Noutro dia desses, no pôr do Sol de uma sexta-feira de temperatura amena, se Kaizuka visse o pai caminhar por aqueles lados de Konoha sob aquela luz laranja, reafirmaria em sua mente que o acha impecável. O mais impecável de todo o País do Fogo.
No entanto, Kakashi se aproxima e aos olhos dos filhos, naquele momento, ele era um monstro.
O clima e as reações o deixa perceber que não fazia mais de cinco minutos que as coisas haviam sido reveladas e por não saber quais informações ou como eles as tinham, consolá-los não era o melhor a se fazer.
Então o Sexto aproveita que naquele momento, aos olhos do filho ele já era mesmo um monstro e não seu pai, para usar apenas de autoridade com Kakeru e dizer: ─ Eu o quero em casa em uma hora!
E dirigindo-se à Kaikuza impõe: ─ Você vem comigo! ─ ele dá as costas, ainda com as mãos nos bolsos e se dirige para o Salão do Governo onde já estava acontecendo a nomeação de Konohamaru Sarutobi, o Oitavo Hokage.
Sua filha o segue em todo seu caminho em total silêncio.
Quem os viu chegar, um pouco atrasados, percebia de longe e comentava com afeto o que se dava pra ver: o Sexto havia dado uma bronca na filha, por isso estava tão sério e ela com aquela carinha de choro.
A menina olha para os próprios pés quando se percebe, involuntariamente, observar o pai vestir seu manto e chapéu de hokage, tomando seu posto ao lado de Tsunade e Naruto, segundos antes do Nanadaime começar o seu discurso.
Kaizuka havia esperado o semestre para assistir aquela cerimônia. Queria conhecer, e ouvir o discurso do Sétimo, comparar com o que sabe de cor e salteado ─ que é o discurso do seu pai para o Uzumaki, queria principalmente cuidar a reação da Sarada, como ela será a próxima Hokage. No entanto, estava mais do que imersa nas palavras do seu irmão.
Sentia seu estômago doer. Por impulso, ergueu os olhos para onde seu pai estava e não encontrou nada em seu rosto. Ele tinha uma faceta parcial, os olhos cinzentos de sempre, nenhum resquício de dor, preocupação ou amor.
─ Deus! ─ os olhos de Kaizuka marejam com o seu próximo pensamento: ─ Ele vai nos colocar na adoção.
A cerimônia não dura 40 minutos. E depois disso Kaizuka é obrigada a seguir o pai pelo mercado com aquela mesma cara de morte.
Lógico que Kakashi estava preocupado. Lembra claramente de ter sentado na mesa da cozinha com Kalmia, e ali prometer para a esposa que independentemente do que acontecesse, e como eles descobrissem, ele consertaria a situação.
Bom, no exato momento, ele não pode consertar. E mesmo que pudesse, Kakashi se sente de mãos atadas, não saberia o que fazer. E ele odeia não saber o que fazer.
Quando chegam em casa, Kaizuka tenta ir direto para o seu quarto, mas é interceptada pela voz do pai que disse: ─ Aqui! Espera na mesa!
A garota morde o lábio inferior, girando seus calcanhares para se direcionar à cozinha. Kaizuka senta em uma das cadeiras em volta da mesa e ergue os olhos quando a porta principal se abre. Seu irmão entra em casa, Kakeru não fala "estou em casa", por isso Kaizuka não pode lhe dizer "seja bem-vindo".
De costas para a porta, Kakashi inclina minimamente o rosto para vê-lo entrar. Vê o mais velho fechar a porta e caminhar direto para o banheiro, alguns instantes depois, estava sentado ao lado de Kaizuka ao redor da mesa. Assim que ele se ajeita ali, Kakashi pega os pratos e os põe na mesa.
─ Comam!
As crianças obedecem, mesmo que ele imagine que, principalmente pela feição de Kakeru, nenhuma comida teria gosto na língua deles agora.
Por agora Kakashi se resguarda em apenas fazer o que tinha que fazer: alimentá-los e apurar a viagem rápida para onde Kalmia iria se apresentar. Consigo mesmo, pensa que talvez fosse uma possibilidade de simplesmente não se explicar, afinal de contas, os pais fazem o que fazem para o bem dos filhos, e isso é inquestionável. É exatamente porque os ama mais do que tudo que foi firme consigo mesmo, e não cedeu na sua decisão de tratá-los como seres humanos depois. No momento, ele só conseguia cumprir com sua obrigação. Estava errado? Kakashi pensa que absolutamente sim, mas isso ele ajeitaria com Kalmia depois.
Todo o trajeto dentro daquele vagão de trem foi no mínimo angustiante. Tudo o que Kaizuka via através da janela, sua vontade era de comentar e tirar dúvidas com seu pai, mas bastava puxar o ar para os seus pulmões, totalmente animada, para voltar a fluir todo aquele amargor entre eles.
Kakashi vê nitidamente o instante em que seus ombros caem e ela praticamente desliza no banco sem coragem para fixar seus olhos nos olhos do pai, também não tem ânimo para pedir um pouco da atenção do irmão.
O Sexto Hokage os desembarca praticamente às portas da grande casa de teatro e dança do país vizinho e dez minutos era tudo o que eles tinham para fazer check-in, procurar seus lugares e se acomodar.
Kakeru e Kaizuka já estavam acostumados com teatros e as apresentações da sua mãe. Já sabiam que não era um lugar divertido e muito adaptado às crianças, na maioria do tempo se tinha que ficar em silêncio e o barulho era normalmente apenas palmas e sons de sorrisos ou lágrimas. Ele gostava mais do que Kaizuka, mas em geral, não se incomodavam em assistir.
Na verdade, ele gostava do silêncio e hoje era totalmente oportuno, simplesmente não falar com seu pai.
Só não pensou que seu estômago iria doer tanto ao ver Kalmia no palco.
Era uma sensação que ele não saberia explicar, fez sua barriga doer e lhe causou falta de ar. Se sentia tão detestável que os olhos se encheram e tudo piorou quando mordeu o lábio para aplacar suas lágrimas e foi puxado pelo ombro. Seu pai o pressionou ao lado direito da própria costela, apertando-o tanto que ele não tinha outra escolha senão chorar.
Kaizuka, que estava com o queixo empinado, tentando manter os olhos fixos no palco, sente um quentura dolorida em seu estômago também. Pareciam muito doentes, com uma saúde física fragilizada que piora quando o pai a puxa também.
Kakashi não precisa olhá-los para saber que estavam sofrendo. Mas eles eram seus e sendo o sofrimento inevitável, pensou que o mínimo, no momento, era deixá-los sentir muito, mas debaixo do seu braço.
Como ele contaria aquilo para Kalmia e como ela encararia os filhos ali, tão longe de casa, o fez pensar que trazê-los talvez não tivesse sido a sua melhor ideia, mas também pensa que deixar ─ principalmente Kakeru ─ no estado que estavam, seria uma brecha para mais perdas.
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GRITE Shippuden - Hatake Kakashi
FanfictionParte II de "Grite - Hatake Kakashi". Kakashi encontrou na bailarina algo que ele nunca pensou ser possível sentir. Kalmia lhe deu mais do que uma família, muito mais do que sua própria versão do Jardim dos Amassos. Ela lhe deu um propósito, uma con...
