memórias

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  Passo meia hora sentada em uma cadeira que não faz bem para minha bunda ,olhando a parede branca ,
quando Thomas atendeu o celular o senhor Mariel se afastou ,deve ter imaginado que não seria doce da sua parte falar sobre mim na minha frente.

  A reação de Thomas não vai ser a pior ,se considerarmos que terei de enfrentar mais quatro irmãos, e um pai, se contamos com os tios que gostam de dá sua opinião nem sempre bem vinda  a lista será maior ainda, e tem alguns que devem ter até um discurso pronto para esse tipo de coisa , se usassem esse tempo em terapia de casal teríamos menos divórcios  no casamento, assim menos primos viciados em drogas ou primas que se esforçam para encontrar um cara que se pareça tanto com o pai delas para transar. Do que estou falando , tenho a família perfeita e olha onde parei .

   Mariel me estende um copo com café, aceito agradecida, meus olhos já começaram a pesar e até a noite passar vou precisar de mais uns cinco copos . Ele senta ao meu lado olhando para as mãos entrelaçadas.

—Ele está vindo buscar você —faço um gesto com a cabeça—ele vai te  matar!

—Thomas?

—Não, Thomas faz tudo que você quer—ele ignorar meu olhar— Jarden , se Michael não encontrar você  primeiro, ah! Esse sim vai matar você!

   Levo o café até meus lábios, vou ficar de castigo até meu cem anos.

                         ○●●●●●●○
Passado:

    Estávamos no quarto ,era novembro, podíamos sentir o cheiro dos biscoitos que vovó tinha colocado no forno, ela quase nunca vinha nos visitar não gostava da agitação de Miami, mas mamãe tinha voltado a trabalhar naquele mês, e como me consideravam incapaz até para fritar um ovo, precisaram trazer ela.

    Isabella terminava um trabalho de física enquanto falava de alguma menina que tinha a mesma grade de horários que ela-ainda não sabia quem deveria estar mais chateada com isso, Isabella ou a garota que tinha tido o desprazer de ser o novo alvo da minha adorável prima-em algum momento parei de prestar atenção,  ela odiava falar sozinha, o que costuma acontecer com frequência ,ainda mais quando ela decidia insistir que estávamos desperdiçando nossa juventude sendo jovens maduras e que a coisa mais perigosa que fizemos foi comer manga com leite.

    Isabella se calou ao me ver olhando pela janela ,e a menos que eu estivesse observando o senhor e a senhora simmos dançar tango , no andar de cima com a janela aberta o que  não é uma cena agradável, mas prendia nossa atenção desde quando eles se mudaram para cá a 5 anos , só podia estar olhando a distração preferida de Isabella, os rapazes que uma hora ou outra, apareciam na casa do nosso vizinho Remod .
     
  Os jovens costumavam se encontrar lá, sempre grupos diferentes, mantinha longe dessa casa desde que o cheiro de maconha e cigarro se tornou sufocante, mas os garotos nunca pareciam se importar - eles na maioria das vezes tinham o mesmo cheiro -desta vez eles traziam cerveja para a festa daquela noite.

—Idiotas— falei me aproximando mais da janela para fechar , e foi aí que ele me viu ,ele sorriu ,o sorriso mais malicioso direcionado para mim  arqueei a sobrancelha e fechei a cortina . Mal sabia eu que aquele sorriso era um aviso ,eu tinha que me manter distante, mas fui burra para o ignorar..
  
                      ○●●●●●○

  Atiro pedrinhas na lixeira ,quando um carro para na frente da delegacia, levanto olhando para eles, thomas veio com Michael, o que faz sentido já que Michael mora a meia hora daqui.

   Thomas é o mais velho de nós seis ,tem traços rudes e olhos tão azuis que quase chegam ao preto, ele é alto e forte, sua expressão sempre tem um pouco de seriedade ,devido não só ao trabalho de policial mas também por ser o irmão mais velho, o que  precisava me levar ao hospital quando tinha febre e mamãe e papai tinham saídos, ou o que precisava cuidar de 5 outros irmãos que não facilitavam seu trabalho em nada.

   Michael tem os olhos acinzentados, seu cabelo e de um castanho claro, suas roupas e postura não escondem que sua conta bancária é muito melhor que a maioria das pessoas, mas se seus olhos fossem azuis ele seria a réplica perfeita de papai, só que bem mais mal humorado.

  Os dois descem do carro ,Michael me olha de cima a baixo, com um olhar de julgamento, já esperava por isso, Thomas encara o meu rosto e procura por alguém que ele não vai encontrar.
O silêncio fica entre nós até Michael o romper.

— Entra no carro—ele fala como se eu fosse um animal  com algum tipo de doença contagiosa. Ele está mesmo com raiva , mas pelo menos teve forças para fala duas palavras , mesmo que sejam " entra no carro"  vindo dele é como "é bom saber que você está viva.

   Passo por eles que entram na delegacia para falar com o senhor  Mariel que nos observava de longe ,minutos depois voltam para o carro o ligando e dando partida.

  Michael me olha pelo retrovisor, seu olhar me faz querer chorar, ele nunca me olhou assim, nunca falou daquela forma comigo e Thomas nunca permitiu, me encolho no banco procurando sumir do olhar dele, procurando sumir e esconder tudo que fiz embaixo do tapete, teria que ser um tapete  muito , muito grande mesmo .

   Talvez não tenha sido uma boa ideia voltar para casa.

Se for?Será?Nada!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora