Pov. Anastasia Grey
Não acredito que fiz isso.
Não acredito que Christian me chamou de hipócrita.
Não acredito que iríamos acabar com um amor que tanto lutamos para viver.
Tudo por causa de uma tragédia e, claro, da minha frieza ao tratar o homem que amo e me ajuda a tentar me levantar desse baque. Meu casamento está em uma crise total, passando dos limites de qualquer pressão e só tínhamos a distância.
Não consegui fechar os olhos durante a noite. Christian dormira no outro quarto, só vi ele na mesa do café da manhã e parecia irritado. Ele odiava ficar sem dormir e ainda ter que ir trabalhar.
Sentei na mesa, tomando somente um chá de camomila e Christian serviu um pedaço de panquecas seguido de um copo de suco de laranja.
- Não quer comer nada, Ana? – pergunta Gail e forço um sorriso meia boca pra ela.
- Não. Obrigada, Gail – respondo e ela volta pra cozinha.
- Sabe que precisa comer, Anastásia – disse ele autoritário e olho pra ele.
- Não sou sua funcionária para acatar ordens, Christian Grey – respondo da maneira mais mal educada possível.
- Ao menos dê atenção ao seu estômago, porque do resto você passa longe – disse ele friamente.
- Esqueci que sou hipócrita. Não foi o que me disse ontem? – jogo na sua cara e ele me olha irritado.
- Disse e quem sabe assim acorda um pouco – disse ele – Sua melhor amiga somente tenta te levantar e o que você faz: não dá ouvidos. E seu marido, que tanto lhe adora, dorme com o rosto marcado por uma bofetada.
Amanso a raiva ao ouvir uma tristeza na sua voz quando tocou no assunto da bofetada que lhe dei ontem. Mas ele mereceu por ter me dito que sou hipócrita.
- E por um acaso devo ficar quieta ouvindo você me ofender, Christian? – repreendo – Se sou uma hipócrita, você é um tremendo imbecil.
- Um imbecil que ao menos pensa no melhor pra esse casamento, enquanto a esposa só vive sofrendo e deprimida – disse ele – Eu sei sim pelo que você passou e sinto um aperto na alma só de pensar na dor que sentiu, por duas vezes. Mas com essa sua arrogância, deixa de enxergar isso.
- Já chega, Christian – berro – Pare com esse cinismo. Ontem mesmo deu pra entender muita coisa: você quer a Ana besta que conheceu há anos atrás.
- Talvez – disse ele – Quem é você, Anastásia Rose Grey?
- A mulher que perdeu dois filhos do homem que ama e suspeita não poder dar essa divindade a ele – respondo e saio da mesa, indo até o escritório e me encosto na mesa.
Vejo o porta retrato na mesa e pego ela. Nessa foto, Christian me abraça por trás e estou com o rosto virado para ele, sorrindo com a mão em sua bochecha. Passo a mão pelo vidro do retrato, com as lágrimas escorrendo e olho as duas alianças em meu dedo: de noivado e do casamento.
- O que está acontecendo com a gente, amor? – me pergunto em voz alta ainda olhando a foto.
Enxugo as lágrimas e guardo o retrato de volta no lugar. Será que é tão ruim assim meu comportamento? Christian estava somente querendo me atingir?
São tantas confusões na minha cabeça.
Saio do escritório, vendo que a mesa está vazia e só estava tirando a louça suja. Christian foi para empresa sem ao menos vim saber como estava ou tentar uma conversa, mas ele é um homem difícil quando está com raiva.
- O senhor Grey já foi para empresa. Coma algo antes de ir, Ana – disse Gail e balanço a cabeça em sinal positivo.
Tomo meu farto café da manhã e vou me arrumar para trabalhar, só assim para ocupar minha mente desse turbilhão de sentimentos.
[...]
- Ana, seu empenho está cada vez melhor com a editora – diz Roach orgulhoso.
- Muito obrigada, Roach – agradeço dando um sorriso singelo – E como anda a obra na filial?
- Estamos instalando os detalhes finais. Creio que até sexta feira tudo estará pronto – diz ele e respiro aliviada. Menos uma preocupação para o momento.
- Assim que eu puder, darei uma olhada no novo escritório de lá – digo – Já estão procurando funcionários?
- Na verdade, esperamos terminar esses detalhes para começar a entrevistar algumas pessoas e queremos que você avalie alguns currículos também – diz ele e sorrio contente por avançar tanto na minha carreira.
- Claro. Mande todo o relatório depois que começarem e alguns currículos, avaliarei e marcaremos as entrevistas – digo e ele assente, saindo da minha sala.
Termino a leitura de novos projetos dos nossos autores e passo a corrigir alguns erros para adiantar tudo por ali. A obra literária retrata um documentário sobre problemas no amor e até que me agradou.
Digito as cartas aos autores indicando uma nova reunião para essa semana e meu telefone toca.
- Ana Grey – digo ao atender.
- Oi Ana – fico aliviada ao escutar a voz da minha cunhada.
- Mia. Como vai? – pergunto.
- Bem. Gostaria de almoçar comigo? – pergunta ela. Seria bom estar com a alegria contagiante de Mia, assim ela anima meu dia e posso voltar pra casa melhor.
- Claro que sim, Mia – respondo – Às 13 no mesmo lugar?
- Isso mesmo, cunhada – diz ela e rio, desligando o telefone.
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Depois da Tempestade
RomanceChristian e Anastasia estão casados há 4 anos. Ela está grávida de 3 meses, deixando seu marido e a família inteiramente feliz. Tudo então corre bem, até que um dia recebem a trágica notícia do aborto espontâneo pela segunda vez. O casal junta forç...
