Cap. 7 - Colapso

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- Você não é real.

Ariel deu um passo à frente, Junia estava ali como um encosto, a segurava o pescoço, a outra mão deslizava de forma provocante por todo o corpo da garota. Edgar continuava acuado na parede, e com certeza Ariel conseguia distinguir o volume em seu short, mas não se importava com isso, não agora, Edgar estava pálido como se seu sangue tivesse abandonado o seu corpo, o suor escorria de sua testa e brotava em seu rosto, apenas mais sinais de que ele não estava bem.

- Do que você está falando?

- Nada, eu estou... eu acho que estou vendo coisas.

- Que tipo de coisas? Você está drogado?

Junia lambia o rosto de Ariel, largou seu pescoço e começou a amassar seus dois seios, as mãos cheias apertando com vontade, rindo e se deliciando ao fazer isso. Edgar passou as mãos no rosto, sentiu o perfume forte, doce em seus dedos. Fechou os olhos com força e deu um tapa no próprio rosto. Ao abri-los, ela ainda estava lá, mordiscando e lambendo o pescoço de Ariel.

- Eu preciso sair. Isso não está certo.

- Isso o que Edgar? O que você está vendo? Tem a ver com os seus pesadelos?

- Tem. – Respondeu e jogou a toalha sobre os ombros. – Eu vou... Eu não sei, acho que vou chamar o Hermes para me levar ao médico.

- E não vai nem dar uma rapidinha comigo antes? – Ariel disse zombeteira.

- O que?

- Vai tomar um banho antes, eu ligo para ele.

- Boa ideia. É... acho que é uma boa ideia.

Edgar deixou Ariel e Junia na sala, foi ao quarto olhando para trás, sempre, e sempre ela estava lá, acariciando Ariel, as asas longas cobrindo a sala por completo. Fechou a porta do quarto e se encostou nela, sentando no chão, finalmente se permitindo chorar, as lagrimas de desespero escorreram quentes pelo rosto frio, e o pouco que sobrava de dúvida sobre sua loucura foi destruída por aquele... Aquela diaba!

Uma diaba...

...

Hermes estava esperando na recepção do hospital, vestido de terno e gravata, que ficava um tanto estranho no corpo grande, mas ninguém se atrevia em comentar isso com ele. Edgar passou pelo corredor verde claro, e Hermes levantou assim que o viu, indo até ele com um sorriso preocupado.

- Ele disse que estou estressado e me alimentando mal, e esse é o motivo da minha fadiga. – Resmungou para o amigo, se aproximando mais dele. – E tive uma... um tal de prisparismo.

- Priapismo. – Corrigiu. – Ele disse porquê?

- Não. – Deu de ombros. – Mas demorei porque eles tiveram que... – e fez um sinal com a mão que lembrou uma seringa. – e tá doendo pra caralho agora. Me deu uma receita aqui.

- Deixa eu ver... – Hermes pegou o papel e o balançou em sua frente. – Analgésico, calmante, ansiolítico? Ele é psiquiatra por acaso?

- Olha cara, eu tive uma alucinação com uma diaba. E venho tendo esses pesadelos, o que acha? – Tomou a receita, bufando nervoso. – E olha só, se eu ficar em casa vou acabar... Não quero nem pensar.

- Vamos fazer o seguinte – ele passou a mão na boca e na barba a fazer – você compra isso aí, vou te levar lá na farmácia, e vamos ver se resolve. Bora passar um tempo lá em casa hoje, tomar um banho de piscina, tomar uma cerveja, só eu e tu. Beleza?

- Beleza... – deu de ombros, dobrando a receita. – Cara, eu tô com medo de estar ficando louco. O médico indicou terapia também. Acho que não é uma má ideia.

A Flor NefastaOnde histórias criam vida. Descubra agora