VINTE E NOVE.

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Tudo que eu queria era nada mais do que ouvir você batendo na minha porta.

Dedico este capítulo á Gisele. Obrigada por acreditar em mim.


Tic tac.

Ouço as rodas da maca fazendo um barulho atordoado no chão frio e cru do hospital central de São Francisco, na divisa do estado.

Passo a mão na minha barba, e dentro de mim, tento assimilar os acontecimentos das últimas três horas.

Eu saí de carro.

Escutando o rádio tocar uma boa música.

Do nada, silêncio absoluto.

Saio do carro correndo, com a sensação de que as minhas pernas estão amarradas e que não posso, de maneira nenhuma, sair do lugar.

Celular nas mãos.

"911, qual a emergência?"

"Tem um carro capotado e um homem morrendo." – Disseram os paramédicos uns aos outros quando chegam ao local.

"Aparenta ter 23 anos, nenhum documento encontrado." – Diz a polícia.

"O carro vai explodir." – Eu digo.

O mundo estava ruindo bem nos meus pés.

—O que está acontecendo? – Pergunto aos médicos que estão levando Harry para qualquer lugar longe da minha vista.

—Ele sofreu traumatismo craniano e ainda está perdendo muito sangue.

—O carro explodiu. – Falo, lembrando da cena em que vi pelo espelho retrovisor do carro enquanto seguia a ambulância.

Exatamente sete minutos e oito segundos após Harry estar na ambulância, o carro explodiu.

—Você precisa de ajuda médica? – Ele me pergunta.

—Eu preciso saber como ele está.

—Ainda vamos examiná-lo e saber se ele precisa de uma cirurgia.

—Me dêem notícias.

A agonia se prolonga.

Tic tac.

O hospital está praticamente vazio.

Já é consideravelmente tarde.

Harry está lá dentro, e eu só queria acordar de um pesadelo.

Isso não pode ser real. – Sussurro.

Não é real. – Fecho os olhos e os esfrego, abrindo-os em seguida.

EMERGÊNCIA.

Ainda posso ver. É real.

—Atenção, Dr. Mahawi! Atenção, Dr. Mahawi na sala de cirurgia. – Ouço nos rádios espalhados por todos os lados.

Cinquenta e três minutos e quarenta segundos.

Vejo um médico com uma roupa diferente. Um cirurgião, eu presumo.

—Você é responsável por Harry Edward Styles? – Pergunta.

—Sou! Aconteceu alguma coisa? Complicações?

—Ele precisa de uma doação de sangue agora mesmo. Você é família?

—Não.

—Tem como contatar a família?

—Não. Nós somos de Londres. A família dele está em Londres.

—Isso é um problema. – Ele pega o prontuário. – Harry perdeu muito sangue e ele precisa de doação, porém no último plantão, tivemos um acidente envolvendo várias pessoas e o banco de sangue, infelizmente, não foi reposto. Essa não é a pior parte. Harry tem um sangue raro, O-. Só recebe de quem tem o mesmo tipo sanguíneo, apesar de doar para qualquer um. Hospitais próximos daqui precisariam enviar em um avião para que chegasse mais rápido.

Scandal • L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora