18. UMA CHANCE PARA TYLER

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Sexta feira chegou com um sol radiante e quente. Tyler se levantou, tomou um banho, vestiu uma camisa, calça, tênis, passou na cozinha, pegou um Danone destinado a Melissa e foi caminhando para a faculdade. Após as aulas, Tyler almoçou na universidade e ficou estudando com Pricila na biblioteca.

-Você não vai trabalhar hoje? -Ela pergunta.

-Não. Consegui uma folga, por que tenho um trabalho difícil pra apresentar segunda e não estou conseguindo estudar.

-Hum... Você está mesmo merecendo uma folga. Nunca vi alguém deixar aquele chão tão brilhante.-Ela diz rindo e Tyler sorri. Quando a garota foi embora o rapaz chamou um carro que o levou para a casa de Bruno. Como o trabalho era em dupla, os dois marcaram de se reunir para decidir algumas coisas. Como Bruno morava na periferia da cidade, num bairro perigoso, o motorista cobrou mais caro, o que fez Tyler revirar os olhos.

No meio da tarde Bruno chamou Tyler para ir numa padaria ali perto com ele para comprar algumas coisas para eles comerem.
No caminho, Tyler viu um beco algumas pessoas fumando ali perto.

-Vamos do outro lado da rua que ali é a boca.

-Boca?

-É onde eles vendem e consumem drogas.

Tyler suspirou e olhou lá dentro da viela, enquanto atravessavam a rua, onde avistou uma figura conhecida.

Sem pensar duas vezes, o rapaz entrou na boca sob protestos de Bruno.

-O que você tá fazendo aqui?!-Tyler diz puxando o garoto pelo ombro.

-Quê isso cara?! Não rela em mim não!

-Você tá louco?! Sua família está preocupada contigo e você aqui acabando com a sua vida?

-Falou certo. Minha vida e você não tem nada que se meter. Eu trabalho pra ganhar o meu dinheiro e eu decido o destino que ele vai ter.- o garoto disse transtornado com os olhos vermelhos e pupilas dilatadas.

-Nossa!! Moleque você mal saiu das fraudas e já quer se mandar?! Paga umas contas de água, luz, telefone, TV, gás e comida que depois a gente conversa sobre sua vida. O dinheiro que você ganha não dá nem pra pagar um mês de comida que você come paspalho! Você vai voltar comigo e eu vou contar para os seus pais aonde você tava.

-Não vem dar uma de responsável pra cima de mim! Você tem a mesma idade que eu.

-A diferença é que eu não dependo de papai pra viver não moleque! Já estou na faculdade e sei cuidar do meu próprio nariz! Anda! Se não eu te tiro daqui a força!- Tyler disse e o garoto não se moveu. Então o rapaz o pegou pelo colarinho e saiu puxando.

Sob infinitos protestos e tentativas de desvencilhamento, Tyler colocou o garoto num carro e o levou para casa.

Chegando lá, encontrou a mãe de Pricila com lágrimas nos olhos e o pai dela ao lado tentando consolá-la.

-Filho!!- A mulher exclama abraçando o garoto com alívio. -Aonde você estava?!

-Por aí mãe, por aí!-Arthur diz saindo dos braços da mãe, que olhou desolada para Tyler que estava ofegante por causa do esforço para conter a força do garoto.

-Ele estava numa boca. Eu estava passando por perto quando vi.

-Obrigada por ter trazido ele pra casa! Ultimamente ando tão preocupada. Ele some do nada, só volta no outro dia... -Ela diz se sentando no sofá.- Não estou mais aguentando, estou exausta.

-Sinto muito...

Silêncio.

-Bom... Eu acho que já vou indo...

-Ah! Tudo bem! Obrigada mais uma vez!- Ela agradeceu novamente. O rapaz fez um sinal positivo com a cabeça e saiu. Depois do que tinha acontecido não tinha nem cabeça pra voltar para a casa de Bruno. Ele estava agitado.

Foi para casa que estava vazia e decidiu tomar um banho de piscina. Coisa que ele não fazia desde antes de sua formatura.

Um tempo depois...

As férias começaram e faltavam apenas dois dias para Tyler se mudar. Ele estava muito ansioso e já havia arrumado sua mala para não ter perigo de esquecer nada. Como era um rapaz precavido, já havia feito até uma lista com tudo o que precisava lembrar de colocar na mala, no dia da viagem.

Tyler só havia esquecido de uma coisa.

-Como assim vai se mudar?!-Pricila diz indignada. O rapaz tinha ido lá para pedir demissão.

-Eu recebi uma oportunidade de transferência e como minha intenção nunca foi morar aqui... Estou indo.

- E você não ia nem se despedir de mim?!

-Claro que ia! Só que eu esqueci de avisar.

-Faz quanto tempo que você está planejando isso?- Ela pergunta visivelmente magoada.

-hãn... Desde um pouco antes das férias.

-Caramba Tyler! E você ia me contar quando?! Pensei que éramos amigos!!

-Mas nós somos amigos, eu só não lembrei de te contar! O que eu posso fazer?

-Você pode sair daqui, é isso que você pode fazer.

-Pricila...

-Tyler, eu conto da minha vida, abri minha casa pra você, te apresentei meu namorado e você nem me conta que vai embora?! Não se chega pra alguém e diz "Tô indo embora e não vou voltar mais, Tchau!". Não é assim que as coisas funcionam! Por*a eu passo a maior parte do meu dia com você e mesmo assim... Sai daqui!

-Pricila, não é pra tanto né? Eu não disse que não vou voltar, só (...)

-Tyler, você é o único amigo que eu já tive que não acha que a minha vida é perfeita. É com você que eu desabafo se tem algo acontecendo! E eu te considero um grande amigo e estou muito chateada em saber que você não acha o mesmo.

-Pricila, eu não aguento mais a minha casa! Aquela mulher tomou conta de tudo! Aquele não é mais o meu lugar! Não suporto mais viver lá nada tivesse acontecendo! Eu gosto muito do tempo que a gente passa junto e fico tão entretido com nossas conversas que acabei esquecendo! Me desculpa! Eu pisei na bola! Mas assim como a sua vida não é perfeita a minha também não é! Eu preciso de um tempo pra mim! Preciso cuidar da minha vida, me estruturar e não vou conseguir fazer isso com milhões de preocupações na minha cabeça! Só peço desculpas e que me entenda...- Ele diz e o silêncio se instala.

De repente Pricila que estava com seus olhos marejados, pela ideia de perder o amigo, o abraçou.

-Entendo, eu só... Não queria que você fosse. Minha vida tá tão confusa...

-Você precisa ser forte! Você tem tudo o que alguém precisa! Uma família bem estruturada, uma casa boa, pais que te amam, amigos que te admiram, um namorado que só tem olhos para você. O que está acontecendo com o seu irmão, está abalando sua família, eu sei! Mas não pode deixar que isso aconteça! Ele foi pra esse mundo por algum motivo, isso mostra que ele precisa de vocês.

Pricila suspirou e saiu do abraço do rapaz.

-Promete que volta pra me visitar?

-Prometo.

Após isso, Pri lhe deu outro abraço e Tyler se despediu. Ao sair se lembrou de mais alguém que não sabia de sua partida.

UMA CHANCE PARA TYLEROnde histórias criam vida. Descubra agora