Cinco meses depois da grande e desastrosa estreia de Kalmia-sensei, as coisas na casa dela estavam cada vez mais loucas e corridas. Tudo acontecia ao mesmo tempo, e ela chegava quase todo dia tagarela e animada, a não ser que tenha já ido mal à escola, então todo o dia dela é péssimo e ela só quer voltar pra casa e reclamar que o dia foi péssimo.
As consultas com Fith se restringiram a duas vezes por mês, uma a cada duas semanas, já as sessões com Sakura, porém, se mantiveram em todas sextas.
Kakeru havia, há alguns dias, começado a comer sozinho, mais sujando tudo ao seu redor do que de fato se alimentando. Agora ele também engatinha, puxando tudo para baixo, adorando a fúria que fica sua mãe enquanto ele passa como um pequeno Furacão da Folha.
Era sábado, e Kakashi havia chegado há pouco em casa. Demorou mais de duas semanas, mas assim que saiu do escritório do Nanadaime, começou a arrumar o jardim para Kalmia, conforme lhe havia prometido.
Kalmia e ele dormiram muito mal na noite passada. O menino teve febre, e uma angustiante dificuldade para respirar, muito provavelmente por causa da mudança de estações. Passaram a noite em claro, e voltando agora, ele se pergunta o porquê ela não continuou dormindo.
─ Bom dia ─ Kalmia sorri, correndo de um lado para o outro na cozinha, agarrando Kakeru de um lado do seu colo já que o pacote se pendurava em sua saia, puxando-a afim de se equilibrar nas pernas da mãe.
─ Bom dia. O que tá fazendo? ─ pergunta, sem se aproximar muito.
─ Muitas coisas ─ fala sobre o almoço. Kakashi ri. ─ Por que não me avisou sobre o jardim? Eu queria ajudá-lo, vim direto pra cozinha e só fui ver que você tava mexendo na terra agora... ─ vai falando empolgada, apontando o banheiro pra ele passar bem longe da cozinha naquele estado.
Kakashi tira a camisa e a passa pela testa livre da bandana.
─ Eu queria te deixar dormindo, meu bem ─ fala alto, já ligando a ducha gelada.
─ Fecha a porta que ele está indo pr'aí ─ a voz dela ecoa aguda, Kalmia apenas se certifica que Kakeru seguia engatinhando atrás do pai ao invés de ir à porta da rua aberta.
Kakashi já estava debaixo d'água quando ela gritou, Kalmia desligava as bocas do fogão aguardando que o menino encontrasse a porta fechada e voltasse, mas ele se demora enquanto ela põe a mesa, deixando tudo pronto a tempo de ouvir Kakashi fechar o registro do chuveiro e Kakeru berrar, jogando-se sentadinho no chão, com dor e drama depois que o vento fechou a porta esmagando seus dedinhos.
─ Oi, oi, amor, não foi nada ─ mesmo mais longe, Kalmia é a primeira a chegar, pegando-o do chão rapidamente, ela acode o menino que berra desesperadamente, como se o mundo fosse acabar.
─ Machucou muito?
─ Own amor, olha sua mama, neném ─ tenta distraí-lo, pondo os dedinhos vermelhinhos debaixo da água gelada, Kalmia os massageia, fazendo uma careta pra Kakashi que lhe dizia não ser nada demais.
─ Deu, deu, já passou, amorzinho... ─ o mima enquanto o chorinho se acalma. ─ É a mama, viu?! ─ ri pra ele, quando os olhinhos chorosos finalmente se abrem mais calmos. ─ Mama, mama, mama... ─ desliza cantarolando pela cozinha com Kakeru no colo, em mais um minuto, o susto passou e ele ri, sentindo cócegas debaixo dos bracinhos.
Kalmia o põe na cadeirinha alta na ponta da mesa, servindo-o e deixando esfriar o mundo de legumes amassados que ela lhe deixa comer sozinho.
Kakashi e Kalmia almoçam num mínimo silêncio. Seria estranho se eles não soubessem que estão ambos cansados, só queriam aproveitar a tarde para descansar.
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GRITE Shippuden - Hatake Kakashi
FanfictionParte II de "Grite - Hatake Kakashi". Kakashi encontrou na bailarina algo que ele nunca pensou ser possível sentir. Kalmia lhe deu mais do que uma família, muito mais do que sua própria versão do Jardim dos Amassos. Ela lhe deu um propósito, uma con...
