DEZESSETE.

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Isso nunca dura muito.

Eu tinha cinco anos.

Foi a primeira vez que algo realmente grave, na minha perspectiva do que era, de fato, "grave", aconteceu.

Eu estava andando de bicicleta pela rua com o Calvin. Nós nos conhecemos desde muito crianças, então, fazíamos tudo juntos naquela época.

E naquele dia, fazia muito sol em Doncaster. A minha mãe finalmente tinha me deixado sair para brincar e foi incrível, eu me senti livre.

E naquela tarde quente e, aparentemente normal, eu me distraí com um pássaro que tentava dar o primeiro vôo, e não vi que a minha bicicleta ia em direção á calçada.

O pneu bateu no degrau e eu, fui ao chão.

Eu quebrei o braço esquerdo e ralei toda a perna esquerda.

A minha sensação de liberdade havia sido brutalmente substituída pela sensação de dor profunda.

O ardor do sol na minha pele, também havia sido brutalmente substituído pelo ardor do choque entre ela, e o chão áspero.

E essa sensação tinha voltado agora, 20 anos depois.

A diferença é que não era o braço, era algo que doía muito mais e ninguém no mundo poderia colocar um gesso para aparar.

O meu ateliê, antes abrigando tantos planos e sonhos para o grande dia do lançamento daquela coleção, estava inteiro no chão.

Percebo que ainda seguro nas mãos o papel que encontrei largado (ou deixado propositalmente).

Liam e Zayn estão na porta, me encarando e assistindo os meus pedaços caindo um a um.

—O-o q-que é isso? - Tento conter o choro.

—Louis...

—A gente não sabe. – Zayn responde por Liam, que eu sei que não sabe o que dizer. – Chegamos hoje de manhã e o ateliê estava assim.

As minhas pernas perdem a força, e eu vou ao chão.

Luto contra mim mesmo constantemente para não olhar para toda essa bagunça.

Coloco as mãos no rosto e só consigo ouvir a minha respiração, outrora sendo abafada pelas minhas mãos, agora dando lugar ao meu choro desesperado, exatamente igual ao dia em que eu quebrei o braço.

Eu sei quem fez isso. Eu sei.

Simon despertou em um homem de vinte e cinco anos, uma criança desesperada de cinco, sem pena alguma.

Sinto o corpo de Liam cobrir as minhas costas com um abraço aconchegante.

Mas ainda não é o suficiente. Ainda não é como o gesso que consertou o meu braço quebrado.

Talvez nada possa me concertar agora.

É uma pena.

—Louis, amigão... – Ouço a voz doce de Liam no meu ouvido. – Levanta daí.

Tiro as mãos do rosto, enxugando as lágrimas, e olho para a parede que está diante de mim.

Liam levanta primeiro e me estende a mão para que eu possa levantar também.

—Você não vai dizer nada? – Zayn pergunta, ainda na porta do ateliê, sem dar o passo a mais.

—O que eu vou dizer, Malik? Olha só pra isso! – Estudo, mais uma vez, o meu ateliê destruído.

—Você tem alguma ideia do que foi isso? – Liam questiona.

—Eu sei o que foi isso. No dia da briga com o Simon, ele me disse que eu não sabia com quem eu estava me metendo e todas essas coisas. E por não ter feito o que ele quis que eu fizesse, ele resolveu me quebrar aos pedaços.

Scandal • L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora