4. capítulo quatro

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Abri os olhos com a claridade do sol que batia sobre eles. A cortina estava totalmente aberta, e a enorme janela de vidro revelava uma cidade já movimentada, afinal, domingos de corridas sempre eram assim.

Tirei o braço do canadense que cercava meu corpo, e me sentei na cama. Cocei os olhos por alguns segundos e caminhei até o banheiro, fechando a porta atrás de mim. Escovei os dentes rapidamente com uma das escovas descartáveis que haviam em cima do granito e lavei o rosto com água fria.

Meu cabelo emaranhando não teria jeito sem a escova que eu havia trazido na mala. Então, usei o elástico do meu pulso para fazer um rabo alto, usando os dedos para tentar arrumar da melhor forma possível os fios rebeldes da raiz.

Assim que abri, com cuidado, a porta do banheiro para voltar ao quarto, fui surpreendida por um Lance sentado na beirada da cama. Seus cabelos estavam totalmente bagunçados, e sua blusa não pertencia mais ao seu corpo, revelando o peitoral definido que tive chance de conhecer dias atrás.

— Bom dia! — falei animada enquanto terminava de ajeitar os fiozinhos de cabelo que ainda insistiam em fugir do meu controle — dormiu bem?

— Sim — ele respondeu seco, e entrou no banheiro.

Talvez fosse só o mau humor matinal que mais da metade da população mundial tem ao acordar. Ajeitei com as mãos minha roupa, tentando tirar os amassados causados pelo sono, e calcei meus tênis enquanto esperava Lance.

Ele saiu do banheiro e caminhou em direção a sua enorme mala que estava jogada em cima da poltrona do quarto. Depois de algumas reviradas em suas peças, o piloto escolheu uma camisa polo cinza, e a vestiu, seguido por um jeans escuro.

Lance pegou sua bolsa, igual a de todos os pilotos do grid, e colocou o celular, chave do carro, e a carteira nos bolsos. Ele caminhou até a porta com o cartão da fechadura em mãos, e a abriu. Eu apenas o segui em silêncio.

Dessa mesma maneira também fomos até o autódromo. Lance estacionou sua Mercedes na vaga reservada, e assim que saímos dela, ele acionou o alarme.

— Entregue — ele disse enquanto respirava fundo, e saiu caminhando para o sentido oposto ao meu, para o box da Racing Point.

Depois de caminhar até o box da McLaren, minha cabeça já estava a ponto de explodir por criar várias teorias sobre o comportamento de Lance nessa manhã. Antes de abrir meu MacBook e me sentar em frente a ele para começar a acompanhar os preparativos para a corrida, fiz questão de ir até a cafeteria da escuderia e pedir um descafeinado.

Os cálculos a minha frente me matavam. Não conseguia pensar em nada. Minha cabeça estava dividida entre Lando e, agora, Lance. Passei minutos olhando em vão para o visor do computador, mas nenhuma resposta aparecia para as contas gigantescas.

Resolvi que aquilo poderia ser resolvido depois, talvez durante a semana quando fosse pra casa, já que não diziam respeito à corrida de hoje.

Carlos e Lando já estavam dentro de seus respectivos cockpit, faltando apenas a instalação do volante de cada um.

— Stella — Lya me chamou — por favor — ela me estendeu o volante que segurava em mãos, e eu olhei sua parte traseira assim que o peguei. Tinha os números de identificação de Lando. Só podia ser um pesadelo esse dia.

Inclinei meu corpo o suficiente para enxergar com clareza a peça de encaixe do volante ao carro. Tentei não fazer nenhum contato visual com o inglês, sabia que depois da nossa briga, e do encontro na saída de ontem, ele provavelmente nunca mais iria olhar em meus olhos.

— Stella? — seu sotaque britânico e abafado por conta da balaclava me chamou, fazendo-me assustar. Eu assenti enquanto prestava atenção no trabalho que realizava — podemos conversar depois da corrida?

Roller Coaster • Lance StrollHistórias para pegar e não largar. Descubra agora