Capítulo 07.

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Benjamin

Depois daquele encontro com Nathaniel, coloquei a cabeça no lugar e fui a uma reunião a algumas quadras dali verdadeiramente aliviado e capaz de me concentrar em qualquer outra coisa que não seja Emma, por pelo menos algumas horas. Assisti à apresentação de uma rede de hotel que estava construindo um resort de luxo na Polinésia e que, certamente, estava em busca de investidores. Pareceu-me uma proposta interessante, visto que eu não tinha investimentos na Oceânia e o mercado indicava um forte crescimento na zona hoteleira naquele lado do mundo.

Não sei muito bem em que ponto eu havia me tornado um empresário. A verdade fria e dura era que eu nunca havia me interessado pelos estudos. A herança gorda de minha mãe permitiu que eu não precisasse cursar uma universidade apenas para provar que eu tinha a merda de um certificado pendurado na parede, para o desespero de meu pai, é claro.

Eu gostava era de dinheiro. Simples assim. E eu gostava de gastar dinheiro. E para que eu pudesse fazer isso para o resto da vida, em algum momento, começou a parecer uma boa ideia fazer durar e multiplicar esse dinheiro. Também passou a ser inevitável me desvincular completamente de meu pai, sobretudo financeiramente, visto que física e emocionalmente estivemos separados pela vida toda. Então lá pelos meus 19 anos, sem muito pelo no rosto e sem um pingo de experiência no mercado financeiro, comecei a trabalhar com investimentos. E, basicamente, hoje eu precisava gerenciar todos eles.

A reunião acabou perto da hora do almoço. Outros possíveis investidores convidaram-me para almoçar com eles, sedentos por saber a minha opinião ou quaisquer inclinações da minha parte acerca da apresentação, mas neguei, porque o tempo que sou capaz de ficar sem Emma na cabeça é limitado e já havia se esgotado.

Adentrei o elevador no 22º andar, compartilhando o espaço com mais dois senhores. No 10º andar, para a minha total surpresa, Daniel entra visivelmente atordoado e irritado, sem sequer cumprimentar os que já estavam ali antes ou sequer notar a minha presença. Aperta insistentemente o botão do térreo, nitidamente já acionado, como se precisasse extravasar todo seu nervosismo de alguma maneira, fazendo o inocente botão sofrer como alvo.

Ele, certamente, estava no escritório de campanha de seu pai, que ficava instalado por todo o 10º andar, e isso dizia muito sobre o seu temperamento completamente alterado.

- Archibald! - Chamei-o, fazendo suas respiração alterada ficar suspensa nitidamente por breves segundos.

Virou para me encarar com os olhos cheios incredulidade.

Não nos víamos há muito tempo. Havíamos nos falado por telefone logo depois de todo o caos e antes da minha viagem para Dubai e só. Eu desconfiava de que não fora me encarar ,tal como Nathaniel, porque, provavelmente, se me encontrasse naqueles dias, não seria capaz de parar de me surrar até que eu estivesse em um hospital. Aquilo, em alguma medida, poderia assustar e magoar Emma, e se tem algo sobre Daniel que você precisa saber é que ele nunca magoaria minha pequena. Ao que tudo indicava, ele havia optado por evitar uma desgraça ainda maior.

- Ah que ótimo! - Ironizou de maneira dramática - Não está nem na metade do dia e não há como ficar pior.

Sorri minimamente, inevitavelmente divertido, com seu descontentamento em me encontrar.

- É bom também te ver, Danny - Zombei, fazendo o levantar os olhos para o teto, mostrando-se realmente impaciente para lidar com o meu cinismo naquele momento. E olha que, normalmente, ele costuma até ser bem condescendente.

Éramos como irmãos. Ele e Nathaniel eram, basicamente, a família que não tive e a única que já conheci, embora - obviamente - tivéssemos uma dezena de divergências e conflitos. Eu não poderia negar a falta que ele me fazia, embora, nem sob tortura, admitiria aquilo em voz alta para quem quer que seja. Já havíamos passado por poucas e boas nessa vida, aquela ,definitivamente, não seria nem a primeira e nem a última.

Divorce [REESCRITA]Onde histórias criam vida. Descubra agora