2.A Casa da Sabedoria

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Symon

Em casa, na noite passada tive outras das costumeiras brigas com meu pai e me tranquei no quarto. Era bom ter minha amiga de volta, mas ela estava diferente, misteriosa e cheia de segredos... O que será que aconteceu com ela durante esses nove anos?

Pensando nisso, passei a manhã inteira procurando-a em seus lugares favoritos e costumeiros, querendo uma explicação sobre a maluquice da tarde anterior, como ela havia feito àquelas coisas?

Estava quase desistindo, ela não estava nem na sua própria casa, para falar a verdade, eu nem consegui entrar. Ela mora em uma casa na arvore, sem escadas, corda ou elevador de pneu, eu nunca consegui entrar naquela casa, nem na infância. Como ela entrava na casa? Sempre me perguntava isso.

Depois de procurar por quase 4 horas finalmente a encontro no telhado da biblioteca pública, segurando o mesmo pingente que recebera do dragão negro ontem, enquanto olhava para o céu.

- Eu sei que é você ai na porta, Symon. – diz interrompendo minha avaliação

- Então continua com seu sentido bizarro – digo entrando

- Não diga isso. Eu simplesmente sei quando alguém se aproxima, o clima ao redor muda – ela diz virando para me olhar

- Vai explicar aquela maluquice de ontem? E que pingente é esse? Digo cruzando os braços e indicando o pingente com a cabeça

- Não posso, e devido ao ocorrido de ontem, eu preciso ir embora, fiquei tempo demais aqui. Então isso é um adeus.

- Como?

Eu estava ouvindo direito? Nós finalmente nos reencontramos e ela estava indo embora novamente?

- Por quê? – pergunto infeliz

- Não posso contar.

- É melhor me contar ou não irei te deixar em paz

- Está falando sério? – diz incrédula

- Sim - digo a encarando indignado

Ela olhou novamente o pingente em sua mão, me olhou nos olhos, olhou para o céu, remexeu o cordão em seu pescoço, sem mostrar nenhum interesse em sua aparência, que logo notei estava diferente.

Seus cabelos castanhos estavam longos, ondulados e soltos, estava vestindo uma camiseta amarela sem estampa que cobria metade de sua saia branca que cobria metade dos joelhos, mostrando pouco de suas pernas devido à longa bota marrom de baixo salto, mas o que mais me intrigava era o quanto suas roupas pareciam antigas se comparadas as que eu uso. E seus olhos continuam verdes como sempre. Usava uma luva de couro sem dedos na mão esquerda e um anel com cinco pedras coloridas na mesma mão. Essa é a Adélia que me encarava.

- O que você está olhando? – me diz confusa

- Nada, só que... Você está usando botas e não é do seu feitio. – digo a primeira coisa que vem na cabeça

"Burro! Ela sempre está de botas! Não tinha nada melhor para inventar" – me repreendo mentalmente

- Sério? Eu nem notei, era um costume no lugar onde eu estava, era uma obrigação. – diz distraída para o meu alivio

- E essa luva única?

- Ahn... É complicado.

Ela suspirou segurando seu cordão, puxando-o assim revelando outro pingente metálico, dourado e prateado, com uma coruja no aro.

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