Symon
Jenna corria de um lado para o outro com poções e unguentos, parecia bem experiente. Limpava a ferida sem nenhum pingo de magia, já que sabíamos que isso não ajudaria em nada.
Eu estava impaciente, novamente não podia fazer nada. Sabia que isso estava acontecendo pelo uso constante da magia, a maldição atacava de novo.
A febre não abaixava só aumentava, mas ao menos os aranhões e as veias negras pararam de crescer.
Jenna procurava algo constantemente em suas coisas e quando não encontrava, xingava a si mesma por não ter pedido mais a avó.
- O que foi? - pergunto mais aflito que ela
- Acabou.
- O que acabou?
- Equinácea¹! Eu vou procurar, deve ter alguma delas por perto. - Jenna diz se levantando abruptamente e desesperada
- Espere... - Adélia diz fracamente impedindo assim Jenna de atravessar a barreira
Fico imediatamente ao seu lado, tentando impedi-la de se levantar, mas para a minha completa surpresa, ela libera Tiahlia de seu anel. Esta parecia um pouco melhor do que a parceira e depois disso, Adélia volta a apagar.
- Impossível! Como você não está tão mal quanto sua parceira?! - Mathew diz incrédulo andando até a ave
- Isso só está acontecendo porque essa teimosa está me negando e pegando toda a maldição para si². - Tiahlia diz cruzando as asas chateada
- Ela se preocupa com você, por isso está fazendo isso. Me diga, tem que ter um motivo para ela te liberar só agora, podemos salva-la dessa vez? - digo mantendo a esperança acesa
- Sim, uma planta antiga que se encontra nas profundezas do Mar Convexo, Abramenis Luptor. Ela pode fazer a mesma coisa que a guardiã de Mirnagard fez anteriormente, mas...
- xii... lá vem o problema. - Jenna choraminga
- Mas, essa planta está quase extinta, já que ela é feita através da morte de um peixe antigo. - ela responde se aproximando da parceira
Jenna se voluntariou para ir busca-la sempre franzindo o cenho para o desenho feito por Tiahlia, parecia uma pena de águia, mas está disse que era uma folha subaquática.
Ela estava prestes a sair da barreira novamente, mas eu a interrompo e digo que vou em seu lugar. Ela discute dizendo que não teria como, já que eu não conhecia nada daquela área e é aí que Mathew se oferece para ir comigo.
Ela claramente era contra, não ouviu quando Mathew lhe disse e com razão de que se Adélia piorasse eles não poderiam fazer nada, já que nem sabiam o que fazer, além do fato de que suas habilidades eram melhor em buscas, então seria de grande ajuda para mim.
Ela continua discutindo e só se acalma e desiste de vez quando Gabry a impede de cometer alguma loucura, lhe assegurando que eu estaria com Mathew e que ele estaria com ela para ajudar no que fosse preciso.
Sem forças, começa a resmungar enquanto mexia uma poção aleatória e consideramos isso uma permissão, saindo imediatamente da barreira e corremos para a praia, para o mar.
Um enorme peixe nos esperava, suas escamas azuis esverdeadas se mesclavam assim lhe dando um ar mais robusto e misterioso, sua cauda abanava de um lado para o outro como se estivesse revendo um velho amigo. Ao sorrir e saltitar, suas presas apareciam, pareciam bem afiadas e seus olhinhos amarelados finalizavam uma aparência assustadora e tosca.
Mathew nem ligou e entrou na água se aproximando dele, coloca suas mãos nos espinhos dele e fecha os olhos em concentração.
Quando volta a abri-los está perturbado e me sinto perturbado também com o que ele me conta. Essa planta existia, mas como Tiahlia falou, ficava nas profundezas do oceano. O que ela esqueceu de mencionar era que a planta seria cercada de tubarões e polvos gigantes.
Estava na cara que ele não queria ir, mas o tempo era crucial, se ele não fosse eu ia sozinho.
Desde que cheguei aqui, só tenho causado problemas para Adélia e eu quero retribuir tudo que ela me fez até agora, não quero ficar sentado esperando que um milagre aconteça - penso e finalmente entendo como ela se sentiu no meu mundo
- Você não vai conseguir sozinho, Symon. Eu vou com você. - Mathew responde suspirando, ao que parecia ele não gostava de tubarões e polvos
Quando acho que ele vai recuar de medo de novo, o vejo retirar uma vareta mais estranha ainda, tinha o formato de uma presa enorme. Ele a aponta para o peixe estranho dizendo exatamente essas palavras:
"Ser do mar, meu amigo
Ser vivente, meu parceiro
Como compactuante, do nosso pacto exijo
Empreste - nos sua força
Deixe - nos respirar e ver em baixo d'água e aguentar a pressão das profundezas
Empreste - nos sua capacidade
Pactum share"³
Estranhamente me vi sendo envolvido por um fraca áurea azul e Mathew também, quando lhe questionei sobre isso, ele disse orgulhoso que poderíamos passar pelas profundezas sem morrer com a pressão e que poderíamos prender a respiração por mais tempo, mas só.
Como ele havia feito um pacto recentemente com seu novo amigo, não tinha uma afinidade mais forte para seu feitiço ser forte, além do fato de que ele era apenas um filhote de tubarão, não tinha grandes capacidades como os adultos.
Encarei o "peixe"¹¹ novamente e imediatamente me arrepiei todo, estava explicado esse jeito estranho de ser dele.
Resolvi redobrar minha atenção, então respirei o mais fundo que conseguia e mergulhei, seguido de Mathew e o "peixe". Este último, nadou mais rápido e assumiu a liderança nos guiando mar adentro.
Conforme nadávamos mais fundo, mais eu via a necessidade de respirar, mesmo com o feitiço era difícil prender a respiração e a pressão começava a incomodar.
Finalmente entendi, o que ele quis dizer com a pressão irá nos matar, então logo eu presumi para onde foi a maior parte do feitiço. Para nos proteger da pressão.
Ficava cada vez mais difícil acompanhar o "peixe", para um filhote ele nadava bem rápido. Mathew e eu precisávamos nos forçar a ir mais rápido para acompanhá-lo e várias vezes quase perdemos o fôlego só para o acompanhar.
Por várias vezes, via animais desconhecidos, alguns eu tinha certeza de que não existiam no meu mundo, com toda a certeza Gabry ia adorar estudá-los.
Só então notei quão escuro estava ficando, chegou um momento em que os olhinhos do "peixe" eram nossa única luz.
De repente, uma luz distante aparece, era a tal planta que Tiahlia havia falado. Ao seu redor, vários tubarões e polvos gigantes de aspecto assustador nadavam como se a estivessem cultuando. Estavam todos dentro de um abismo subaquático apertado.
Infelizmente, só tinha uma folha, seja lá qual peixe que deveria dar origem a planta... essa em si durou muito.
Ao ouvir um gemido ao meu lado, soube que Mathew quase estava se engasgando de medo, então eram os polvos afinal. Lhe aplico uma cotovelada, era um absurdo! Não sabia o que tinha acontecido entre ele e os polvos, mas ele era um feiticeiro animale, pelo que haviam me dito era contra seu orgulho tremer diante de um animal.
Ele fechou os olhos e quase respirou fundo como se tivesse entendido o recado, pega sua varinha (presa) e a aponta para o ninho de tubarões e polvos, a íris de seus olhos adquirindo um brilho amarronzado.
Quando me dou conta, todos estão congelados, estáticos. Me aproveitei disso e comecei a nadar em direção a folha, pegando-a imediatamente.
Ao meu lado, ouvi Mathew praguejar assim perdendo considerável quantidade de ar e notei que eu também estava quase no meu limite de prender o folego, além do fato de que os protetores da folha estavam irritados e pareciam estar recuperando os movimentos.
Nessa hora, o "peixe" se aproxima animado e Mathew amarrou nele uma corda que tirou de sei lá onde. Amarrou a outra ponta em nossa volta e ao seu sinal, o "peixe" nadou a uma velocidade assustadora, nos levando junto num solavanco.
A paisagem marinha passou como um borrão dessa vez e quando nos demos conta saímos da água com um salto, provavelmente porque o "peixe" parou.
- ... que não foi uma boa ideia!- Mathew grita
Aterrissamos na areia quentinha com tudo e claro que doeu. Ao observar o céu, noto que já está escurecendo e fico desesperado na hora.
Estávamos encharcados, sujos de areia e sal e com a bunda dolorida, mas nos levantamos. Estávamos sem tempo e o único animado entre nós era o "peixe", que claramente esperava algo.
Mathew suspirando tira a corda de si, entra na água retirando a corda de seu amigo e ao fechar os olhos, vejo-os serem envolvidos por um brilho amarronzado. Em seguida, o garoto lhes entrega uma fruta grande e desconhecida para mim, era cheia de curvas e tinha o tamanho de um coração.
- O que aconteceu lá em baixo? - pergunto assim que o "peixe" some
- Minha irmã e Gabry foram levados pelo Reino de Cascata. - ele diz cansado
- Como assim? E Adélia?! - pergunto alarmado
- Está bem. Quer dizer, na medida do possível, mas minha irmã e Gabry haviam saído da barreira para procurar plantas e foram vistos pelos guardas. - ele diz quase choramingando
- Como você sabe disso?
- Deixei um dos meus parceiros de guarda, estive os observando pela "share vision"²². - ele diz mais cansado ainda
Não perdemos tempo e saímos correndo floresta adentro. Para o nosso completo alívio, estava tudo como deixamos e Tiahlia estava colocando um pano úmido na testa da parceira completamente preocupada.
- Até que enfim! Rápido, a maldição acelerou o passo assim que vocês saíram, ela está por um triz agora. - ela diz assim que nos vê, mexia as asas enlouquecidamente
- Então... o que fazemos agora? - Mathew pergunta duvidoso quanto a folha
- Symon, você sabe o que que fazer. Ela precisa de um doador de energia vital. - ela diz e eu tenho certeza de que quando acordasse Adélia iria me matar por fazer de novo
Mas eu estava irreversível, me aproximei dela e a coloquei em meu colo.
Precisei respirar bem fundo para fazer aquilo de novo, mas não hesitei.
Enfiei a folha na ferida, fazendo mais sangue sair e imediatamente está se ilumina me sugando.
Novamente me vi dentro de Adélia e novamente me vi diante da Nartisx, ela estava se enraizando dentro dela de novo.
Era isso que a maldição fazia, ela era como uma planta parasita que se alojada no coração e comia cada grama de magia e soltava um veneno que matava todo o resto e a magia que ele não comia.
A pena na minha mão, agora novamente se tornou uma espada, eu odiava essa parte.
Assim que notou minha presença, raízes vem em minha direção, mas eu esquivo, rolando para o lado e ela volta a atacar.
Pelo que me pareceu horas, eu esquivava de seus ataques, cansando-a e quando a brecha finalmente se abriu, corri, gritei e com toda a força que me restará, cravei a espada na testa dela, seu coração.
Imediatamente ela grita, me sinto novamente ser sugado e quando me dou conta, minha energia vital a estava envolvendo como uma jaula. Ela adormeceu.
Quando dou por mim novamente, estou de volta e imediatamente caio para trás sem forças, respirando pesadamente.
- Symon! Você está bem? - Mathew pergunta preocupado
- Estou, só estou cansado. Agora ela ficará bem. - digo mandando um joinha
- Por favor, me diz o que você fez! Deixa-me ajudar também! O doador não precisa ser você o tempo inteiro! - ele grita suplicando
- Não! Essa é uma experiência que não recomendo para ninguém. Deixem que eu seja o doador, Esmeralda me disse na primeira vez que se o doador falhar, morrerá imediatamente e a maldição acelera. Não tem como eu deixar isso acontecer. - digo convicto
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¹Planta nativa americana, muito usada na antiguidade como estimulante do sistema imunológico.
²O que Tiahlia quis dizer aí foi que usuário de magia e mascote familiar são praticamente unos, já que o segundo é a representação da principal característica vital do parceiro. Ao se negar essa característica, o mascote perde sua conexão pelo tempo de negação, mas se isso se prolongar por mais do que duas semanas... significaria a morte do mascote.
³Significa literalmente pacto compartilhado, aqui está misturado o inglês e o latim
¹¹Symon o chama de "peixe" para não surtar, afinal de contas quem gostaria de ter um tubarão como guia, mesmo se for um filhote?
²²Significa literalmente visão compartilhada em inglês e permite ao mago/feiticeiro animale, ver o que seu compactuante vê naquele exato momento
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Legado
FantasyEle teria uma vida considerada normal, apesar de ser rico e odiar isso, cercado de pessoas interesseiras. Nada seria anormal, além de pacato, os únicos verdadeiros eram seus amigos de verdade. Ela não tem nenhuma memória do passado, sua vida se base...
