11 × as dores e delícias de uma nova integrante

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O suor aglomerado se fundia às lágrimas de Kalmia, que escorriam por seu rosto e pescoço visibilizando sua dor, tanto física quanto emocional. As contrações desesperadas, as pernas inundadas com a água da bolsa estourada.

─ Fique calma, por favor, Kalmia ─ nem um pouco calmo, Kakashi pede assim que os médicos separam seus dedos que se agarravam com tanta força aos dela. Ele só queria deixá-la menos medrosa, porque toda a dor, e a pressão, o pavor de ter visto toda aquela perda de sangue...

A fez seguir para sala de cesária emergencial em pânico, tudo o que Kalmia gemia era: ─ Por favor, por favor, Ino... ─ agarrava a médica, sem sequer perceber a presença do mesmo obstetra que fizera o parto de Kakeru.

─ Eu preciso voltar com as duas para casa, por favor... ─ chora, e é a última coisa que Kakashi ouve, odiando mais do que tudo a distância imposta entre ele e a esposa quando ela entra em trabalho de parto.

Antes da anestesia fazer efeito, e toda a equipe médica vir com urgência, tentar tirar primeiro a menor delas, Kalmia sopra:

─ As duas... Salve as duas...

Os olhos se paralisam tão de pressa quanto Kakashi se alarma. Desta vez Sakura não viria acalmá-lo, a barriga tão robusta quanto a de Kalmia havia lhe afastado por alguns dias do hospital, havia feito Ino de responsável temporária sobre o instituto.

Do lado de fora da sala de cirurgia, Kakashi se sente muito pior do que há um ano e nove meses atrás. Naquele dia ele só estava surpreso, chocado. Agora ele está medroso, muito, muito medroso.

Ao contrário do que Kalmia viu na televisão, e de tudo que leu durante a gestação, nos estudos profundos e cuidadosos que Kakashi e ela fizeram, estar sedada não era como ela esperava que fosse.

De olhos bem abertos, assistindo todos os tecidos de sua epidérme, couro, carne e bolsa seram rasgados com o bisturi, ela não sente dor. O coração, porém, está desesperado em medo, ansiedade, felicidade.

Ela não havia visto nada sobre a introdução de uma sonda, mas naquele momento, Kalmia sequer conseguiu reparar que usaria aquilo no pós-parto, estava focada demais em ver e ouvir suas meninas, mesmo com todo o pavor da complicação de Katrina.

Ao contrário do parto de Kakeru, nenhuma dor foi sentida. Mas Kalmia achava que estava infartando, de tão forte e veloz que seu coração batia.

Ela não poderia saber, mas havia um coração levemente mais acelerado que o dela.

E o coração dele simplesmente pára quando ouve o choro forte e estridente, idêntico ao de Kakeru, com tanta vida que o arrepia, Kakashi não quer esperar para olhá-la, e mesmo que fosse proibida sua entrada, e mesmo que aquilo lhe causasse uma advertência da parte do hospital, o Sexto Hokage prende a respiração e invade a sala.

A cabeça de Kalmia pende como que em câmera lenta em sua direção. Estava sedada demais para falar, tudo o que fazia era chorar, sendo como manda a tradição, a primeira a ver a criança.

Ela, porém, olhando do rostinho rosado e pequeno da garotinha para seu marido, o vê ser o primeiro a pegar a garota enquanto os movimentos de seus braços não se estabilizam.

Kakashi não percebe as próprias lágrimas e mesmo se percebesse, não se importaria.

Ele se aproxima de Kalmia que não sorria, só chorava, chorava, chorava. Nem a garota de cabelos prateados chorava tanto quanto ela e só quando Ino o tocou, pedindo que por favor, ele deixasse o campo de visão de Kalmia, as expressões doloridas e atônitas o chamam para ver o que havia acontecido.

Os médicos decidiram - num voto unânime -, dobrar a dose do sedativo da mãe, obrigando-a assim, a dormir para prevenir qualquer surto ou dor inalcançável, pelo menos naquele momento tão crucial.

GRITE Shippuden - Hatake KakashiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora