Cinthia foi a terceira mulher com quem me deitei. Não vou dizer que foi ruim, entretanto, descobri que não gosto de mulher escandalosa. Ela tentou manter o contato, mas logo viu que eu não estava na mesma vibe e não insistiu.
A quarta mulher se chamava Verônica. Nos conhecemos na fila do supermercado. Não fomos para cama logo de início. Conversamos por duas semanas, quando a convidei para jantar. O sexo foi bom, mas não passou disso.
Tereza é sem dúvidas uma das mulheres mais bonitas que já vi. Negra com lindos cachos e uma pele de seda. Ela trabalhava com Richard e em uma de nossas saídas, fomos apresentados. Transamos na sacada de sua casa e só. Não houve nenhum tipo de magia.
A sexta mulher se chamava Raquel. Vi seu anúncio em um blog de acompanhantes. Até então eu nunca havia pensado em pagar por sexo, mas eu precisei arriscar. Como uma boa profissional, ela me fez gozar repetidas vezes. Mas, como com as outras 3, foi apenas sexo.
Com Thaís e com Emilly foi diferente. Eu me sentia seguro e confiante com as duas. Tinha um gosto de quero mais depois da transa. Thaís me levava a loucura e Emilly me completava.
Não quis tentar uma sétima vez. Aliás, nem que eu quisesse, eu poderia tentar. Os dias haviam se passado e eu ainda não havia encontrado uma babá para o Gael. Fora a correria no trabalho, onde era audiência atrás de audiência. Como se não bastasse, mesmo com raiva de Thaís, eu sentia sua falta.
Mas ela tinha Renan e correr atrás não era uma opção.
(Thaís)
Desempregada e com meu pai doente, as coisas haviam apertado em casa. Minha mãe estava sobrecarregada e eu me sentia uma inútil, pois fazia entrevista atrás de entrevista e não era chamada em nenhuma das vagas. Foi quando resolvi colocar meu rabo entre as pernas e recorrer à quem eu menos queria.
- Você quer seu emprego de volta? - José perguntou. Eu havia ligado pra ele mais cedo pedindo para conversar e ele pediu que eu fosse até sua casa na parte da tarde.
- Você tem todo direito do mundo de recusar, de fazer piadinhas ou sei lá. - Soltei os ombros e dei um longo suspiro. - Eu não quero me foder de trabalhar em um fast food em troco de um salário mínimo. Meus pais precisam da minha ajuda e...
- Tudo bem, Thaís. - Ele disse. - Vamos esquecer o que aconteceu. Gael precisa mesmo que você volte.
No dia seguinte eu já estava cuidando do Gael. Incrível como ele havia crescido em tão pouco tempo. Cada dia mais lindo, seu vocabulário havia aumentando e ele já começava a formular frases.
- Gato! - Gael apontou para o felino na televisão.
- O que o gato faz? - Perguntei.
- Miau! - Respondeu todo cheio de si.
Gael gostava muito de ver os animais na TV. Certo dia, liguei para José no trabalho e pedi sua autorização para adotar um pet. Relutante, ele concordou, desde que eu limpasse toda a sujeira. Levei Gael até o abrigo mais próximo e lá ele escolheu seu mais novo amigo, um gatinho preto.
- Tem que dar um nome pra ele agora.
- Ele não tem nome? - Perguntou inocente.
- Não, bebê.
- Tadinho... - Disse passando a mãozinha na cabeça do gato. - Tom! Ele vai se chamar Tom.
Os dias passaram e já estávamos em agosto. Gael parecia um homenzinho, esperto que só ele. Desde minha volta, eu mal via José Alexandre. Ele passava o dia no escritório e quando chegava eu já estava dormindo. Foram poucas as vezes que pegamos para conversar e quando conversávamos, só falávamos o básico, sobre Gael ou sobre meu pai.
- O quadro dele não melhora... - Falei com pesar. - Tenho medo de que aconteça o pior.
- Tem certeza que não há nada que eu possa fazer? - José perguntou.
- Ele está sendo tratado no hospital do câncer... Está tendo o melhor tratamento possível. O que podemos fazer é orar.
- Eu sinto muito...
A notícia que mais temiamos não demorou a vir. Meu pai era um guerreiro e lutou bravamente, mas o câncer estava em estágio avançado e mesmo com todas as cirurgias que ele se submeteu, a doença se espalhou por outras parte do corpo, levando-o a óbito.
Foi José que me deu todo o suporte. Assim que soube, tratou logo de sair do escritório e ir ao meu encontro. Nos abraçamos e creio que chorei em seu ombro por pelo menos uma hora. Ele me ajudou com a troca de roupa e me levou até minha mãe, que também sofria com a perda. Perder alguém sempre é difícil, ainda mais quando esse alguém é seu herói.
José custeou todo o enterro. Não só isso. Foi ele também que lidou com toda a parte burocrática. Minha mãe só sabia agradecer, pois não tínhamos condições de pagar pelo velório e precisávamos de alguém para lidar com toda a papelada.
- Obrigada. - Pedi com a voz rouca, o rosto lavado por lágrimas. Estávamos no velório e ele acariciava minha cabeça contra seu peito.
- Shhh... Você não tem que me agradecer.
Mas eu tinha e muito.
Nos dias seguintes ao velório, José continuou nos dando suporte emocional. Ele ia visitar minha mãe todos os dias e também levava Gael, que enchia nossos corações de amor.
- Você tá triste? - Gael perguntou com a vozinha doce à minha mãe.
- Um pouquinho...
- Fica triste não... - Pediu dando-lhe um abraço. Minha mãe o abraçou de volta e não conseguiu conter as lágrimas. Gael tentava limpar as lágrimas sem soltar-se do abraço.
Certa vez ouvi que crianças são como anjos. E é bem verdade. Só mesmo um sorriso sem malícia de alguém tão doce é capaz de lavar nossa alma.
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Uma babá exemplar
RomanceJosé Alexandre Aguiar e Emilly Magaoa se conheceram no primeiro ano do ensino médio, quando José mudou de Americana para São Paulo. O caminho até a escola, as atividades extracurriculares e o círculo de amigos, facilitou para que ambos se apaixonass...