O suor aglomerado se fundia às lágrimas de Kalmia, que escorriam por seu rosto e pescoço visibilizando sua dor, tanto física quanto emocional. As contrações desesperadas, as pernas inundadas com a água da bolsa estourada.
─ Fique calma, por favor, Kalmia ─ nem um pouco calmo, Kakashi pede assim que os médicos separam seus dedos que se agarravam com tanta força aos dela. Ele só queria deixá-la menos medrosa, porque toda a dor, e a pressão, o pavor de ter visto toda aquela perda de sangue...
A fez seguir para sala de cesária emergencial em pânico, tudo o que Kalmia gemia era: ─ Por favor, por favor, Ino... ─ agarrava a médica, sem sequer perceber a presença do mesmo obstetra que fizera o parto de Kakeru.
─ Eu preciso voltar com as duas para casa, por favor... ─ chora, e é a última coisa que Kakashi ouve, odiando mais do que tudo a distância imposta entre ele e a esposa quando ela entra em trabalho de parto.
Antes da anestesia fazer efeito, e toda a equipe médica vir com urgência, tentar tirar primeiro a menor delas, Kalmia sopra:
─ As duas... Salve as duas...
Os olhos se paralisam tão de pressa quanto Kakashi se alarma. Desta vez Sakura não viria acalmá-lo, a barriga tão robusta quanto a de Kalmia havia lhe afastado por alguns dias do hospital, havia feito Ino de responsável temporária sobre o instituto.
Do lado de fora da sala de cirurgia, Kakashi se sente muito pior do que há um ano e nove meses atrás. Naquele dia ele só estava surpreso, chocado. Agora ele está medroso, muito, muito medroso.
Ao contrário do que Kalmia viu na televisão, e de tudo que leu durante a gestação, nos estudos profundos e cuidadosos que Kakashi e ela fizeram, estar sedada não era como ela esperava que fosse.
De olhos bem abertos, assistindo todos os tecidos de sua epidérme, couro, carne e bolsa seram rasgados com o bisturi, ela não sente dor. O coração, porém, está desesperado em medo, ansiedade, felicidade.
Ela não havia visto nada sobre a introdução de uma sonda, mas naquele momento, Kalmia sequer conseguiu reparar que usaria aquilo no pós-parto, estava focada demais em ver e ouvir suas meninas, mesmo com todo o pavor da complicação de Katrina.
Ao contrário do parto de Kakeru, nenhuma dor foi sentida. Mas Kalmia achava que estava infartando, de tão forte e veloz que seu coração batia.
Ela não poderia saber, mas havia um coração levemente mais acelerado que o dela.
E o coração dele simplesmente pára quando ouve o choro forte e estridente, idêntico ao de Kakeru, com tanta vida que o arrepia, Kakashi não quer esperar para olhá-la, e mesmo que fosse proibida sua entrada, e mesmo que aquilo lhe causasse uma advertência da parte do hospital, o Sexto Hokage prende a respiração e invade a sala.
A cabeça de Kalmia pende como que em câmera lenta em sua direção. Estava sedada demais para falar, tudo o que fazia era chorar, sendo como manda a tradição, a primeira a ver a criança.
Ela, porém, olhando do rostinho rosado e pequeno da garotinha para seu marido, o vê ser o primeiro a pegar a garota enquanto os movimentos de seus braços não se estabilizam.
Kakashi não percebe as próprias lágrimas e mesmo se percebesse, não se importaria.
Ele se aproxima de Kalmia que não sorria, só chorava, chorava, chorava. Nem a garota de cabelos prateados chorava tanto quanto ela e só quando Ino o tocou, pedindo que por favor, ele deixasse o campo de visão de Kalmia, as expressões doloridas e atônitas o chamam para ver o que havia acontecido.
Os médicos decidiram - num voto unânime -, dobrar a dose do sedativo da mãe, obrigando-a assim, a dormir para prevenir qualquer surto ou dor inalcançável, pelo menos naquele momento tão crucial.
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GRITE Shippuden - Hatake Kakashi
FanfictionParte II de "Grite - Hatake Kakashi". Kakashi encontrou na bailarina algo que ele nunca pensou ser possível sentir. Kalmia lhe deu mais do que uma família, muito mais do que sua própria versão do Jardim dos Amassos. Ela lhe deu um propósito, uma con...
