Naquela tarde de agosto, Anne estava desenhando na escrivaninha, Freddie estava afinando o seu baixo e Helena tinha um ensaio fotográfico com um dos clientes, por isso estava fora. O som grave do baixo sendo afinado entrou nos ouvidos de Anne e saíram em forma de linhas grossas e sonoram em suas mãos, transmitidas ao papel.
Freddie entrou no quarto das meninas. Estava arrumado com uma calça jeans com correntes e rasgos, um tenis plataforma branco e uma camiseta do Queen branca. O seu longo cabelo estava impecável, e usa uma maquiagem que lembrava os rockstars dos anos 70:
- Anne? - O loirinho pergunta.
- Fala, cara.
- Você quer ganhar dinheiro?
- Como assim? - Anne começou a imaginar o que seria, e se não fosse pela forma séria que Freddie falou ela acharia que era uma das piadas que Laufey fazia.
- Eu disse que conhecia uma boa designer para o Orcas... - o garoto dá umas batidinhas no ombro de Anne - E eu achei que essa garota gostaria de trabalhar com a capa do nosso primeiro álbum.
Anne estava em êxtase, mas ao mesmo tempo confusa. Ela pensou um pouquinho e decidiu ir, afinal, quem recusa oportunidade de ganhar dinheiro? Se arrumou, pegou sua pasta de desenhos e saiu junto com Freddie para algum lugar que a garota não sabia onde, mas o menino conhecia muito bem.
E lá estava um grupo de 5 adolescentes conversando, sentados em uma mureta que servia de um grande vaso de plantas. Estavam arrumados para quem dava um passeio na praça, com jeans, camisetas de banda (Led Zeppelin, Black Sabbat, Rolling Stones, Red Hot Chili Peppers e Nirvana), e tênis, todos All Star. Anne e Freddie estavam chegando para se juntar ao grupo, na qual a garota sabia se tratar dos membros dos Orcas. Chegando aos garotos, Anne se sentiu feliz sem explicação, algo naquele grupo tinha uma áurea boa que só de chegar perto era contagiosa. Anne não sabia explicar, e certamente nenhum ali presente soubera, mas apenas vivia como se fosse parte.
Freddie cumprimenta a todos, deixando Anne de lado por um momemto, mas logo todos se viram a menina, que apesar do nervosismo estava carregada daquela áurea positiva daquele grupo:
- Anne, né? - pergunta um menino um pouco mais baixo que ela, tinha a pele bem escura e cabelos crespos e volumoso, um nariz largo e lábios carnudos, e com certeza bem hidratados. Mas o que mais chamou atenção em Anne, e com certeza em qualquer um foram os olhos avelã tão grandes e brilhantes que chegavam a hipnotizar como se fossem duas grandes joias. - seja bem vinda, amiga. Posso te chamar assim?
- Pode... - respondeu Anne, corando como sempre fazia ao falar com pessoas novas.
- Então tá, Amiga. - o menino sorri com uma feição doce - Meu nome é Matias, sou o melhor guitarrista daqui.
- Eu como segundo guitarrista tenho que concordar. - uma voz grossa entra na conversa, era de um menino alto, bronzeado com ombros largos, olhos e cabelos castanhos que chegavam no ombro, parecia bem mais velho que ela, Freddie ou Matias - Prazer Anne, meu nome e Pedro, e sou o guitarrista de base, ou melhor, toco violão de 12 cordas na maioria das vezes. Não se assuste, tenho 17 anos mas sou legal.
- Realmente é legal. - disse uma voz feminina. Era de uma garota branca, com cabelos negros ondulados e olhos cinza-turquesa. Tinha lábios finos e usava uma leve maquiagem, igualmente delicada como seu rosto que a fazia parecer uma bonequinha. - Sou Alice, mas pode me chamar de Akis.
- Melhor assim, Alice é o nome da minha irmã - Anne tinha gostado dela - Mas por que Akis?
- Significa "olho" em lituânio - a menina respondeu - E não tem nenhum significado especial, só gostei da palavra mesmo, e lembra "kiss". - Akis estendeu a mão em cumprimento, e Anne conseguiu ver que a menina tinha seis dedos.
- Uau... - Susurra Anne - É bom tocar assim?
- Você nem imagina como o piano ama esses meus sextos dedos, tenho eles nas duas mãos. - Akis mostra os dedos para Anne, que fica encantada com aquilo.
- Essa é a designer super boa que você nos falou? - pergunta uma garota branca com olhos tão negros quanto os cabelos cacheados, com muitos brincos em sua orelha esquerda. - Prazer, Júlia. - Se apresenta com um estilo rebelde.
- Vamos tomar um sorvete, por minha conta! - Freddie empolga - Anne vai mostrar os trabalhos e vocês digam se gostaram.
Os 7 estavam sentados, espremidos em uma das mesas da sorveteria enquanto cada um tomava o sorvete de sua preferência. O de Anne era de pistache, e o de Freddie de chocomenta.
Decidiram se conhecer melhor enquanto tomavam sorvete e só depois, mas na verdade acabaram falando nada com nada. Anne terminou seu sorvete primeiro, e fez um desenho de cada um no seu bloquinho, assim ela achou que os conheceria melhor. Captou a forma que eles falavam, se vestiam e se interagiram pelos desenhos.
Depois de limparem a mesa melada de sorvete, a pasta de Anne passou de mão em mão para ser avaliada, e todos gostaram muito:
- É o seguinte - começou Pedro - Temos especificações, e chegamos num consenso se como querermos a capa do nosso primeiro disco e também sobre a logo da banda. Podemos pagar no total mil e quinhentos. Mil pela logo e quinhentos pela capa. O que acha?
- Por mim é perfeito! - Anne sorriu e arregalou os olhos. Aquela seria uma oportunidade de iniciar sua carreira.
Os adolescentes foram até uma das casas que ficava ao redor da praça para ensaiar. Aquela era a casa de Yuri, o harpista mudo. Eles tocavam suas composições com euforia, cantavam com a alma, até mesmo Yuri parecia cantar com os instrumentos nos quais tocava, e isso transmitiu os primeiros esboços sobre o símbolo da banda dentro das especificações.
Especificações:
· apenas preto e branco
· Lembrar o Yin-yang
· Ter pelo menos uma orca
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Para Anne um arco iris
Novela JuvenilCom uma mãe rica, um padrasto distante, 7 irmãos em casa e um irmão feto, nunca faltaram oportunidades para Anne, que poderia ser o que quiser se não envolvesse o nome de sua família. Mas por conta disso sempre lhe faltou apoio e afeto, além de nunc...
