4. O Amor Cura

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O beijo dele é suave e tira o meu ar, uma mão está no meu quadril e a outra mexe no meu cabelo.

Não sei dizer quando, mas percebo que nossos pés pararam de tocar o chão, estamos flutuando.

Tudo está tão bom que é difícil acreditar que é verdade, até que tudo fica escuro e eu caio no chão, sangrando.

Acordo num salto e ainda são 4:30 da manhã, ainda tenho tempo para dormir antes do despertador tocar, mas não consigo.

Fico me revirando na cama até desistir e fazer algo do qual não me orgulho muito:

Abro a porta do quarto do Guilherme, tentando fazer menos barulho possível para não acordar Rafael. Me abaixo do lado da cama do meu irmão e o cutuco até que ele acorde.

- Que? - Ele diz meio zonzo e quando olha para o relógio me olha com uma expressão que mesmo no escuro consigo identificar como "por que diabos você tá me acordando de madrugada?"

- Não tô conseguindo dormir... - Sussurro me sentindo como uma criança de 8 anos que pede para dormir com os pais. - Posso ficar aqui?

Ele se levanta, coça os olhos e vai em direção ao armário.

- Por que eu resolvi te dar uma cópia da chave mesmo? - Guilherme pega alguns cobertores e forra o chão, depois tira um dos seus dois travesseiros da cama e joga pra mim.

- Ah... - Rafael emite palavras que não compreendo e vira na cama para a nossa direção. - PUTA QUE PARIU!

Tomo um susto tão grande que dou um salto, pelo menos agora todo mundo ficou mais desperto.

- Que isso?! - Rafael senta na cama - Jesus, o que tá acontecendo? Vocês dois aí que nem as gêmeas do O Iluminado.

- Ele vai dormir aqui, boa noite. - Guilherme se deita e eu e Rafael fazemos o mesmo. - O mesmo pesadelo?

Faço que sim com a cabeça mas como ele não enxerga, respondo baixo.

- Amanhã a gente conversa, tenta dormir.

E é o que eu faço.

***

Acordo cansado e com dor, aparentemente dormir num chão frio não é uma ideia tão esperta assim.

O quarto em si é igual ao meu, a diferença é que não tem o frigobar. A parede do meu irmão está preenchida com um papel indicando os horários de aula e com fotos nossas, dele com a Tia Lucia e com os amigos da antiga escola.

A parede de Rafael é mais cheia, além de vários pôsteres e fotos, tem uma placa de pare, um adesivo de caveira, uma bandeira com as cores do arco-irís e um quadro branco com uma caneta do lado. No quadro está escrito "Seja feliz e foda-se!" com uma caligrafia que deixa a desejar.

- Tô indo me arrumar no meu quarto, te encontro no refeitório?

- Ok, só preciso que o Rafa saia do banho pra eu poder me arrumar.

Estou prestes a sair pela porta quando ele me chama.

- Thiago, tá tudo bem agora?

- Sim - Respondo e tenho quase certeza de que é verdade.

- Só tente não pensar nisso, tá? Prometo que vai melhorar.

Dou um sorriso fraco e sigo ao meu quarto.

- Oi, mano. -Tulio está saindo do banheiro quando eu chego, o cabelo loiro molhado, já de uniforme e com sua toalha pendurada no ombro. - Hoje é dia de lavar roupa.

Andando Em CírculosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora