(Thaís)
Não imaginei o tamanho da loucura que eu estava prestes a me meter quando fui admitida por Richard. Após uma noite intensa, regada a muitos orgasmos e carícias, cheguei a conclusão de que o posto de babá já não me pertencia. Meu envolvimento com José havia passado todas as barreiras profissionais e o pior é que gostávamos disso.
O fato é que José Alexandre havia mudado. O cara carrancudo e cheio de traumas cedera lugar a uma pessoa com vontade de viver. Quem mais ganhou com isso foi Gael, que pôde enfim curtir o pai.
- Tô pensando em levar Gael no parque aquático semana que vem. O que acha? - José perguntou.
- Maravilhoso! - Respondi; Na semana seguinte pegamos a estrada com destino ao Wet'n Wild. Fomos na terça-feira, pois queríamos que Gael tivesse uma boa experiência e isso não aconteceria caso fôssemos em um final de semana lotado.
- Dá pra irmos em todos as piscinas, menos na privada.
- Privada? - Perguntei sem entender.
- Nunca veio aqui?
- Sempre vinha... Mas o que isso tem a ver com uma privada?
- Você quer usar o banheiro? - Gael perguntou com a voz bonitinha, alheio à pergunta do pai.
- Não, bebê. - Falei pegando-o no colo. - Seu pai tá meio tan tan.
- Pan pan? - Imitou confuso.
- Tan tan. - Dei risada. - Assim ó... - Rodei o indicador ao lado da cabeça, insinuando que seu pai estava louco. Gael soltou uma risadinha gostosa e José o tomou do meu colo.
- Deixa de ser besta... Tô falando de um tobogã gigante. Eu tinha uns 12 anos quando fui pela primeira e última vez.
- E o que tem de extraordinário nesse tobogã? - Perguntei.
- Você cai feito bosta na água... Sério.
- Isso te traumatizou?
- Tenta entrar em um tobogã com o intuito de se divertir, daí escorregar na velocidade da luz por canos e canos e no fim cair com tudo em uma piscina com mais de 5 metros de altura.
- Não é esse o intuito de um tobogã? - Perguntei como se fosse óbvia.
- Eu me afoguei, Thaís. Não sabia nadar e...
- E por que caralhos tu quis entrar em uma piscina com essa profundidade, se você não sabia nadar? - Perguntei o interrompendo.
- Sei lá. - Deu de ombros; Caminhamos até a ala das piscinas infantis e por lá ficamos. Diferente do pai, Gael era um ótimo nadador.
Passamos o dia no parque. Gael fez amizade com uma menina de sua idade e os dois não se largaram até a hora de irmos embora. Conversando com o pai da menina, descobri que o mesmo era quase que vizinho de José Alexandre. Ele me passou seu número e ficamos de marcar um dia para as duas crianças tornarem a brincar.
- Tá diferente. - Gael falou inocente indicando a pele onde o sol não havia queimado. Apesar de ter passado o protetor solar, sua pele havia ficado bem vermelha.
- Vai ficar com marquinha, bebê.
- Maiquinha?
- Sim... E deixa eu te contar um segredo. - Ele me olhou curioso e logo aproximou sua orelha da minha boca. - É sexy. - Sussurrei.
- Que isso? - Sussurrou de volta.
- Um elogio, bebê.
- Eu sou isso?
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Uma babá exemplar
RomanceJosé Alexandre Aguiar e Emilly Magaoa se conheceram no primeiro ano do ensino médio, quando José mudou de Americana para São Paulo. O caminho até a escola, as atividades extracurriculares e o círculo de amigos, facilitou para que ambos se apaixonass...