XV

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(Thaís)

- Boa noite. - José cumprimentou quando entrei no carro. Beijei-lhe a face, inebriando-me com seu perfume, que tomava conta de todo o veículo. - Demorei? Peguei um trânsito...

- Relaxa. - Ele assentiu dando a partida.

- Vou buscar Gael em minha mãe e de lá passamos em alguma pizzaria.

- Tudo bem. - Assenti olhando para a janela.

- Tá trabalhando? - Meneei a cabeça negativamente.

- As coisas não estão fáceis.

- Pareceu fácil quando você pediu demissão.

- Vai começar? - Perguntei exasperada.

- Não... - Deu de ombros. - Também não está fácil arrumar alguém para cuidar do Gael.

- Como não? O que mais tem é gente a procura de emprego.

- Sim... Mas entrevistei várias e nenhuma se adequou a vaga.

- Hm...

- Você era perfeita.

- Falou o cara que duvidou de minha capacidade. - Desdenhei e ele riu; em poucos minutos chegamos à casa de sua mãe. José desceu para buscar Gael e eu pulei para o banco de trás. Não via a hora de reencontrar meu menino.

- Olha quem papai trouxe pra te ver. - José disse abrindo a porta do carro. Assim que me viu, Gael abriu um sorriso de orelha a orelha e jogou-se para cima de mim. Não pude me conter e o enchi de beijos, o que lhe provocou uma risadinha gostosa.

- Que saudade de você, neném! - Falei em meio aos beijos; após nos ajeitarmos, José deu partida e dirigiu até a pizzaria mais próxima. Fiquei brincando com Gael até José voltar com a pizza. Meia hora depois estávamos em sua casa. Jantamos e Gael aguentou até às 21h, quando dormiu com um sorriso no rosto. A visita também me fizera muito bem. Esse último mês fora bem turbulento. Meu pai passou muito mal na virada de ano e teve de ser internado, diagnosticado com câncer no pulmão. A família inteira ficou arrasada, minha mãe então nem se fala. Eu tinha que me mostrar forte para eles, mas só Deus sabe o quanto eu estava sofrendo.

- Obrigado por vir. - José agradeceu após deixarmos o quarto de Gael.

- Obrigada você por me chamar. - Agradeci sincera.

- Pensei que ele fosse te alugar a noite inteira... - Brincou.

- Tadinho. - Sorri de lado. - Enfim... Não precisa me levar em casa.

- Mas já quer ir embora? - Perguntou parecendo estar decepcionado.

- Gael não dormiu? Outro dia venho mais cedo e fico mais tempo com ele.

- E comigo? - Perguntou ficando em minha frente. - Você não pode ficar mais um tempo?

- Sentiu saudade?

- Muita... - Confessou passando dois dedos em minha bochecha. O suficiente para me arrepiar.

- Tu só me trouxe aqui porque queria transar, né? - Debochei sentindo seus dedos escorregarem até minha nuca. Com a mão que estava livre, José apertou minha cintura contra a sua.

- Não pensei nisso até te ver... - Respondeu com a voz baixa. Seus lábios tocaram meu pescoço, onde ele depositou um beijo. - Eu fiquei muito tempo sem transar, Thaís. Você tirou minha segunda virgindade e te ver assim tão linda só me deixa com vontade de te comer a noite inteira.

- Não saiu com ninguém? - Perguntei mantendo a postura. Parte de mim queria esquecer todos os problemas e me entregar. A outra parte me lembrava que José era enrascada e seria só mais um problema.

- Você me deixou mal acostumado... - Disse agarrando meus cabelos e me surpreendendo com um beijo. Devo confessar que senti falta da pegada de José. Como eu não era mais sua funcionária, ignorei o fato de estar me metendo em confusão e retribui o ato, beijando-o com urgência.

José nos guiou até seu quarto, onde me jogou em sua cama. Só então pude perceber o quão sexy ele ficava quando combinava uma camisa regata com calça moletom. Calça essa que fora logo deixada de lado, revelando sua bela ereção.

- Fica assim. - Ele pediu, posicionando-se entre minhas pernas. Suas mãos agarram minha cintura e subiram, levantando minha blusa até meus seios, deixando-os a mostra sob o sutiã. Em seguida, José abriu o zíper de minha calça e após desabotoá-la, abaixou-a até o meio de minhas coxas. Minha calcinha fora colocada para o lado e no instante seguinte, seu pau pincelava minha boceta.

- Isso é um tipo de fetiche? - Perguntei devido a posição que eu me encontrava.

- Gosto de te ver submissa... - Ele respondeu ao mesmo que se enterrou em mim, arrancando-me um gemido. - Hmm... Você é tão rebelde, Thaís. É uma delícia ter você assim... - Completou fazendo movimentos de vai e vem.

- Também gosto de dominar. - Falei apreciando suas investidas.

- Shhhh... - Pediu, passando o dedo indicador sobre meus lábios. - Só geme pra mim, vai. - Ficamos nessa posição até José me virar de bruços e pedir que eu empinasse bem a bunda. Assim o fiz, sentindo minha pele arder com o tapa que ele me dera, o que me excitou ainda mais. Fui a primeira a gozar. José, por outro lado, se segurou ao máximo. Ele me presenteava com tapas e investidas fortes ao mesmo que puxava meu cabelo. Deleitei-me com o momento, sentindo-o gozar dentro de mim minutos depois.

(...)

José havia dormido e eu estava aconchegada em seus braços. Do lado de fora caía uma chuva intensa, porém gostosa. Nada de relâmpagos ou trovões. O único som era o dos pingos caindo sobre o asfalto. Clima propício para se ter uma boa noite de sono. O problema é que eu já não dormia bem há muito tempo.

Levantei e fui até a cozinha, onde preparei um suco de maracujá concentrado e bebi quase que a jarra inteira. Sempre achei ridículo as pessoas alegarem que após beberem um copo desse suco, o sono vinha. Entretanto, tentei ser positiva, pois precisava dormir.

O que não aconteceu.

- Ainda acordada? - José perguntou com a voz rouca, encostado no batente da entrada da cozinha.

- É... - Sorri de lado. - Quer suco?

- Prefiro um chocolate quente.

- Eu faço. - Respondi solícita.

- Vou aproveitar sua gentileza só porque estou com saudade do seu chocolate.

- Quase não vive sem mim, hein. - Brinquei.

- Como eu disse, você me deixou mal acostumado. - Preparei sua bebida e após ele beber, fomos para o quarto. - Quer me contar o que está acontecendo?

- Como assim? - Perguntei hesitante.

- Você está com a fisionomia cansada... Mas se não quiser falar, tudo bem. Só saiba que pode contar comigo, caso precise de um ombro amigo.

- É o meu pai... - Suspirei. Eu precisava desabafar. Renan era meu único confidente, mas ele fora fazer um intercâmbio e só voltaria em julho. Eu não queria estragar sua viagem, deixando-o preocupado. - Ele está com câncer. - Entreguei com a voz pesada.

- Sinto muito, Thaís. - José falou tocando minha mão. Toque esse que estremeceu meu corpo e me fez desabar num choro profundo. - Vem cá. - Chamou acolhendo-me em seus braços. Deitei a cabeça em seu peito e ele aproveitou para me afagar. Não sei em que momento isso virou um beijo, mas diferente das outras vezes, fora um beijo calmo, carinhoso. Tudo o que eu precisava.

Uma babá exemplarOnde histórias criam vida. Descubra agora