05 × primeira palavra dramática

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Cinco meses depois da grande e desastrosa estreia de Kalmia-sensei, as coisas na casa dela estavam cada vez mais loucas e corridas. Tudo acontecia ao mesmo tempo, e ela chegava quase todo dia tagarela e animada, a não ser que tenha já ido mal à escola, então todo o dia dela é péssimo e ela só quer voltar pra casa e reclamar que o dia foi péssimo.

As consultas com Fith se restringiram a duas vezes por mês, uma a cada duas semanas, já as sessões com Sakura, porém, se mantiveram em todas sextas.

Kakeru havia, há alguns dias, começado a comer sozinho, mais sujando tudo ao seu redor do que de fato se alimentando. Agora ele também engatinha, puxando tudo para baixo, adorando a fúria que fica sua mãe enquanto ele passa como um pequeno Furacão da Folha.

Era sábado, e Kakashi havia chegado há pouco em casa. Demorou mais de duas semanas, mas assim que saiu do escritório do Nanadaime, começou a arrumar o jardim para Kalmia, conforme lhe havia prometido.

Kalmia e ele dormiram muito mal na noite passada. O menino teve febre, e uma angustiante dificuldade para respirar, muito provavelmente por causa da mudança de estações. Passaram a noite em claro, e voltando agora, ele se pergunta o porquê ela não continuou dormindo.

─ Bom dia ─ Kalmia sorri, correndo de um lado para o outro na cozinha, agarrando Kakeru de um lado do seu colo já que o pacote se pendurava em sua saia, puxando-a afim de se equilibrar nas pernas da mãe.

─ Bom dia. O que tá fazendo? ─ pergunta, sem se aproximar muito.

─ Muitas coisas ─ fala sobre o almoço. Kakashi ri. ─ Por que não me avisou sobre o jardim? Eu queria ajudá-lo, vim direto pra cozinha e só fui ver que você tava mexendo na terra agora... ─ vai falando empolgada, apontando o banheiro pra ele passar bem longe da cozinha naquele estado.

Kakashi tira a camisa e a passa pela testa livre da bandana.

─ Eu queria te deixar dormindo, meu bem ─ fala alto, já ligando a ducha gelada.

─ Fecha a porta que ele está indo pr'aí ─ a voz dela ecoa aguda, Kalmia apenas se certifica que Kakeru seguia engatinhando atrás do pai ao invés de ir à porta da rua aberta.

Kakashi já estava debaixo d'água quando ela gritou, Kalmia desligava as bocas do fogão aguardando que o menino encontrasse a porta fechada e voltasse, mas ele se demora enquanto ela põe a mesa, deixando tudo pronto a tempo de ouvir Kakashi fechar o registro do chuveiro e Kakeru berrar, jogando-se sentadinho no chão, com dor e drama depois que o vento fechou a porta esmagando seus dedinhos.

─ Oi, oi, amor, não foi nada ─ mesmo mais longe, Kalmia é a primeira a chegar, pegando-o do chão rapidamente, ela acode o menino que berra desesperadamente, como se o mundo fosse acabar.

─ Machucou muito?

─ Own amor, olha sua mama, neném ─ tenta distraí-lo, pondo os dedinhos vermelhinhos debaixo da água gelada, Kalmia os massageia, fazendo uma careta pra Kakashi que lhe dizia não ser nada demais.

─ Deu, deu, já passou, amorzinho... ─ o mima enquanto o chorinho se acalma. ─ É a mama, viu?! ─ ri pra ele, quando os olhinhos chorosos finalmente se abrem mais calmos. ─ Mama, mama, mama... ─ desliza cantarolando pela cozinha com Kakeru no colo, em mais um minuto, o susto passou e ele ri, sentindo cócegas debaixo dos bracinhos.

Kalmia o põe na cadeirinha alta na ponta da mesa, servindo-o e deixando esfriar o mundo de legumes amassados que ela lhe deixa comer sozinho.

Kakashi e Kalmia almoçam num mínimo silêncio. Seria estranho se eles não soubessem que estão ambos cansados, só queriam aproveitar a tarde para descansar.

GRITE Shippuden - Hatake KakashiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora