Amigos

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Na segunda, eu pulei da cama antes mesmo do sol nascer, ansiosa como estava para reencontrar Bryan — embora, claro, eu estivesse repetindo para mim mesma que meu único interesse em revê-lo era para devolver a chave do seu carro que tinha ficado comigo desde sábado, na balada. Quase consegui me convencer disso.

Organizei desnecessariamente a estante da sala, preparei café e fui para a porta do apartamento com o chaveiro prateado na mão depois de orar aos céus para que as coisas corressem bem entre nós. Eu tinha tentado fazer a mesma coisa no dia anterior, mas nem Bryan e nem Johnny tinham passado o dia em casa — Tati me disse que eles costumavam passar os domingos com a família de Bryan que morava na cidade.

Meu coração se apertou com a ideia de reencontrar Jonas, o pai dele. Embora não tivesse contato com o tatuador há anos, esperava do fundo do coração que ele pudesse me ajudar a entender o que aconteceu com o seu filho.

Perto das seis horas Bryan surgiu gloriosamente lindo, usando uma camisa regata preta e calça de moletom cinza. O cheiro dele — de desodorante e sabonete — espiralou no ar, na minha direção e respirei fundo, absorvendo-o.

Ele reconheceu a minha presença imediatamente e os olhos verdes foram engolidos pelas pupilas negras conforme deslizaram do topo do meu cabelo amarrado em um nó qualquer até os meus pés enfiados dentro de chinelos cor de rosa.

Bryan limpou a garganta e enfiou as mãos nos bolsos da calça. Meu olhar acompanhou o movimento que marcou mais que deveria na frente.

— Ei — cumprimentou cordialmente e soltei o ar aliviada. Tudo que eu não precisava era conversar com o Bryan agressivo do meu primeiro dia na cidade.

Sequei a palma da mão no short  antes de levantar e me apoiar na parede branca e absurdamente sem graça do prédio.

Meu mais antigo amigo apoiou as costas contra a estrutura de madeira da porta seu apartamento com os braços cruzados, me observando como um caçador diante a presa.

Sua expressão era completamente ilegível para mim e esse pensamento deixou um gosto amargo na minha boca.

— Oi — eu disse baixinho, afastando desnecessariamente uma mecha de cabelo do rosto. — Estava te esperando.

Confusão tomou conta dos olhos claros, mas ele logo se recompôs limpando a garganta.

— É mesmo? — questionou coçando a testa. Percebi como os nós dos dedos estavam esfolados e ele escondeu a mão atrás das costas, corando. — Por quê?

Mordi o lábio inferior e abri a mão para lhe mostrar o chaveiro prateado.

Seus dedos se fecharam ao redor da minha mão, enviando arrepios deliciosos pela minha coluna quando nossas peles se encontraram e eu tremi, me recordando da sensação dos seus braços muito quentes ao meu redor no sábado, a forma perfeita como nos encaixamos... Repremi um suspiro.

— Onde você achou isso? — perguntou devagar. Havia alguma coisa sob a sua voz composta que fez minha boca ficar seca e a língua formigar. Como um vulcão antes da erupção, sua calma escondia perigo.

Desviei o olhar para seus pés dentro de um par de tênis esportivos que pareciam caros para alguém que morava em um prédio estudantil, assim como o carro dele.

— Eu te trouxe para casa no sábado — respondi do mesmo jeito lento, com o coração batendo de uma forma dolorosa dentro do peito. — Você não se lembra?

As sobrancelhas dele se franziram e os olhos ficaram opacos como se tentasse puxar na memória.

Ele negou com a cabeça, os lábios rosados pressionados firmemente um contra o outro quando Bryan enganchou os dedos nos fios castanhos, puxando-os levemente.

Rosas Azuis [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora