Hoje finalmente é dia 30 de outubro e eu posso tirar a fantasia que comprei debaixo da cama.
O Halloween é só amanhã, mas acharam melhor marcar a festa no sábado do que num domingo.
Eu e Tulio fizemos um pacto em que eu fiquei com o banheiro e ele com o resto do quarto para nos arrumarmos sem que um visse a fantasia do outro.
Estou praticamente nu, tirando o colar que sempre uso e a cueca e olho para o meu disfarce para a noite.
Resolvi escolher minha fantasia com base numa piada interna do internato. Quando vi a roupa de bombeiro na loja logo lembrei das cores vermelha e amarela que estão nos nossos uniformes, já rimos diversas vezes falando que parecemos bombeiros nos dias dos jogos então nada mais apropriado.
Claro que essa fantasia não tampa meu rosto, é composta apenas pelo traje de bombeiro e chapéu, logo comprei uma máscara amarela para que eu fique irreconhecível.
- Estou pronto! - Ouço a voz de Tulio do quarto e só saio do banheiro quando escuto a porta batendo.
- Ok. - Digo para mim mesmo. - Vamos tentar nos divertir.
Espero mais alguns minutos e saio.
***
Toda a quadra de futebol e arredores estão cobertos de decorações, metade típico baile de escola e metade horripilante, macabro... Ou uma tentativa disso.
Como isso é uma festa que ocorre dentro do campus, é proibido bebidas alcoólicas. Mas sei que isso não está impedindo ninguém quando vejo alguns garotos já alterados.
Galera, a festa mal começou e vocês já estão bêbados.
Tem algumas barracas vendendo comida e eu quase entro na fila antes de ver que estão cobrando dez reais por um cachorro quente.
Não tinha parado para pensar que, como não sei quem está fantasiado de quê, não tenho como achar nenhum dos meus amigos... Acho que vou ter que cutucar um a um e perguntar "Ei, você é o Guilherme?"
Como estou sozinho sem ter o que fazer começo a reparar nas fantasias.
A iluminação está propositalmente fraca, mas consigo ver que todos seguem a risca a parte da fantasia e das máscaras, é como uma mistura de Bird Box com Hannah Montana.
Vejo algumas princesas da Disney passando, alguns fantasiados de animais e muitos, mas muitos mesmo, usando o macacão e máscara de La Casa de Papel.
Uma menina branca e loira vestida como indígena passa dançando alegre ao som de Vai Malandra e esbarra com força em mim, fazendo com que todo o conteúdo de seu copo caia na minha roupa.
Apropriação cultural é uma coisa... Agora, derrubar bebida em mim já é passar dos limites.
- Me desculpa!
- Tá tudo bem, não se preocupa. - Digo já andando em direção ao banheiro.
Passo água na roupa me estressando um pouco toda vez que a torneira para depois de literalmente meio segundo e pego papel para me secar.
- Bela fantasia.
Olho para Caio que acabou de sair de uma das cabines e vai para a torneira do meu lado lavar as mãos.
Estou sem o chapéu e a máscara, tirei e deixei na pia para não me atrapalharem, parabéns, Thiago.
- Você está usando roupas normais. - Comento - Não vai participar da festa?
- Eu até comprei a fantasia mas não decidi... Qual seria a graça de vir e não beijar ninguém?
Fico sem ter o que responder então acabamos em um silêncio quase constrangedor.
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Andando Em Círculos
Fiksi Remaja- Mas... - Mas nada! Se você ficar com medo de ter seu coração partido, nunca será feliz. Corações sempre irão se partir, mas o amor sempre irá curá-los. Paro para respirar fundo mais uma vez. - E o amor sempre cura. *** Guilherme e Thiago são irm...
