capítulo 17.

15 8 1
                                        

  Thomas coloca minha mochila no banco de trás e entra no carro,ele veio me buscar não  queria que eu dirigisse até Miami e não iria recusar sua carona, não estava interessada em dirigir também, sempre fico entediada e acabo perdendo a concentração quando preciso dirigir por tanto tempo. Ele fala de tia brigite e isabella ,de onde  elas estão morando e sobre tio alfred não está ligando para o que acontece com as duas .

—As vezes fico pensando se nossos pais fossem assim —Thomas  fica calado, me esqueço que ele foi o primeiro da familia, quando ela não era tão estável e feliz—como era?

Ele vira para mim dando de ombros.

—Lembro de pouco coisa, papai parou de agir assim  quando eu tinha 8 anos.

  Pelo que eu sei, mamãe ficou grávida  muito nova, papai mandou ela aborta, até hoje ele pedi perdão a ela e a Thomas, mas naquela época ele só pensava em tira o feto da barriga de mamãe e pisar em cima, não queria um filho e muito menos a mãe  que o acompanhava, mamãe voltou para o Brasil e vovô a proibiu de fazer um aborto, era imperdoável um assassinato e a filha dele não ia ser uma assasina só porquê  um cara não queria um filho.

  Papai veio buscar ela no Brasil  quando ficou sabendo que ela teve o menino, mas ele não tinha mudado muito, nunca bateu nela, mas mal a olhava, a colocou em uma casa onde mal se podia da um passo sem bater  na parede e passava o tempo fora, depois de alguma coisa que  nunca me contam ele mudou.

   É estranho ouvir essa história, sempre associo com um desconhecido , não ao meu pai que me colocava na cama até os 15 anos e lia para mim.

—Você sente raiva dele ainda?—
Thomas rir.

—Marjorie, papai é o maior exemplo que tenho, o admiro, aquele cara não é o mesmo de hoje, nunca vai ser.

—E se eu me casar com um cara como ele?—Thomas pigarreia varias vezes antes de falar alguma coisa.

—Ninguém permitiria que o imbecil insensível lhe fizesse mal, o matava com minha proprias mãos, lhe garanto isso.

    Não pensava muito em como seria ser casada com um cara parecido com o papai de antes, mas nas últimas férias isso apareceu na minha cabeça, as situações são diferentes, minha família sempre estaria por perto garantindo que eu estivesse bem, mas você pode fingir, sei disso, talvez ele nem percebesse algo de errado e me pergunto o que eu faria? Mamãe  tomou as rédeas depois de oito anos, e sei que papai a ama, tanto que se um dia eu for amada um tantinho como ela já vai ser o suficiente, mas as situações são diferentes ,mamãe é  mamãe, e como todos falam, qualquer homem a amaria, e bem, eu sou eu.

                            •••

    Cooper está esperando na varanda quando o carro para, ele vem até o carro e pegar a mochila hoje é o casamento da prima rellie e cooper precisa de uma parceira, e a prima o proibiu de levar qualquer uma que ele já transou para a festa, eu fui a única que restou quando ele eliminou as meninas.

    Tia liberty já está pronta e corre de um lado para o outro enquanto repuxa meu cabelo para fazer um penteado decente de última hora, ela reclama que cooper deveria ter alugado o vestido antes, o único que tinha restado era um preto, e não é muito conveniente para um casamento.

    Cooper aparecer na porta do quarto com um terno quase todo preto, vejo o reflexo pelo espelho sorrindo para mim quando a senhora Liberty  se afasta para mostrar como estou, ele chega até minha frente e estende a mão fazendo uma reverência, e me puxa em um abraço.

— O que morreu? Sua dignidade?—ele fala no meu ouvido —mamãe tem razão esse vestido é o pior.

   Eu poderia desistir de ir nesse casamento e deixá-lo com um problema de última hora, porém se eu ficar perto de Cooper eles não vão nem perceber minha presença. 

—é estranho, você começou o segundo ano, e eu o terceiro, no entanto  estamos em escolas diferentes —olho para o reflexo no espelho sorrindo.

—sempre vou estar aqui.

                          •••

   A noiva já  se retirou com o noivo depois de Cooper a deixar com as bochechas rosadas  perguntando sobre a noite de núpcias, ele não foi muito discreto ao fazer isso quando pedia um brinde para a prima pura -ele já estava um pouco alterado pelo álcool nessa  hora- a mãe dele teve que o fazer sentar e refletir  sobre suas ações.
 
   Viro para ele que olha para o vestido de uma garota que de tão apertado fazem seu peito pularem.

—Não é nada discreto!

Ele  segura meu queixo.

— Por qual motivo eu seria?

— Você olha para ela como se fosse um pedaço de carne.

—E de boa qualidade.

Dou um tapa no braço dele.

—cooper!

—Marjorie—ele rir.

—A garota vai ficar constrangida—ele ergue a sobrancelha.

—Ela usa um vestido como esse, e você a considera capaz de ficar constrangida? Você e mesmo inocente.

—talvez ela só queira usar o vestido.

— Isso é ótimo para mim!

  Começo a rir, ele vira para mim tentando ficar sério.

—Eu ando com você desde que nasci, não tem como se manter inocente.

—Isso é mentira—viro o meu corpo na cadeira para ficar de frente para ele.

—É ?por quê?

—primeiramente porque quando você nasceu não andava ,segundo...—ele ficar calado encarando o teto do da sala dos tios dele que tem um mancha que parece vomito, e ameaça cair sobre a cabeça das pessoas —ah! Cala a boca.

     A música começa e se mistura com o som da chuva que cair lá fora .

—quer dançar —ele pergunta levantado, e pegando minha mão.

   Ele me puxa mais não vamos para o meio da sala onde estão os outros convidados que dançam com seus pás, ele me leva até a varanda que dar para o jardim da parte de trás da casa,e se aproxima dos degraus, passando o braço em volta de minha cintura, encosto o a cabeça no peito dele.

—Se lembra de quando éramos pequenos, a chuva começava e corriamos para o quintal, para a horta da sua mãe, e brincávamos de pega-pega, depois quando sua mãe percebia  que não estávamos no quarto ela nos levava para dentro puxando pela orelha?—faço que sim—Então ,eu pego!

   Quando percebo a intenção dele já é tarde demais, ele me empurra dos degraus me fazendo cair de quatro na grama, viro para trás e ele começa a contar, no cinco ele vai pular na chuva e me pegar, levanto e tiro os sapatos assim que ele chega no ultimo número ele corre molhando o terno.

   Meus pés passam por poças de lamas, e meu cabelo cair no meu rosto soltos de seja lá o que a senhora Liberty tenha feito para os manter no lugar, as gotas de chuva correm pelo meu rosto, é como retroceder cinco anos. Cooper aparece na minha frente me pegando pela cintura,passo os braços em volta do seu ombro enquanto ele gira até caímos no chão rindo.
    Nossas roupas grudam no nosso copo, vou ter sorte se não precisar pagar pelo vestido e vou precisar de um banho, mas há momentos que vale mas do que roupas .

     Amigos é a melhor coisa, amigos mesmo! Eles irão te empurrar na chuva e depois te abraça embaixo dela ,molhando e fazendo seus ossos congelarem, mas algo poderia ser mais especial que uma gargalhada com eles? Algo poderia fazer seu mundo parecer tão certo? Por que nesse momento só consigo pensar que no meio de tantas coisas ruins eu fiz algo muito bom para merecer cooper.

Se for?Será?Nada!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora