P.O.V HARRY - PART 2

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Mas não é você e não sou eu.

O vôo partia às onze.

Minhas malas no chão do quarto duas horas e meia antes, a minha irritação contínua e o mundo ruindo aos meus pés.

Londres.

O meu destino.

-Harry, você não precisa sair de Holmes. Por favor. - Anne insistia.

Robin ainda estava no hospital, desacordado por causa da voracidade dos medicamentos.

-Vai ser melhor. Me apareceu uma oportunidade de emprego junto com um artista, mãe. Vai dar certo. Eu mando dinheiro todo mês.

-E quando vem nos visitar?

-Quando Simon disser que eu posso.

-Eu não gosto da ideia de outra pessoa mandando em você.

-Mãe... - Desacelero o ritmo e ponho o peso do meu corpo no portal. - Vai dar certo, tá bom? É pelo Robin.

-Eu dou conta com a loja. - Seu olhar quase me convence a pegar o telefone e dizer a Simon que nada feito.

-Olha, mamãe... - Paro diante dela. - Eu vou só trabalhar com um artista, tá legal? Vai dar tudo certo. Vem cá.

Sou muito, muito mais alto do que ela. Abraço-a e posso suspendê-la sem muito esforço.

-Você vai mesmo? - Ouço a voz sonolenta de Gemma.

-Uhum. - Solto a mamãe e ela desce as escadas, sabendo que essa vai ser uma daquelas conversas.

Caminho até Gemma, trazendo-a para dentro do quarto.

-Eu vou sair de Holmes. - Falo com um entusiasmo muito bem maquiado na voz. - Esse sempre foi o nosso plano, desde criança. Lembra?

-Mas não nessas circunstâncias.

-O que eu posso fazer se é assim que a gente tem que aprender a ser forte?

-Eu não quero que você vá.

-Escuta... Você não precisa que eu fique, mas Robin precisa que eu vá.

Seus olhos estão arregalados para mim, assim como costumava fazer quando prestava atenção nas histórias que eu contava antes dela dormir.

-Você tem um coração bom, Hazz. E aposto que vai conquistar esse tal de Louis.

-Eu espero que sim. Escuta, mantenha o foco e seja forte, tá bom? Eu te amo.

Ela me abraça até mesmo antes que eu termine de completar a frase. E de repente, o medo.

Medo de perder.

Medo de fracassar.

Medo de estar trocando o que é certo pelo que é duvidoso.

Mas me parece mais certo ir. Eu não vou ajudar aqui em Holmes. Talvez Louis, Londres... Simon, seja a melhor opção.

-Eu preciso ir. - Coloco seu cabelo atrás da orelha.

Meu telefone toca.

-Simon?! Ahn, eu já estou quase saindo.

-Estou esperando você no endereço que vou enviar. Pede o táxi e eu pago, tudo bem?

-Tá bom.

Sinto o frio na barriga.

Vamos lá. Londres.

×

Onze e vinte e seis.

Balançava inquietante a perna sentado diante de Simon em seu jatinho enquanto esperava o nosso vôo particular partir.

Scandal • L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora