Na manhã seguinte fui acordada pela minha vó, que parecia estar mais animada que eu para sair dali, ela dizia que hoje nós não iriamos tomar café da manhã com a comida do hospital, e não vou negar comecei a ficar mais animada imaginando algumas possíveis panquecas. Depois de me trocar e pegar minhas poucas coisas fomos assinar os papéis da alta.
- A senhorita precisa assinar esses papéis de responsabilidade, que dizem sobre você estar ciente de que precisa vir aqui duas vezes ao mês fazer testes neurológicos. – A recepcionista disse me entregando uma pilha de papéis e eu assenti lendo tudo por cima e assinando em seguida – E a senhora precisa assinar os papéis do pagamento da estadia da senhorita Garcia aqui no hospital – Falou simples como se estivéssemos em um hotel e eu apenas a encarei séria.
- Certo – Minha vó respondeu olhando para o papel a sua frente e esboçando preocupação – Eu não tenho o dinheiro para pagar agora, como nós resolvemos isso?
- O pagamento pode ser feito com doze parcelas de três mil reais – Respondeu olhando para seu computador enquanto digitava algo – Mas esse pagamento não inclui as visitar que ela irá fazer periodicamente – completou.
- Tudo bem, esse valor mesmo com o seguro?
- Sim, sem o seguro o valor dobraria – Ela respondeu e minha vó se calou assinando os papéis começando a me deixar preocupada sobre como conseguiríamos esse valor por mês e ainda assim pagaríamos nossas contas. Depois de assinar o resto das coisas caminhamos até o estacionamento em silêncio a procura de seu carro.
- Não precisa se preocupar, eu vou dar um jeito – Ela disse me olhando calma.
- Não queria te fazer passar por isso.
- Amélia, você não está me fazendo passar por nada de mais, a vida é assim, uma hora ou outra a gente precisa correr para ganhar dinheiro, se não fosse assim não teria graça. – Disse e nós rimos no fim por ela ter dito umas das frases mais clássicas da minha mãe.
Ela deu partida no carro e dirigiu com calma, por eu estar com um pouco de medo pelas circunstâncias da última vez que andei em um. Nós paramos em uma lanchonete e pedimos tanta coisa que nem soube como conseguimos comer, sentir o gosto de fritura na minha boca nunca pareceu tão prazeroso naquele momento, depois que você precisa comer por semanas uma comida sem sal e sem gosto, qualquer coisa frita parece virar poesia.
Depois de comer, ainda assim parecíamos aguentar um sorvete então fomos para uma sorveteria onde nós íamos sempre quando eu passava as férias em sua casa. Eu não estava na mesma cidade que eu morava antes, mesmo que fosse relativamente perto eu não iria morar lá, por todas as circunstâncias, nós vamos colocar em alguns meses a casa que eu morava à venda. Perdi a conta de quantos sorvetes tomei, acho que foram mais de 4 sabores diferentes. Como era o dia de folga da minha vó, nós ficamos em uma pequena pracinha conversando e observando o mundo, coisa que eu estava gostando muito, já que não via tão de perto a natureza. Quando deu por volta das três da tarde, resolvemos ir embora.
Chegando em sua casa, vi que continuava tudo igual, do lado de fora os grandes arbustos de margaridas que traziam um aroma agradável para dentro, a grama e as arvores continuavam bem cuidadas, ela sempre gostou de jardinagem. Já do lado de dentro algumas coisas tinham mudado, o piso de madeira foi substituído para uma de cerâmica que imitava madeira, as paredes beges continuavam intactas carregando os quadros de família, que eram fotos desde a minha mãe quando crianças até eu, quando subimos para o segundo andar, fomos direto para o quarto em que eu iria ficar e não tinha nada muito de especial, uma cama arrumada, várias caixas espalhadas pelo quarto, que ela me disse ser com as minhas coisas, um guarda-roupa de madeira vazio, uma mesa perto da janela na mesma cor que o guarda-roupa, contrastando com a parede branca.
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Comprando estrelas
RomanceQuando Amélia acorda em um quarto de hospital, sozinha e com apenas uma lembrança clara de um pesadelo que a rodeou durante todo período descordada, ela precisa reunir toda sua coragem para procurar as respostar e preencher as lacunas, mas será que...