- Claro que vou – Falei sentindo o vento frio tocar nas minhas pernas e me fazer encolher. Maldito momento em que fiquei com preguiça de colocar as roupas que vim. Dei um breve tchau para o mesmo antes de caminhar para o ponto de ônibus, só para não parecer sem educação. Percebi que ele ficou me observando.
Sentei cansada no banco de ferro gelado no escuro e comecei minha longa espera por um ônibus. Fiquei aguardando das quatro da manhã até as seis para pegar o primeiro ônibus que passava no e quando cheguei em casa foi da mesma forma que na outra noite, sem rodeios adormecei completamente cansada. Dessa vez não acordei tarde ou com o alarme que eu havia programado ontem mesmo para acordar meio-dia, e sim com minha vó.
- Amélia – Falou me mexendo na cama e se sentou perto de mim. Minha única reação foi fazer um barulho com a boca enfiando minha cabeça ainda mais fundo no travesseiro – São dez horas, vamos acordando. Nós precisamos conversar, não te vejo fazem dois dias. Como estão a indo coisas no trabalho? – Perguntou com muita curiosidade e pude lembrar um pouco da minha mãe me perguntando das coisas novas quando eu mudava de escola. Sorri com esse pensamento. Começamos então uma conversa de meia hora que nos rendeu boas risadas, e claro, conselhos da minha vó para não rebater as provocações.
Com a casa em silêncio agora, terminei de escovar meus dentes e decidi tomar um banho gelado para acordar o corpo. No fim essa tática deu certo. Hoje eu precisava ir para o hospital, fazer alguns testes neurológicos que levariam muito tempo e teria me atrasado se minha vó não tivesse me acordado. Estava feliz também por conseguir pagar essa consulta sozinha, como Tony pagava por dia trabalhado e eu tinha gorjetas, no total o suficiente para pagar essa despesa e na próxima semana teria dinheiro para pagar a primeira das muitas contas atrasadas.
Como sempre fiz o percurso que precisava usando meus fones de ouvido e ouvia minhas músicas. Isso estava servindo como uma terapia. Ao chegar no hospital fiquei na sala de espera, até meu nome ser chamado e comecei por longas horas a fazer meus exames.
- E do que você tem lembrado? – O médico perguntou.
- Muita coisa – Respondi vaga e ele pediu que eu fosse mais especifica, então continuei – Olha, eu lembrei de um amigo meu, só esse na verdade, e de algumas coisas relacionadas aos meus pais. Nada muito significativo.
- Claro que é significativo! Quer dizer que você está conseguindo se lembrar, isso é muito importante – Falou animado com um sorriso contagiante em seu rosto. Não teve como não retribuir – Nós já terminamos todos exames, então por hoje é só. Você pode ter os resultados na próxima semana.
- Certo. Obrigada – Respondi concordando e saí da sala. Eram três horas e eu já estava no centro, então até o trabalho levariam apenas 10 minutos para chegar, no entanto se eu fosse para casa o percurso levaria uma hora no total de ida e volta. Para poupar meu tempo e consegui descansar fui até uma lanchonete que tinha ali por perto, ela tinha preços baratos, então eu iria conseguir descansar e comer, sem gastar o pouco dinheiro que eu tinha.
Ao chegar pedi fritas e um grande copo de refrigerante. Ficaria enrolando por ali até as seis e meia com meu livro. Na primeira hora tudo seguiu como planejado, até um grupo entrar pela porta, todos ali falavam alto e levei por segundos minha atenção a eles, chocando meu olhar com rostos conhecidos Eric, Gustav, Sabrina, Kiara e mais um cara desconhecido por mim. Permaneci calada e fingi que não tinha os vistos, focando minha atenção para o livro, tentando passar despercebida por eles. Mas não deu certo.
- Olha minha amiga do mercado – Kiara gritou e olhei surpresa em sua direção. Todos que estavam no local olharam para nós. Senti meu rosto queimar.
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Comprando estrelas
RomanceQuando Amélia acorda em um quarto de hospital, sozinha e com apenas uma lembrança clara de um pesadelo que a rodeou durante todo período descordada, ela precisa reunir toda sua coragem para procurar as respostar e preencher as lacunas, mas será que...