18.Noite

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Tala

O vento frio passando pela minha pele foi a primeira coisa que senti antes de abrir meus olhos, pouco a pouco a sensação da terra molhada se fez presente, meus olhos correram pela imagem das estrelas e a lua que iluminava aquela paisagem, eu levantei do que parecia uma cova feita de terra, inúmeras árvores jaziam ao meu redor sem folhas estas pareciam mortas, tentei lembrar o que eu fazia ali ou quem eu era, apenas o vazio permeou minha mente.

Respirei o ar úmido e o forte cheiro de terra e folhas que permeava pelo local, a luz da lua iluminava a copa das árvores, como se eu estivesse andando durante o dia, nunca a visão foi tão clara.

"Você tem que vir..."

A voz de uma mulher chama, o desejo subito de seguir a voz me toma, um passo de cada vez eu me vejo caminhando em meio as arvores deixando para trás a cova onde me encontrava, a cada passo podia ouvir e ver pessoas conversando, risadas, gritos alguns de felicidade, outros de pânico, a névoa parecia tomar a forma de ecos que lembravam o passado.

"Ignore... Apenas me siga para o seu verdadeiro destino..."

A voz vinha de cima parecia estar em minha mente, mas não vinha, olhei firmemente para cima nos galhos mais altos das arvores onde um corvo jazia, quando pus meus olhos nele, ele grasnou e passou a voar mais próximo a mim.

"O mensageiro leva aqueles que sairam da terra para os braços da mãe, mesmo com ele não batendo mais, ainda vivos seguem, com o sangue dela em suas veias e como Deuses vivem."

*O que ele estava falando?*

Tentei falar, mas minha voz não saia coloquei a mão na garganta, não conseguia falar.

"Calma criança o silêncio na floresta é necessario, chegaremos onde você deve chegar e irá descubrir o que você deve saber."

Apenas segui a ave até uma clareira, nela havia pessoas com capas negras, apenas suas presenças eram sentidas, seus rostos ou corpos não podiam se identificar.

*O que está acontecendo aqui?*

O corvo sumiu me deixando sozinha com a cena que se desenrolava ali, aquelas figuras pareciam dançar ao redor de uma fogueira que emitia uma luz azul, os sons calmos de uma canção eram ouvidos, pouco a pouco uma luz forte começou a surgir das vestes deles, um de cada vez tirou os capuzes mostrando rostos de homens e mulheres eles cantavam em uma língua estranha e eram diferentes.

Me aproximei mais, eles pareciam não notar minha presença quando aproximei minha mão do ombro de um dos homens, um grito chamou minha atenção.

-Tala!?

Olhei na direção do grito uma criatura estranha me olhava, parecia um demônio... chifres se sobressaiam de sua cabeça garras longas e dentes afiados, ao seu lado surgiu um homem de cabelos brancos que se encontrava com o chapéu cobrindo seu rosto.

Aquele demônio tentou se aproximar, agarrei rapidamente um galho e avancei.

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Lyss

Acordei alerta, um som de passos perto do quarto me acordou, olhei para a luz debaixo da porta que era cortada por um par de pernas, alguém parecia parado lá, esperei que a porta fosse aberta, mas nada por uns minutos, até que a pessoa se movimentou para longe.

"Estranho, muito estranho"

Sentei na cama me sentindo dolorida e extremamente satisfeita, com um sorriso quase de orelha a orelha.

"Posso me acostumar com isso."

Pensei antes de meu humor morrer.

"Não se apegue, nunca sai algo bom disso"

A outra face do SlenderOnde histórias criam vida. Descubra agora