Acordo

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Bryan levou dois segundos para analisar a cena diante dele antes de virar a sua atenção de mim para o homem nojento. Seu rosto bonito estava retorcido com um ódio frio e cruel que me fez tremer, mesmo que não fosse dirigido a mim.

O outro homem, percebendo a desvantagem física óbvia, fez a única coisa possível: ele me pegou, me colocando diante do seu corpo como um escudo, um braço ao redor do meu pescoço e  outra mão segurando o revólver contra a minha têmpora.

Engoli em seco, encarando B.

Ele tinha parado e mordi o lábio inferior, desejando que ele pudesse ouvir os gritos de "vai embora" na minha cabeça. Por favor, implorei mentalmente para ele, só vai embora.

— Solta ela — o meu namorado mandou com a voz baixa borbulhando de ódio.

O meu pai riu e o cheiro podre quase me fez desmaiar. Ele estava fora de si, completamente transtornado.

— Para você me pegar? Acho que não. — Ele correu o cano da arma pela lateral do meu rosto e voltou para a têmpora. — Mas podemos negociar. Que tal cinquenta mil reais em troca da sua namoradinha? Depois disso eu desapareço.

Bryan fechou as mãos em punhos e eu soube que se eu não fosse o escudo daquele desgraçado, ele já estaria morto.

B o encarou.

— Não tem nenhuma luta tão perto — Bryan rosnou dando um passo na nossa direção. — E eu não tenho tanto dinheiro assim.

Engoli em seco quando o toque do metal, agora quente, ficou mais forte contra a minha pele e tive certeza que deixando uma marca.

— Isso — o mais velho disse e o senti erguendo os ombros atrás de mim, mas seu aperto não diminuiu — não é problema meu.

Os olhos de Bryan voltaram para o meu rosto e vi seu pomo-de-Adão subir e descer rapidamente ao contemplar as opções que tínhamos: pagar ou morrer.

B soltou o ar.

— Vamos negociar — pediu erguendo as mãos com os olhos verdes fixos no meu rosto.

O homem atrás de mim enrijeceu um pouco.

— O que você tem a oferecer?

Bryan ergueu as mãos com ose para mostrar que não estava armado.

— O meu carro — B respondeu simplesmente, sem mudar a expressão furiosa. —  É um Camaro, poucos anos de uso. Vale bem mais que cinquenta mil.

Ele não podia estar fazendo aquilo! Bryan amava o seu carro, ele não podia sacrificar algo que gostava tanto por mim. Não era certo, não era justo.

O erro era meu. O pai era meu.

— Bryan, não — gemi e recebi um chute atrás do joelho que quase me fez cair no chão. Só não caí porque estava bem segura pelo pescoço e por isso perdi completamente o ar.

— Mimi! — Bryan gritou, dando alguns passos na nossa direção, com a mão estendida para mim. O meu captor apontou a arma na direção do meu namorado, mas percebeu que Bryan tinha mais medo de me perder que tinha de levar um tiro e tornou a me colocar sob a mira.

Bryan abriu a boca e juro que ele fez as palavras "eu vou matar você" com os lábios, mas não emitiu som algum.

— Então vende ele — o outro respondeu ignorando B e sua ameaça. 

— Eu preciso de tempo — B explicou com ódio em cada sílaba. — Um carro daqueles não se vende do dia para a noite.

A mão na minha cabeça suavizou só um pouco, mas a pressã da arma não.

Rosas Azuis [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora