14. Problemas na Realeza

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"Você nem me deixou conversar direito com ele."

É a mensagem que recebo da minha tia, seguida de:

"Mas achei muito bonito e parece ser boa gente. Divirta-se! e use proteção!"

Dou um tapa mental na minha cara e respondo "ok", seguido de umas carinhas de riso.

Ela mandou as mensagens porque estou na biblioteca passando as fotos da minha câmera para a nuvem e vendo como, modéstia à parte, minhas habilidades como fotógrafo estão melhorando.

Mandei para minha tia a foto que tirei com o Rafael no meu quarto em que ele está usando o boné vermelho de Tulio e rindo de algo que não me lembro o que era, porque ela reclamou que mal tinha visto o garoto por minha culpa.

— Pronto para aula? — Tulio fala ao chegar e é censurado pela bibliotecária que aponta para a placa de "silêncio".

Fecho a aba do navegador e desligo a câmera fotográfica.

Tulio prometeu me ajudar novamente com a matéria de matemática. Fico impressionando como os professores dão tanto conteúdo em períodos tão curtos de tempo. E também com o fato de que não entendo nenhum deles.

— Eu que te pergunto — Respondo me levantando e indo até a mesa em que o garoto se sentou. — Vai ter muito trabalho pra conseguir me fazer entender isso.

Abro a mochila e retiro os livros e o caderno e os espalho na minha frente.

— Eu te ajudei a tirar uma nota boa, certo? Vou fazer a mesma coisa.

— Bom em matemática, bom em esportes... Se estivéssemos em Os Padrinhos Mágicos você seria o Anti-Thiago. 

Ele esboça uma risada depois da péssima referência que faço e diz:

— Tanto no futebol quanto em exatas, tudo é sobre praticar. Não é tão difícil como parece.

— Se você tá dizendo...

— Por exemplo, eu sou muito ruim em matérias "decoreba" — Ele faz aspas com os dedos na última palavra — Como geografia ou história.

— São as minhas favoritas — Respondo.

— Viu? E você é ator. — Tulio diz e começo a entender sua lógica. — Pra você é mais fácil gravar as coisas. Todos temos nossos pontos fortes e fracos.

— Acho que você tem razão... — Respondo mexendo no meu colar com o "T", presente dele.

— Então, vamos começar com PA e PG.

Chega a ser engraçada a forma com que, quando alguém faz algum exercício, ele parece tão fácil e quando a pessoa diz “agora tenta você" ele automaticamente se torna impossível de ser resolvido.

Estamos há uns 20 minutos estudando quando o telefone de Tulio toca e, nisso, ele recebe outro esporro da responsável pela biblioteca que aponta para a placa de "proibido celular"

— É a Ana Clara... — Ele diz e logo depois bufa.

— Problemas na realeza?

— Não é nada é que... A gente está só um mês juntos e ela já se mostrou bem grudenta.

Nossa, eles estão juntos há mais de um mês. Fico pensando em como o tempo está passando rápido; Já estamos em maio e parece que ontem estava chegando no internato achando que Tulio seria um assassino ou coisa do gênero.

— Não vou atender. — Tulio fala e apaga a tela do celular — É de cinco em cinco minutos... Não aguento mais!

— Com todo o respeito, por que você ainda está com ela?

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