Nosso primeiro beijo.

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- O que aconteceu dessa vez? – Perguntei me sentando em uma cadeira e olhando para seus olhos.

- Bem, não conversei com você sobre sua casa até hoje – Começou a fala e eu concordei, era uma coisa que eu sempre perguntava e nunca tinha respostas – Estava sendo feita uma perícia por lá, sabe, como ninguém entendeu o porquê disso tudo e também por seu pai ser delegado.

-Você acha que alguém matou meus pais? – Questionei com os olhos confusos e segurando ao máximo o desespero.

- Não! Amélia, não. Mas por ele ser da polícia, ninguém podia descartar essa hipótese – Falou quebrando as teorias que estavam sendo criadas em minha mente e eu me acalmei, em partes – Enfim, a casa foi liberada, vai ser leiloada na próxima semana, por eu não ter dinheiro para manter. Você pode ir para lá, pegar suas coisas. Se quiser eu vou com você.

- Você já não deixou umas caixas por lá? – Perguntei apontado para o andar de cima. Não que eu não quisesse ir, mas as informações estavam confusas.

- Essas coisas foram entregues pela polícia, tudo seu passou por averiguações – disse simples e eu a olhei incomodada.

- Não acredito que você continua escondendo as coisas de mim, mesmo depois de tudo, depois de eu ter pedido para não ter segredos, nem novidades dessa vez. – Falei começando a vestir minha jaqueta e pegando as chaves na mesa.

- Para onde você vai, Amélia?

- Vou sair, preciso pensar – Comentei tentando mostrar minha frustração, mas ainda assim não desrespeitando ela. Eu não estava brava com ela por precisar ir para casa pegar minhas coisas, estava brava por nunca ter tudo claro e sem segredo entre nós duas.

- Está tarde!

- Eu vou na Beatriz – Menti. Estava mandando uma mensagem para o Eric, perguntando se eu podia passar a noite na casa dele. Só perguntei isso para ele pelo fato de que no mês passado havíamos passado a noite lá conversando sobre tudo. – Eu vou ficar bem, não se preocupe. Volto pela tarde, se quiser vou te ver no trabalho antes de ir no Tony.

Saí pela porta sem rumo e esperando uma mensagem ser respondida. Por sorte quando estava chegando no fim do meu quarteirão tive a resposta, na mensagem ele pedia que eu mandasse o endereço de onde estava e assim fiz, mandei para o mesmo que pediu que eu esperasse por alguns minutos.

Enquanto o esperava deixei que minha mente refletisse sobre os últimos acontecimentos. Como disse, não estava brava ou triste por precisar ir na casa em que eu morava com meus pais, acredito que seja até bom, de um tempo para cá a coisa que eu mais quero é lembrar mais deles, mesmo que ainda não tenha mexido nas caixas do meu quarto, mas isto logo irá mudar. E não sei como, mas Eric conseguiu chegar em quinze minutos.

- Você sabe que o Jony e o Gustav estão na minha casa, né?

- Pensei que já tinham ido embora, mas tanto faz – Fui sincera. Não gostava do Jony, mas me sentia bem perto do tatuado que me trazia minhas doses de estresse diário.

O caminho foi calmo e não nos aprofundamos no assunto de o que me levou não querer ficar em casa essa madrugada, acredito que tenha sido melhor assim. Logo que chegamos em sua casa os dois garotos estavam cantando no karaokê, algo que me trouxe longas risadas e um vídeo no Instagram, além de uma nova perspectiva sobre Gustav, uma onde ele não era sério, calado ou observador, consegui sentir leveza ao olha-lo.

- Nunca o vi assim – Comentei olhando para o Eric que preparava alguns shots na cozinha.

- Gustav? Ele costuma ser assim quando está com a gente, isso só piora também depois de beber – Falou rindo sozinho e eu concordei prestando atenção no líquido sendo colocado nos vários copos.

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