Sexta, 7 de maio de 2021
Constança on
Já não tenho coragem de confiar nas pessoas que amo. Eu estou a fechar-me, já não reparto o meu amor com quem me ama. Este é um sofrimento que eu não queria para a minha vida... Estou consumida pelas lágrimas do pensamento, das memórias. Não sei o que vai acontecer comigo, mas sei que estou numa luta terrível... O que sempre temi em todas as horas de sofrimento esta a acontecer comigo. Estou a fechar-me... O silêncio vai-me sofucando, sofucando, estou completamente rendida a tudo isto.
Os meus pensamento foram interrompidos com o abrir da porta do meu quarto. Limpei as lágrimas que teimam em cair o lembrar. Olhei e vi o pequeno corpo do meu filho, sentei-me na cama e ajudei-o a subir...
" Mamã, ti saudades uas"- o meu filho abraçava-me com força, estava tanto a precisar daquela voz, daqueles abraços
" Eu também tinha tantas saudades tuas"- abracei mais uma vez o meu filho
"O papá foi buscar a mim"- o Lourenço contava-me tudo e pequenas festas e beijos eram deixados por meu ao longo da cara do filho
" Foi??"- a minha voz saiu rouca, era de chorar e falar pouco ao longo destes dia
" Sim, vou joar com ele"- o meu pequeno falava todo contente
" Boa"- a abracei o filho e sorri
" Eu quelo que venhas"- o Lourenço dava-me beijos na cara
" A mamã não pode"- não me sento pronta para sair deste quarto, não me sento pronta para fazer que nada se passou, não me sento pronta para ter um novo recomeço na minha vida, não me sinto capaz
" Poque??"- a voz do Lourenço era desanimada e a sua carinha estava com feições tristonhas
" Porque a mamã está um pouco doentinha e não pode sair da cama"- tentei desculpar-me dando um leve sorriso para amenizar a desilusão do menino
Já não sorria há muito tempo... O meu filho foi e é neste momento o motivo do meu sorriso. Já não sabia o que era sorrir. Todos os sorrisos foram abandonados quando as lágrimas não teimavam em cair e cair.
" Po favo"- o meu bebe tinha um olhar suplicador
" Filho, a mamã não pode"- suspirei em frustração, não quero ver o meu filho assim, mas eu não consigo mesmo
" Tu não gotas de mim"- gritou-me e saiu dali a chorar
Uma vida sem dor, era o meu maior desejo... Sem decepções, sem frustrações, sem tudo o que provoque dor apenas. Sei que sou vou ser feliz quando me olhar para o espelho e me aceitar como sou... Aceitar todas as minhas frustrações, todos os meus medos, quando me aceitar por completo. Estou farta de me sentir frustrada... Já houve tempo que consegui compreender as minhas decepções e as minhas desilusões. Sempre fui feliz dentro das minhas possibilidades e limitações, era feliz à minha maneira. Sempre lidei com todas as adversidades que encontrei ao pondo da minha vida. Mas acho que agira me cansei e não consigo mais...
Olhar para o meu filho fez-me ver que ainda há esperança... Encontrei nele um caminho, encontrei nele um solução para mais um dos meus grandes problemas. Mas isso foi destruído quando o vi a sair daqui a chorar e a dizer que não gosto dele. Eu amo-o mais que tudo, nesta vida. Ele ainda é a razão para eu estar aqui...
" NÃO"- gritei a chorar de desespero, estou mesmo farta
" Constança"- o Afonso entrou pelo meu quarto preocupado-" O que se passa??"- sentou-se perto de mim
" Ninguém tem noção do quanto eu quero sair deste quarto, mas não consigo "- chorava e senti o meu Shrek a abraçar-me
" Eu sei que não"- falava com uma voz baixa
" Eu detesto-me"- chorava sofucada
" Não te detestas nada"- o Afonso acariciava-me o cabelo
" Estou tão farta disto tudo"- tentava acalmar as lágrimas, mas o soluços saem descontrolados pela minha boca
" Calma"- o moreno mais novo estava agarrado a mim e eu chorava na camisola dele, estava encharcada de lágrima
" Chama o André, preciso de falar com ele"- suspirei o Afonso olhava para mim com uma cara espantada
" Vou chama-lo"- deu-me um beijo da testa-" Até já "- levantou-se e saiu deixando-me sozinha naquele quarto
" Obrigada"- suspirei baixo e encostei-me à cabeceira da cama
Mexia na minha mãos nervosamente à espera do pai do meu filho. Acho que estou pronta para falar com ele, sobre um assunto que temos em comum...
" Posso??"- olhei para a porta e vi o meu ex deus grego
" Podes "-a voz saiu de uma maneira baixa e seca
" O Afonso disse que querias falar comigo"- o moreno olhava para mim em confusão
" Vai embora, por favor"- não conseguia encara-lo, mas conseguia perceber que se estava a movimentar pela sua sombra, a baixou, sinal que ele se sentou
" Constança... "- interrompi-o
" Eu não te posso prender aqui lembrando-me de tudo o que fizeste, não quero que estejas aqui"- chorava devida as palavras que saiam da minha boca
" Eu sei que o meu passado vai sempre atormentar-me, mas eu não posso ir contigo assim"- o jogador falava triste a olhar para mim
" Mas eu não quero que estejas aqui, tu ainda assombras a minha vida"- chorava a olhar para ele e ele apenas olhou para o chão de uma forma triste
" EU SÓ VOU SAIR DESTA CASA QUANDO TIVER A CERTEZA QUE TU ÉS CAPAZ DE FICAR COM O MEU FILHO "- gritou e eu apenas olhava para ele apressiva, a última vez que me gritou correu muito mal
" Eu sou capaz"- a minha voz tremelicava, chorava a brincava com as mãos para não ter que olhar para ele
" Não, não és "- falava mais calmo-" Eu conheço-te perfeitamente e sei que neste momento nem capaz de tomar conta de ti és "- suspirou-" Fds, deixa de tornar tudo tão difícil e deixa-me ajudar-te"- ele olhava derrotado para mim-" É verdade que ainda te amo, mas não é por isso que eu estou aqui, estou aqui porque quero que fiques bem pelo Lourenço, pelo Afonso, por todos que te amam, não quero que penses que estou a ajudar-te para receber algo em troca, eu estou aqui porque não te suporto ver mal e só vou sair daqui quando souber que estas apta"- o moreno chorava à minha frente e eu chorava a olhar para ele
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I CAN'T-II
RomanceA minha vida parece mesmo injusta ou talvez seja mesmo... Eu apostei tudo na pessoa errada, esperei amor de quem não me pode dar, chorei por quem nunca devia ter chorado, e sempre esperei e espero as mudanças que nunca virão. Tomei algumas decisões...
