Cap. 2 - Ariel, a companheira

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Em casa, Ariel estava esparramada no sofá lendo uma revista de fofoca, com uma calça preta e uma camisa branca, dele, que ficava comicamente grande no pequeno corpo de 1,60 da garota. Seus cabelos loiros estavam bagunçados, mal penteados e lembravam o ninho de um pássaro preguiçoso. Sua pele era leitosa e sentia falta da luz do sol, olhos castanhos eram o que tinha mais vida naquela aparência. Na verdade, tudo que Edgar notou quando a viu foi que estava usando sua camisa branca, aquela com números aleatórios, um homem jogando golfe e outros números que pareciam datas. Era branca, Edgar gostava daquela camisa.

Decidiu nem brigar, nem reclamar. Teve um dia cheio no fast food e a imagem daquela sombra se levantando ainda estava na sua mente. No caminho de volta tentava se convencer, mas a experiência foi tão vivida que ficou gravado em sua mente. A sombra não era o problema, o problema foram os olhos. Amarelos.

- Ei Ed. Como foi o trabalho?

- Gordurento. – Pensou em algo a dizer, vi um demônio, mas deixou para lá. - E o seu?

- Passaram a mão na minha bunda de novo. – Fechou a revista e olhou Edgar, a testa brilhando pela luz da televisão ligada. - Eu mal tenho bunda, acho que eles fazem isso só porque não tem mais o que fazer. Ei!

- Anh? O que foi? – Passou a mão na testa, normalmente era isso. - Pronto.

- Não, não... Seu olhar. Tá perdidão. Viu um fantasma ou uma mulher bonita te disse oi?

Edgar preferiu não responder, afinal, o que haveria de dizer? Ariel era de longe a pessoa mais esperta que conhecia, e se ele falasse o que viu, estaria admitindo sua alucinação. Nada aconteceu, disse a si mesmo, nada. Como todos os outros dias, nada acontece.

Foi até seu quarto e decidiu que iria encerrar o dia mais cedo. Não havia mais nada a se fazer. Claro, havia uma louça e roupas a serem lavadas, mas não hoje, não naquele momento. O sono veio com dificuldade, a cama parecia dura, o travesseiro fofo demais, o calor estava incomodando e o ventilador esfriava demais. Sentia o suor na nuca, dores na lombar, cochilava e tinha devaneios com a sombra. Aquela imagem o seguindo na rua em todo o caminho que fez de volta do trabalho, as vezes saltando de um lugar escuro, as vezes sendo sua própria sombra e agarrando seus calcanhares. Já passava das uma da manhã quando finalmente conseguiu dormir.

Acordou de mais um pesadelo, dessa vez aquele ser saia de trás da porta do vestiário do fast food gritando seu nome. Deu um pulo da cama, desistiu do sono. Agarrou uma camisa, vestiu e foi até a cozinha. Passou pela sala vazia iluminada pela luz do poste que entrava pela janela de vidro, caminhando a passos lentos, evitando esbarrar na mesa de centro ou outra quina qualquer, e sem ligar a luz da cozinha, abriu a geladeira, o cheiro de mofo invadiu suas narinas, mas ele já estava acostumado com aquilo. Era preguiçoso, não iria limpar a geladeira e Ariel muito menos. Pegou uma lata de cerveja, abriu e tomou longos goles. Não saciado, terminou aquela lata e pegou outra, tomou mais um pouco e fechou a geladeira. Aquela noite ia ser longa, tinha certeza, mas pelo menos acordado não havia sombra alguma lhe perseguindo. Talvez assistisse um pouco de televisão até cochilar.

Quando voltou para sala, notou Ariel deitada no sofá, estava de camisola rosa, transparente, mostrando o magro corpo nu por baixo, com pequenos seios e a farofa que era seu cabelo lhe cobrindo parte do rosto. Ela não estava ali quando passou na sala, tinha certeza, seu corpo estava mal iluminado pela luz do poste, mas conseguia ver bem seus seios e os pelos loiros entre suas pernas. Tomou um gole de cerveja e ficou olhando a garota se espreguiçar e mudar de posição, deixando uma perna em cima do sofá e outra no chão, a camisola se ergueu um pouco com o movimento deixando totalmente a vista agora o seu sexo, tão rosa quanto sua camisola.

A Flor NefastaOnde histórias criam vida. Descubra agora