O tratado

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Na manhã seguinte na colônia, da sala do general Takar, o comunicador começa a tocar. Ele aperta o botão para atender.

— Como conseguiram se comunicar comigo!? — Sai a voz do chanceler parecendo estar muito nervoso.

— O que aconteceu, senhor?

— Recebi uma ligação hackeada da Terra; eles sabem sobre nossas intenções e querem um acordo.

— Que tipo de acordo?

— Entregando o culpado pela morte de Eduard Hall e fazendo um ratado a partir disso.

— Acho que é razoável, mas acho que isso é uma medida desesperada, porque acabamos de mostrar nosso poder de fogo e em alguns dias estaríamos começando a avançar com as tropas por terra.

— Sim, general, mas andei pensando e acho que seria interessante fazermos um acordo que nos favoreça.

— Está bem, senhor, como quer proceder? Não quer que encontremos quem vazou nossos segredos?

— Não há necessidade. Acho que farei uma viagem para aí, quero fazer o tratado pessoalmente.

— Estaremos a sua espera.

— Só avisarei ao conselho e sairei hoje mesmo — A chama é desligada e o chanceler caminha lentamente para a sala escura do conselho.

— O que te traz aqui de novo? — Pergunta uma das vozes no escuro.

— Tenho uma proposta: podemos finalmente de uma forma pacífica dominar os seres humanos.

— O que tem em mente? — Pergunta uma outra voz.

— Podemos fazer um pseudo acordo, apenas para manter a paz, mas continuarmos como dominantes.

— Tem certeza que isso dará certo?

— Sim, Takar já me informou que eles tem medo de nosso poder de fogo, agora é só aceitarmos a paz e estarão em nossas mãos.

Um silêncio ecoa pela sala, só se ouve o respirar de Volkar na sala, por alguns minutos.

— Aceitamos; vá e traga a glória para o nosso planeta — Dizem todas as vozes no escuro como um coro de igreja.

Volkar sai da sala e lentamente vai em direção ao hangar para pegar a nave espacial dele; seu capitão já estava a sua espera e ao fechar as portas, decola.

No dia seguinte, a nave do chanceler chega às mediações da Terra, passa pela atmosfera e pousa na colônia; esperando ele está: Takar e Winn.

— Como vai? — Cumprimenta Volkar, após sair da nave.

— Fez boa viagem? — Pergunta Takar, olhando para ele.

— Quase isso. Onde teremos que ir para fazer o acordo?

— Senhor, temos uma linha segura direta, para a presidente Margareth — Diz Winn caminhando ao lado deles.

— Leve-me para lá.

Eles entram na sala de reuniões da nave de Takar, se sentam e Winn aperta o botão do comunicador.

— Olá, sou a embaixadora Marta Gonçalves, pelo fato da presidente não saber a sua língua eu serei a intermediaria neste acordo. Segundo ela, devemos fazer um cessar fogo, em troca entregamos Dimitre Nikolai, o responsável pela morte de Eduard Hall.

— Para mim é razoável, mas com uma condição.

— Qual seria?

— Que nós sejamos os redatores do acordo — A outra linha fica muda por alguns minutos.

— A presidente aceita. Os encontramos na cede da ONU em Nova Iorque hoje à tarde — Acaba a chamada.

— Como faremos para ir para este lugar? — Pergunta Volkar virando-se para Takar.

— Não se preocupe com isso, Anarka levará você em uma mini nave.

Na base do FBI em Nova Iorque, está a agente Meyer sentada em sua mesa ao lado de Asturia que estava fumando uma ponta e da embaixadora Marta Gonçalves, em frente ao notebook no qual estavam se comunicando com a colônia. Meyer desliga o telefone com linha direta para a presidente.

— Temos que nos preparar para este momento histórico — Diz Meyer colocando discretamente a mão na cocha de Asturia.

— Ficarei aqui monitorando o evento pelas câmeras e via satélite — Diz Asturia dando uma tragada na ponta, pondo a mão sobre a de Meyer em sua cocha e soltando a fumaça ao terminar de falar.

— Vamos! — Se levanta Meyer olhando para Marta, que se levanta junto com ela.

Se despedem de Asturia, pegam um carro e vão para a cede da ONU. Chegando lá, se deparam com um cerco da polícia novaiorquina bem na frente da ONU.

— Parece que já sabem o que vai acontecer aqui — Diz Marta do banco do passageiro olhando para um pequeno aglomerado de pessoas em frente ao cerco.

— Sim, esses repórteres são uns ratos — Comenta Meyer, estacionando ali perto.

Elas entram no prédio da ONU e aguardam a chegada de Margareth e Takar, junto a vários outros agentes. Marta sobe em um espaço para os tradutores simultâneos. Passam-se alguns minutos e chegam os líderes. O secretário geral da ONU sobe para fazer o pronunciamento.

— Estamos hoje aqui, para marcar um acordo histórico para a humanidade, no qual, seres humanos e Nardaquianos começarão a coexistir em harmonia; dou agora a palavra ao redator do acordo, chanceler Volkar.

Sobe para falar o chanceler e Marta se prepara para traduzi-lo.

— Olá, terrestres, estou aqui para proclamar a paz entre os nossos povos; no acordo que redige deixei cinco pautas que são:

1. Todos os governos da Terra responderão ao chanceler, o mesmo deverá ser sempre informado e/ ou consultado caso haja interesse de mudança de leis.

2. Todos os costumes terrestres serão respeitados pelos Nardaks, mas o principal será aquele que decida o chanceler.

3. Os direitos seguirão sendo os mantidos pela Terra, mas poderão ser mudados caso seja o interesse do chanceler; caso aconteça, este tema será verificado diretamente ao conselho em Lefwetun.

4. O único terrestre que poderá viver em Lefwetun, será o embaixador designado pelos líderes terrestres.

5. Todos os programas espaciais não serão tolerados e caso aconteça de serem mantidos, os terrestres serão julgados diretamente pelo conselho.

Este é o tratado que agora os líderes mundiais deverão assinar — Logo, um a um começam a subir ao lado de Volkar e a assinar o tratado.

Ao final se dá um estrondo de aplausos na sala da ONU, com Volkar segurando e mostrando a todos o tratado com um sorriso maléfico.

" É... Me parece que a guerra acabou e a paz reinará, mas achei meio estranho este tratado", pensa Meyer saindo da sede da ONU.

— O que aconteceu? — Pergunta Asturia pelo rádio da agente.

— Estamos em paz, não será mais necessário o cerco as cidades da Califórnia nem nada.

— Isso me parece bom... — Dá uma forte tragada em seu baseado.

Terra colonizadaWhere stories live. Discover now