31. Especial - Leandro

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Meus olhos se abriram devagar com dificuldade, senti uma dor terrível por todo o corpo e minha cabeça estava prestes a explodir. Não me lembro direto o que aconteceu ontem depois que saí do estúdio com Victor, mas pelo jeito não terminou bem.

Olhei ao redor com a visão embaçada e dolorida, meu corpo estava jogado sobre a cama com a mesma roupa de ontem e havia algumas manchas de sangue no lençol, e foi aí que percebi as faixas enroladas ao redor de meus braços e uma lâmina jogada no canto da cama. Oh... merda!

─ Você é um grande imbecil! ─ A porta se abre de repente e Victor surge aos gritos, acendendo a luz. Senti como se tivesse acabado de levar uma martelada no cérebro.

─ Não grita, minha cabeça tá doendo. ─ murmurei, reparando que estava em seu quarto.

─ Cala a boca! Você só dá vexame mesmo, né? Acha que todos os problemas se resolvem enchendo a cara e se cortando?

Ah, agora tudo começou a fazer sentido.

─ Você sabe muito bem que não é bom beber e tomar esse monte de remédio forte que você toma. Está querendo morrer? Eu juro que se acontecer alguma coisa com você eu vou lá no inferno te buscar para eu não ter que tomar conta desse estúdio sozinho.

As lembranças de ontem foram retornando aos poucos. Eu falei coisas horríveis para Rita, duvidei dela e a deixei sozinha na hora que mais precisou de mim. Ela me deixou e não fez nem questão de dizer na minha cara.

─ Olha para mim quando estou falando com você! ─ Victor gritou me chamando a atenção.

─ Ela me largou, cara...

─ Sim, eu sei, você repetiu isso umas cinquenta vezes ontem no bar. ─ ele revirou os olhos.

─ Eu achei que tudo estava indo bem, mas eu coloquei tudo a perder. Eu sou um idiota. ─ Sentei na ponta da cama e fitei o chão. ─ Eu não consigo manter ninguém por perto, eu deveria morrer...

─ Ah, para com esse drama, você já passou por coisas piores, isso foi só um fora. ─ Ele virou os olhos de novo e se sentou do meu lado. ─ Já parou para pensar no que você fez? Eu sei como é difícil para você confiar em alguém, mas nem deu chances da menina se explicar. Ela só precisava de alguém do lado dela, e a única pessoa que ela tinha na hora era você, e você vacilou.

─ É, eu sei, não precisa jogar na cara.

─ Olha, eu sei que não sou a melhor pessoa para te dar conselhos amorosos, mas se você sente algo de verdade por ela, vá atrás. Só espera a poeira abaixar um pouco, ela deve estar com a cabeça cheia agora. Pensa na situação que ela teve que passar, não deve ter sido nada fácil.

─ E eu devia estar com ela agora, dando apoio, mas não, fiz igual a todo mundo e só a julguei. Ela tem razão em ter me deixado, eu fui só mais um Felipe na vida dela.

─ Sim, você tem razão, você errou. Mas não é motivo de não tentar correr atrás de novo, não é? Se ela não quiser aceitar, bola pra frente, ela não é a última garota do mundo.

Sinto uma pontada no peito assim que Victor diz isso, talvez porque eu saiba que no fundo seja verdade. É triste pensar que talvez aquela discussão no colégio tenha sido a última vez que nos falamos.

Ele deu um tapa em meu ombro e se levantou.

─ Bem, eu vou lá embaixo abrir o estúdio. Vai querer tirar o dia para dar uma relaxada?

─ Não, vou enlouquecer se ficar parado o dia todo. Daqui a pouco eu desço.

─ Sério? Você que sabe, quem vai trabalhar de ressaca é você. ─ Ele deu de ombros e saiu de lá, fechando a porta e me deixando sozinho em seu quarto.

O TatuadorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora