Kakashi senta na beira da cama e inclina-se para trás, exausto de esperar por ela. Ele suspira, tirando os olhos do teto e os descendo pelas costas de Kalmia que, de banho tomado, amarrava as cordinhas do vestido curto e decotado em frente ao espelho. Kakashi suspira. E ignorando-o, ela prende a frente de seu cabelo já escovado, pintando os lábios até deixá-los levianamente avermelhados.
Os olhos cinzentos estacionam em seu quadril, descendo pelas coxas grossas que se seguiriam de panturrilhas definidas, dando continuidade aos pés um tanto machucados pelos ensaios. Kakashi não queria apressá-la, mas em vinte minutos, faria já duas horas.
Por isso ele levanta, parando atrás dela, pousando a mão enluvada na lateral de seu quadril, puxando-a um pouco para se recostar nele. A mão se ergue pela barriga, pressionado abaixo dos seios enquanto os lábios livres da máscara beijam sua nuca, arrepiando-a.
─ Pare de... me atrapalhar ─ ela xinga, e as ditas palavras no fundo, o machucam um pouco. Um tanto chocado com a frieza de sua esposa, Kakashi se afasta, sentando-se novamente.
Kalmia percebe que ele talvez tenha ficado um pouco triste, então logo puxa assunto com o marido perguntando: ─ Você não vai visitar seu afilhado? Já tem quatro dias que ele está em Konoha! E o Gai? Ele deve estar bravo com você...
Kakashi suspira, refletindo.
─ Gai sempre está bravo comigo ─ fala, amarrando sua bandana por cima dos cabelos. ─ Mas desta vez, a culpa é toda sua ─ defende-se Kakashi, simultaneamente ao "Kami-sama" que sua mente sussurra quando ela se senta, cruzando as pernas no mini vestido para atar os pés machucados.
─ Minha? ─ Kalmia logo usa seu tom casual de briga. ─ Foi você quem desapareceu na hora do jantar. Inclusive deixou a Kaizu e eu esperando na casa dele ─ rola os olhos.
─ Não vamos falar sobre isso agora ─ se ergue outra vez, beijando-a rapidamente enquanto ajeita o suspensório para armas em sua coxa.
Kalmia semicerra os olhos, caminhando atrás do marido para a sala de casa.
─ Falando nisso ─ ignora-o. ─ Onde você foi aquela noite? ─ questiona, desconfiada e Kakashi pede novamente:
─ Outra hora... ─ segurando sua mão para saírem, não se importa muito com a careta emburrada da esposa, já que em poucos minutos, ela esqueceria aquilo.
Em torno de seis ou sete minutos depois, eles chegam a um restaurante bem iluminado, tantos recados positivos dentro de lanternas que deveriam ser flutuantes, a decoração toda tradicional, parecia mais chinesa. Kalmia ainda não conhecia o lugar, é Kakashi nunca havia falado dele, por isso Kal pergunta:
─ Alguma razão especial pra você me trazer aqui? ─ sorri de lado, percebendo-se mais do que acostumada com toda a atenção um tanto barulhenta que recai sobre o local quando o Rokudaime para em suas portas.
Kakashi assiste ela ser paparicada pelas trabalhadores da Vila e sorri, balançando a cabeça levianamente antes de escolher seus lugares. Ele puxa a cadeira para Kalmia e só então responde, dando de ombros, como quem não quer nada:
─ É apenas um lugar especial... ─ sussurra, fazendo-a sorrir. ─ Pra minha esposa especial... ─ então ela sorri ainda mais, totalmente convencida.
Kalmia se sentou reclamando do lugar isolado que ele escolheu, ainda mais quando seu marido sentou-se de frente para ela e não ao seu lado, apenas para esconder o rosto enquanto aproveitam, ela imagina. Kakashi ignorou todas as suas reclamações, apenas a deixava falar, alternando entre reclamar, comer, rir, beber, assuntos aleatórios e completamente sem importância.
Kalmia o faz lembrar de todas as noites mal dormidas enquanto ela estava doente, e sem que a mulher veja, Kakashi olha as cicatrizes de seus pulsos, rindo com a brincadeira que ela faz ao beber.
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GRITE Shippuden - Hatake Kakashi
FanfictionParte II de "Grite - Hatake Kakashi". Kakashi encontrou na bailarina algo que ele nunca pensou ser possível sentir. Kalmia lhe deu mais do que uma família, muito mais do que sua própria versão do Jardim dos Amassos. Ela lhe deu um propósito, uma con...
