Isso nunca dura muito.
Eu tinha cinco anos.
Foi a primeira vez que algo realmente grave, na minha perspectiva do que era, de fato, "grave", aconteceu.
Eu estava andando de bicicleta pela rua com o Calvin. Nós nos conhecemos desde muito crianças, então, fazíamos tudo juntos naquela época.
E naquele dia, fazia muito sol em Doncaster. A minha mãe finalmente tinha me deixado sair para brincar e foi incrível, eu me senti livre.
E naquela tarde quente e, aparentemente normal, eu me distraí com um pássaro que tentava dar o primeiro vôo, e não vi que a minha bicicleta ia em direção á calçada.
O pneu bateu no degrau e eu, fui ao chão.
Eu quebrei o braço esquerdo e ralei toda a perna esquerda.
A minha sensação de liberdade havia sido brutalmente substituída pela sensação de dor profunda.
O ardor do sol na minha pele, também havia sido brutalmente substituído pelo ardor do choque entre ela, e o chão áspero.
E essa sensação tinha voltado agora, 20 anos depois.
A diferença é que não era o braço, era algo que doía muito mais e ninguém no mundo poderia colocar um gesso para aparar.
O meu ateliê, antes abrigando tantos planos e sonhos para o grande dia do lançamento daquela coleção, estava inteiro no chão.
Percebo que ainda seguro nas mãos o papel que encontrei largado (ou deixado propositalmente).
Liam e Zayn estão na porta, me encarando e assistindo os meus pedaços caindo um a um.
—O-o q-que é isso? - Tento conter o choro.
—Louis...
—A gente não sabe. – Zayn responde por Liam, que eu sei que não sabe o que dizer. – Chegamos hoje de manhã e o ateliê estava assim.
As minhas pernas perdem a força, e eu vou ao chão.
Luto contra mim mesmo constantemente para não olhar para toda essa bagunça.
Coloco as mãos no rosto e só consigo ouvir a minha respiração, outrora sendo abafada pelas minhas mãos, agora dando lugar ao meu choro desesperado, exatamente igual ao dia em que eu quebrei o braço.
Eu sei quem fez isso. Eu sei.
Simon despertou em um homem de vinte e cinco anos, uma criança desesperada de cinco, sem pena alguma.
Sinto o corpo de Liam cobrir as minhas costas com um abraço aconchegante.
Mas ainda não é o suficiente. Ainda não é como o gesso que consertou o meu braço quebrado.
Talvez nada possa me concertar agora.
É uma pena.
—Louis, amigão... – Ouço a voz doce de Liam no meu ouvido. – Levanta daí.
Tiro as mãos do rosto, enxugando as lágrimas, e olho para a parede que está diante de mim.
Liam levanta primeiro e me estende a mão para que eu possa levantar também.
—Você não vai dizer nada? – Zayn pergunta, ainda na porta do ateliê, sem dar o passo a mais.
—O que eu vou dizer, Malik? Olha só pra isso! – Estudo, mais uma vez, o meu ateliê destruído.
—Você tem alguma ideia do que foi isso? – Liam questiona.
—Eu sei o que foi isso. No dia da briga com o Simon, ele me disse que eu não sabia com quem eu estava me metendo e todas essas coisas. E por não ter feito o que ele quis que eu fizesse, ele resolveu me quebrar aos pedaços.
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Scandal • L.S
Fiksi Penggemar✓Concluída✓ Louis Tomlinson é dono da T. Galerie, uma galeria de arte em Londres que está bem próxima da falência. Com tantos problemas que poderiam ser colecionados pelo jovem artista, conhecer Harry Styles parecia o menos nocivo. Porém, a arte po...
