Hermione dormiu a manhã toda e acordou com o cheiro do almoço, seu sono tinha sido inquieto e desanimador, ela fez as contas e apesar de tudo que já tinha vivido, apenas um dia tinha se passado, desde que se separara de seu pai e tinha prometido escapar. Bem, agora não seria mais necessário escapar, não era mais uma prisioneira e não precisava ficar, podia partir quando bem lhe parecesse, de preferência enquanto ainda houvesse luz do sol, pois já estava farta daqueles lobos.
Suspirando levantou-se, lavou o rosto, prendeu os cabelos e dobrou as mangas do vestido. Ela permaneceria, pelo menos até que Draco estivesse bem, sua consciência a cobrava, mas assim que ele abrisse os olhos ela partiria sem nunca olhar para trás, deixaria aqueles castelo e esqueceria sua magia. Esqueceria, como lutava para esquecer sua própria.
Rapidamente foi para o quarto da ala oeste e após conferir as bandagens, que só deveriam ser trocadas a noite, e perguntou para os outros.
- O que acontece quando a última pétala cair?
- Draco permanecerá uma fera para sempre. - Afirmou Blaise. - E nós nos tornaremos...
- Antiguidades. - Interrompeu Pansy.
- Quinquilharia. - Continuou Blaise, brincalhão.
- Utensílios de casa. - Falou Millicente, sendo mais realista.
- Lixo. - Suspirou Theodore. - Nós nos tornamos lixo, mas esta é a verdade: A vida só começa quando a gente compreende que ela não dura muito...
- Gostaria de poder ajudá-los.
- Não cabe a você se preocupar com isso, querida. Nós fizemos a cama e cabe a nós deitar nela. - Afirmou Pansy, determinada.
Draco dormiu por dois dias inteiro e durante esse período a jovem trocava seus curativos e se impressionava com a rapidez da cicatrização do outro. Mesmo que sem querer, aproximou-se dos que ali viviam, conversaram sobre tudo; arte; música e sobretudo sobre livros, seus preferidos. Entretanto, Theodore voltou a lhe questionar uma coisa ou outra sobre magia e a garota por sua vez se fechava. Assim, o tópico nunca ia para frente, de modo que o outro parou de questionar; o que foi um alívio para Hermione que não consegua detestá-lo; mesmo com os questionamentos que ela definitivamente detestava. Detestava porque não sabia nada. Detestava porque tinha escolhido esquecer sua magia ao não estudar, como os amigos fizeram, porque não podia deixar seu pai.
O Bruxo acordou na madrugada do terceiro dia um pouco febril e ao perceber que a garota estava do seu lado colocando compressas frias em sua testa, para aliviar o desconforto, ficou desconcertado.
- Por que continua aqui? Não é mais minha prisioneira. - A voz era fraca e um pouco delirante.
- Descanse... Precisa descansar.
- Não respondeu minha pergunta...
- Porque... Essa é minha forma de agradecer por ter salvado minha vida.
- Justo, vendo que isso é tudo culpa sua. - Riu – Se, você, não tivesse corrido no meio da noite enquanto o feitiço dos lobos fantasmas protegiam a floresta nada disso teria acontecido.
- Minha culpa? - Perguntou indignada, claro que não era sensato discutir com uma fera egocêntrica e delirante pela febre, mas Hermione não estava muito racional após ser acusada de algo que não era culpa dela. Pelo menos não completamente e, com certeza, não só sua. - Se, você, não tivesse me assustado eu não sairia correndo no meio da noite!
- Bem, você, não deveria estar na ala oeste!
- Bem, e você precisa aprender a controlar seu temperamento! - Falou irritada, mas não recebeu resposta, pois o outro já tinha voltado a dormir.
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The Curse
FanfictionEra uma vez, no interior da Inglaterra, um belo Lorde Bruxo que vivia em um lindo castelo. Mesmo possuindo tudo o que seu coração desejava, o jovem era egoísta e preconceituoso, principalmente com aqueles que não possuíam sangue mágico. Com o dinhei...
