seu ombro e deixo-nos ficar assim durante algum tempo.
- O que é que se passa, babe? - os meus lábios tocam levemente no seu pescoço enquanto eu falo.
Não consigo evitar sorrir com a velocidade com que a sua pele se arrepiou e o seu coração acelerou, não sei se devido ao nome carinhoso que lhe chamei ou se devido ao toque dos meus lábios no seu pescoço.
- Não me chames isso. E larga-me, Harry.
Não consigo evitar voltar a sorrir. Ela está a pedir-me para a largar, mas não é capaz de me afastar.
- Mas Martha, nós estávamos tão bem no sábado... Fala comigo, por favor.
Ela olha-me nos olhos e vejo nos mesmo a raiva a ser substituída por tristeza, mesmo que seja só por uns segundos. Algo a deixou mesmo triste.
Ela engole em seco e estreabre um pouco os seus lábios rosados, como se quisesse dizer-me algo, mas não conseguisse. Não aguentei estar tão perto dela e, por impulso, puxo-a para mim e junto os nossos lábios.
A sua primeira reação é corresponder e levar as mãos aos meus caracóis, puxando-me ainda mais para si. No entanto, logo de seguida empurra-me, afastando-me.
Ela vira-me as costas e num ápice vai buscar as suas coisas e desaparece do meu campo de visão. Dou um murro no balcão e amaldiçoou-me a mim mesmo por a ter deixado escapar assim. Ainda há um minuto atrás ela estava aqui, a beijar-me e agora foi-se embora!
Que frustração! Esta miúda é completamente bipolar e a bipolaridade dela vai dar comigo em louco, eu juro!!
POV Martha
Assim que chego a casa deparo-me com o Sam deitado no sofá a ver uma série qualquer e reviro os olhos.
- Fizeste tudo o que eu te mandei? - questiono, encostada à ombreira da porta.
- Sim, chefe! E até fiz uns ovos mexidos para o jantar, só para não te cansares enquanto eu estiver suspenso.
Dou um sorriso triste e troço:
- Isso quer dizer que vou ter que comer ovos mexidos durante três dias?
- Só te faz é bem!
Sento-me ao canto do sofá e suspiro.
- Onde está o Liam?
- Foi correr, deve estar a chegar. Acho que precisava de espairecer. - limito-me a acenar com a cabeça. - O que tens, feia?
Sou apanhada desprevenida com a sua pergunta. O que é que eu tenho? Na realidade nem eu sei ao certo...
- Nada, horroroso. Apenas preciso de estar um pouco sozinha.
Ele não responde, apenas me olha com um ar intrigado. Levanto-me e subo as escadas até ao meu quarto. Deixo a minha mala a um canto e atiro-me para a cama, fechando os olhos com força.
Eu não entendo o que se está a passar comigo, isto é tão confuso! Não me sai da cabeça a hipótese de ele andar com outra rapariga!
Por um lado isso parece-me impossível pela maneira como ele me toca, me beija e parece nutrir algum tipo de sentimento por mim, mas de outro ponto de vista eu não tenho nenhuma razão para confiar nele. Mal o conheço, apenas o beijei algumas vezes.
Eu que sou fria e isso tudo não estive com mais nenhum rapaz depois de o conhecer. Não sei ao certo porquê, não há nenhuma razão para isso. Não tenho nenhum compromisso com ele, longe disso aliás. Não sinto nada por ele. Acho eu.
Surpreendo-me quando me dou pela presença de lágrimas no meu rosto. Eu não costumo chorar. Acho que é sinal de fraqueza. Mas estou a chorar. Porque estou confusa e não me entendo a mim própria.
Neste momento eu não sei o que sinto, não sei nada! E isto está a deixar-me louca!!
Eu não gosto do Harry, mas de qualquer maneira ele acaba por me afetar! E deixa-me assim! Ele beija-me, diz-me todas aquelas coisas bonitas e depois simplesmente deixa-me assim... Porque ele trata-me como ninguém nunca me tratou e pensar que esse tratamento pode ser uma farsa é mau demais.
De qualquer das maneiras isto está a afetar-me muito mais do que devia e só há uma solução para isto não tomar proporções ainda maiores: cortar o mal pela raiz. O que quer que nós estejamos a ter, vai ter que acabar. Aliás, já acabou. Hoje, foi o nosso último beijo.
A partir de agora, eu e o Harry somos meros colegas de trabalho.
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Frozen Heart √H.S.√
FanfictionA vida dela não é fácil. Órfã de pai e mãe teve que abandonar a sua escola e o seu sonho pelos irmãos mais novos. Ele também não tem uma vida fácil. Esteve preso 3 anos por roubar e sofreu violência doméstica por parte do seu pai. Eles odeiam-se...