Eu não vou parar de falar com ela

264 10 123
                                        

P.o.v Beatris
  Mal cheguei em casa e já ouvi meu pai perguntando:
- Onde você estava?
- Sai da escola e adormeci encostada a uma arvore.
- Mesmo assim você não iria se atrasar para o almoço.
- É que uma amiga me viu dormindo ali e me acordou, perdi a hora conversando com ela.
- Quem é essa garota?
- Ela se chama Bianca.
- Não me diga que é aquela garota que é dona de toda cidade?
- É ela sim mãe, por quê?
- Você não pode se aproximar dela.
-  E por que não posso fazer isso?
- Apenas não se aproxime dela.
- Por que eu devia obedece – lós? Se vocês não me dizem a razão de não poder me aproximar dela?
- Ela é dona de toda a cidade e eu e seu pai trabalhamos para eles, se coloque no seu lugar e não se aproxime dela me ouviu?
- Eu não vou parar de falar com ela só porque vocês querem.
  Subi as escadas pisando duro, deixando meus pais falando sozinhos, deitei em minha cama e a cena do beijo entre eu e a Bianca não saia de minha mente e no que significava, adormeci logo em seguida.
  Acordei no dia seguinte ansiosa para ir a escola, eu não queria admitir a mim mesma o quanto queria ver a Bianca, me arrumei e fui tomar o meu café com os meus pais, depois de pronta fui andando até a escola e pensando no que iria dizer a ela quando a visse, entrei na sala e para minha decepção e alivio a carteira dela estava vazia, a aula já havia começado e mesmo assim não tirava os olhos da porta na esperança de vê – lá, mas para a minha frustração a aula já estava para acabar e nada dela aparecer, voltei para casa desanimada, preparei meu cavalo para andar um pouco, andei por um bom tempo sem rumo ou talvez não tão sem rumo não é mesmo? Estava tão distraída que não percebi o caminho que eu estava fazendo, mas olhando ao redor vi a casa da garota que eu estava tentando evitar, parei na frente, porem voltei pelo mesmo caminho, que desculpa eu teria para vir até aqui, e nisso uma semana se passou, todos esses dias eu ia até lá, mas acabava voltando sem coragem de falar com ela, a escola estava sem animo nenhum sem a sua presença, assim que o alarme tocou a professora veio falar comigo:
- Boa tarde professora Ana.
- Boa tarde Beatris, você poderia me fazer um favor.
- Posso sim professora.
  Sai da sala com um sorriso no rosto, pois agora eu tinha uma desculpa para ir vê – lá, cheguei em casa, me troquei e avisei a minha mãe que iria sair e ela perguntou:
- A onde pensa que vai Beatris?
- A professora pediu para eu entregar os deveres para a Bianca, pois ela faltou por estar doente.
- Não demore.
- Está bem mãe.
  Peguei o material, montei no cavalo e fui até a casa dela, assim que cheguei lá e o amarrei a uma arvore para não perde – ló, assim que bati na porta da mansão meu coração disparou por saber que finalmente iria poder falar com a Bianca, o mordomo atendeu e falou:
- Pois não?
- Boa tarde, eu me chamo Beatris e sou uma amiga da Bianca e a professora pediu para eu entregar os deveres de casa para ela não ficar atrasada na matéria.
- Entre, já vou chama - lá.
  Fiquei esperando por meia hora e eu já estava ficando com as mãos suando e com o coração acelerado, assim que vi o mordomo respirei aliviada e ele falou:
- Pode subir ao quarto dela, ela está te esperando.
- E onde fica o quarto dela?
- Te levarei até lá.
- Muito obrigada.
  Subimos em silencio até que paramos na porta dela e eu dei uma batida e escutei ela pedindo para entrar, assim que entrei em seus aposentos e a vi deitada com a aparência pálida e eu perguntei:
- Como você está?
- Estou melhorando.
- Que bom.
- O que a trás aqui? Pensei que fugiria de mim depois do nosso beijo.
- A professora pediu para eu trazer os seus deveres de casa, pois você estava doente.
- Obrigada Beatris.
- Não há de que, vou indo que prometi a minha mãe que eu voltaria cedo.
- Por favor não vá embora.
- Não sei Bianca, minha mãe não vai gostar.
- Só um pouquinho vai.
- Está bem, mas não posso ficar muito tempo.
  Valeu a pena ter ficado só pelo sorriso que ela me deu e que tanto me encanta, me sentei na cadeira ao lado da cama e fiz carinho em seus cabelos, era tão bom estar perto dela, mas eu sabia que nunca poderíamos ter nada porque ela esta comprometida, vou ter que me contentar em ser amiga dela e nada mais, assim que percebi que a Bianca adormeceu, me levantei e dei uma ultima olhada nela antes de voltar para casa, mal cheguei na porta e eu escutei:
-  O que pensa que está fazendo Beatris?
- Vou embora.
- Fique até eu dormir? Deite se aqui do meu lado.
- Não sei se devo Bianca, o que os seus pais vão achar se me virem deitada na sua cama com você.
- Acharam que duas amigas estão deitadas.
- Está bem você venceu.
  Me deitei e ela se aconchegou a mim, fiquei fazendo carinho nela que adormeceu em meus braços, fiquei observando a Bianca dormir até cair no sono.
  Acordei com o barulho da porta e me levantei no susto, a Bianca acordou com o barulho insistente e foi ver quem era, assim que abriu e olhou quem era falou
- Oi Rafael.
- Assim que eu soube que você estava doente vim te ver Bia.
- Agora que já viu como estou, pode ir embora.
- Só irei depois de termos aquela conversa pendente.
- Não está vendo que estou doente, depois nós conversamos.
- Está bem, mas nem pense que fugira da conversa.
- Assim que eu melhorar conversaremos.
  Assim que o vi ir embora falei para ela:
- Melhor eu ir embora, já esta muito tarde e meus pai vão ficar preocupados.
- Por favor durma aqui em casa vai?
- Eu não sei Bianca, os meus pais me proibiram de ter qualquer contato com você
- Por que eles fizeram isso?
- Porque os meus pais trabalham para os seus, e eles me mandaram ficar no meu lugar e longe de você.
- E você vai obedece - lós?
- Eu estou aqui não estou?
- Está sim, então se está tudo resolvido você ira dormir aqui em casa.
- Está bem, só vou em casa avisar que dormirei aqui.
- Não precisa, mandarei alguém em sua casa para avisar que dormira aqui.
- Eles não vão gostar nada disso.
- Então eu irei junto.
- Mas você está doente.
- Não se preocupe.
- Vamos então?
- Deixa só eu me trocar e já vamos.
- Se agasalhe bem que você ainda não está muito bem.
- Está bem.
  Peguei meu cavalo e fomos galopando devagar até minha casa e assim que entrei ouvi minha mãe dizendo:
- Isso são horas de chegar Beatris?
  Antes deu responder ela olhou para trás e viu a Bianca, assim que a viu mudou completamente de atitude e falou:
- A que eu devo a honra de ter a sua presença em minha casa Bianca?
- Eu vim até aqui, para te dizer que a Beatris vai dormir lá em casa, tudo bem pra senhora?
- Tudo bem. Mas ela tem que voltar amanhã cedo.
- Ela não pode passar o fim de semana comigo?
- Claro que pode. – disse a contragosto.
  Subimos ao meu quarto, e enquanto pegava minhas coisas ela observava o ambiente, ficou hipnotizada com a estante de livros que eu tinha, até que a curiosidade bateu e ela perguntou:
- Esse não tem título por quê?
- Porque esse é o meu caderno de poemas.
- Posso ver?
- Te mostro outra hora.
- Está bem.
  Peguei minha mochila com as minhas coisas e descemos, antes de sair ouvi minha mãe dizendo:
- Pegou tudo minha filha?
- Peguei tudo sim.
- Até segunda.
- Até e eu te amo muito mãe.
- E eu te amo minha filha.
  Assim que voltamos aos aposentos dela respirei aliviada e ela perguntou:
- Está tudo bem?
- Não está nada bem.
- Por que diz isso?
- Não viu a cara que minha mãe fez quando você pediu para que eu dormisse aqui?
- Fica tranquila que não irá acontecer nada.
  Ouvimos batidas na porta, como estava mais perto fui abrir, fechei a cara na hora, não sei o porquê não gostava desse cara, ele ignorou a minha existência e falou para a Bia:
- Precisamos conversar.
- Vou passar o fim de semana com a Beatris, se quiser conversamos segunda.
- Isso não vai ficar assim, está me ouvindo?
- Estou, até porque não sou surda.
  Nem o deixei terminar de falar e bati a porta na cara dele, deu para ouvir ele esbravejando e por dentro não pude deixar de sorrir, acabei perguntando para ela:
- Por que está com esse cara se não gosta dele?
- Meus pais que aceitaram esse namoro e não eu.
- Então... Por que não termina de uma vez com ele?
- Os meus pais não vão gostar nada se eu terminar o noivado.
- Mas como vai ficar nos duas?
- Que tal esquecermos os problemas e nos divertirmos?
- O que você tem em mente?
- Amanha você saberá.
- Malvada.
- Mas você gosta.
- Gosto mesmo. – disse timidamente
- Agora vem cá para dormirmos, que teremos dois dias cheios.
  Ela se aconchegou a mim, fiz carinho nos cabelos dela e fiquei a observando dormir até o sono vir.
  Acordei com um beijo em meu rosto e com um aroma delicioso que estava no ambiente, quando a ouvi dizendo:
- Acorda dorminhoca.
  Assim que abri os olhos achei que estava no paraíso, nada melhor que acordar com alguém sorrindo para você e trazendo um belo café da manhã, sorri timidamente para ela, na bandeja tinha suco de laranja, salada de frutas, torradas e achocolatado, parecia até que leu meus pensamentos, me deliciei com a comida, depois de satisfeita perguntei:
- O que faremos agora?
- Fique deitada na cama enquanto eu te desenho.
- Devo me trocar?
- Assim está perfeita.
  A Bia passou a tarde toda me desenhando, mas sempre que eu tentava espiar não deixava, quando pude ver o desenho fiquei maravilhada com as habilidades dela e em como me detalhou tão bem e eu disse emocionada para ela:
- Fico feliz que gostou.
- Em troca te farei um poema.
  Passei um tempo olhando para ela e desenvolvendo o poema, assim que o terminei li em voz alta para ela:

O amor

O que é o amor?
É o encontro de dois corpos que se amam
É o encontro dos desejos entrelaçados
É amar sem se ver

É olhar pela janela e sonhar acordada
É olhar as estrelas e lembrar de alguém
É olhar o horizonte e voar longe
É ler uma mensagem e ficar com sorriso bobo

É ansiar pelo corpo dela
É sonhar com seus beijos
É ter seus pensamentos sempre nela
É ter seu corpo se arrepiar com a voz dela

É conversar com ela é não ver o tempo passar
É o tempo não passar quando não falo com ela
É saber como surpreende lá sempre
É amar ama lá

                                                                                              (Amanda Pimentel)

  A olhei e ela sorriu para mim, e me abraçou, senti o perfume dela que é tão delicado que me deixou inebriada, sentir seu corpo colado ao meu era como estar no paraíso, nossas bocas próximas, uma sentindo a respiração da outra, meu coração ficou em disparada, nossos corpos se encaixavam e nossas bocas estavam em sincronia, foi um beijo calmo, ambas explorando seus corpos enquanto se beijavam, se tornando mais exigente, uma pedindo passagem para outra, e ambas se entregando ao amor, sem se preocupar com mais ninguém, quanto mais intenso o beijo ficava, mais uma peça de roupa  era tirada, elas ficaram só de calçolas quando bateram na porta, nos trocamos a pressa e tentamos nos recompor antes de abrirmos a porta.

O amor de BiancaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora