Capítulo 8 - Almoço na casa da sogra

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Não demorou muito, e Anne estava no banco de trás junto de Freddie, e Helena junto com seu pai no banco da frente. Anne acabou conhecendo melhor o garoto melhor durante os 40 minutos que ficaram no carro. Freddie tinha 14 anos, e era exatamente um mês mais novo que Anne. Além de um exagerado ciúmes com seu cabelo, ele contou ser um multi-instrimentista, e baixista de uma Banda:
- Orcas. - os heterocromaticos olhos de Freddie brilhavam tanto falando de música quanto do escotismo - O nome da banda veio quando viram meu baixo, onde desenhei umas orcas quando o ganhei com 9 anos, mas eu sei tocar muitos instrumentos.
- Tipo quais?
- Violão, guitarra, ukulele, craviola, piano, teclado, bateria, escaleta, keytar, violino, viola clássica, violoncelo, contrabaixo, oboé, clarinete, flauta doce, transversal, trompete, trombone, tuba...- Ele contava nos dedos enquanto falava, e o olhar de Anne ficava mais surpreso a cada novo instrumento - saxofone, órgão, gaita...
- Menino! Tu é mais novo que eu! - A cara de espanto da menina era levemente engraçada - Deve tá blefando, ninguém toca tantos instrumentos assim.
- Mas é verdade, já o vi tocando todos esses. - disse o pai, que até o momento estava calado - Como você acha que ele conquistou a namorada?
- Pai, cala a boca! - Freddie estava corando, e ao ver essa cena os outros riram.
- Você vai ver, ela vai vir pro nosso almoço. - falou o pai, sorrindo, mas Anne não estava vendo, ela não sabia como era seu rosto.
E isso levou a surpresa de quando chegaram no condomínio onde moravam. Anne viu seu rosto ao sair do carro, era um homem muito alto alto com facilmente mais de 1,90, com traços europeus, cabelos loiros com alguns fios grisalhos, ou talvez apenas tão loiros que parecessem brancos, e uma pequena barba loira. Os olhos cansados era iguais os de Freddie, mas tinham 4 cores. Essas cores nos olhos assustaram Anne, que via em um dos olhos metade verde e metade castanho claro, e no outro metade azul turquesa e metade cinza. Aqueles olhos eram únicos no mundo, isso Anne teve certeza.
Enquanto subiam no elevador, Anne percebeu que Freddie era uma formiga ao lado de sua família. Pelo menos isso fez a se sentir um pouco maior. O apartamento de Helena ficava no penúltimo andar de um prédio em Águas Claras, prédio esse que Anne nunca lembrou o nome. Ao chegar no apartamento havia uma grande mesa posta logo de entrada. Oito cadeiras, pratos e copos. Na sala, estava no sofá um jovem homem loiro, que parecia ser tão alto como todos da família, abraçando uma menina negra com os cabelos cacheados e volumosos, e um vestido amarelo de renda, além de ser igualmente alta. Anne os encarou por um tempo. Freddie correu para o corredor, abraçando uma pessoa da mesma altura dele, com uma pele clara e uma franja jogada para o lado. As roupas eram androginas, assim como a aparência, então não sabia se era menino, ou menina, ou os 2, ou nenhum. Talvez isso não seja educado de perguntar.
Depois dessa analise Helena deu um beijinho na nuca de Anne, e tanto ela quanto Freddie foram tomar banho. Em banheiros diferentes, é claro. A menina decidiu se sentar em uma das cadeiras, e ouviu uma voz feminina a chamar:
- Oi gata. - a pessoa que abraçou Freddie estava sentada do meu lado - Tudo bem? Vi que gosta da irmã do Mr. Farrokah.
- Quê?
- Do Mercury alí.
- Mercury?
- Você entende nada de rock né? - a pessoinha deu uma risada leve - Eu dou esses apelidinhos pra ele. Meu nome é Laufey. Mitologia nórdica sabe? Sou namorada do Freddie, ou namorado se preferir.
- Ah...legal...- Anne estava meio envergonhada, e não sabia o que dizer, e nem se usaria os pronomes femininos ou masculinos com ela, "Ou ele? Eli? Elu? Como será que gosta que a chamem? Ou o chamem?" - E como você prefere que te chamem..? - Anne perguntou, com certa vergonha, mas agpra saberia como falar com essa pessoa.
- Eu não me importo muito com pronomes, então pode me chamar como "ela" . - puxou Anne para mais perto e sussurou - Mas não me chama de garota, não sou garota, nem garoto.
Anne guardou aquilo. "Não chamo ela de garota, mas posso usar o 'ela'". Na verdade, estava com medo de ofende-lá.
Alguns minutos depois, Freddie e Helena estavam devidamente banhados, e o pai chamou todos para comer. Logo Anne descobriu que o nome do pai era Leon, e a mãe, uma mulher loira com olhos mel, a única com olhos de apenas uma cor da família, se chamava Dália. Logo estavam todos sentados à mesa, cada um aparentemente ao lado do seu "par", isso inclui Anne ao lado de sua amada Helena.
Enquanto se serviam do estrogonofe de beringela, Helena se levanta, pedindo atenção de todos alí, e corando após o silencio tomar conta da sala de jantar:
- Estamos todos aqui com as pessoas que amamos...- começou - e dessa vez, eu também estou...mas não da forma que queria...- Helena olha para os olhos de Anne, que se encheram de brilho em contraste do rosto corado - Anne, eu amo você, e quero que você seja a minha namorada. - ela tirou do bolso uma caixinha fofa, abrindo-a e revelando um anel e um colar com pingente rosa de coração. Nesse momento Anne quase explodia de tanta vegonha, mas era uma vergonha boa. - Você aceita? - Helena estava tremendo, e apesar daquele romance que viveram nos últimos dias, tinha medo que tudo acabasse alí. Mas a resposta de Anne a surpreendeu. A menina pegou a caixinha e a fechou, levantou-se e sussurou algo como "que pergunta mais idiota" e a beijou. Um beijo quente, com todo o amor que sentia transmitido em seus lábios. No final do beijo, colocou o anel e o colar.
- DESENCALHOU! - Laufey grita com entusiasmo. Isso envergonhou um pouco Helena, mas arvora não importava, ela estava feliz, namorando a garota que amava.

Depois do almoço, as meninas foram descascar no quarto de Helena. O quarto era lotado de livros, pareciam que todos os livros do mundo estavam alí. Em algumas paredes, tinham também fotografias que Helena tirou, e ainda algumas fitas de led em forma de estrela de cor amarelada. Tudo isso dava ao quarto um ar mágico. As meninas, agora namoradas, se jogaram na cama de Helena:
- Não acredito que fez isso, Anne! - Helena exclama em uma voz doce - Por um momento, achei que você iria recusar.
- Eu recusar um pedido de namoro feito pela melhor menina do mundo? Quando, ein? - as garotas riram, e embarcaram em mais um caloso beijo.

Pouco tempo depois, Freddie chamou Anne para conhecer seu quarto , do qual o menino tinha muito orgulho. E assim ela foi.

O que o quarto de Helena tinha de livros o de Freddie tinha de posters. Posters e quadros de bandas de rock preenchiam do chão ao teto em quase todas as paredes. A cama ficava ao centro do quarto, na única parede que não estava lotada ainda. Tinha uma cabeceita de madeira de um marrom claro e apagado, com alguns adesivos punk e um jogo de cama vermelho e branco impecáveis. A parede da cama era um tom cinza-azulado, e acima da cabeceira haviam bandeiras penduradas: do Brasil, da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Rússia, divididas em uma perfeita simetria. Em um dos lados das bandeiras estava seu violão pendurado na parede, com mais quadros ao lado, e do outro estava pendurado seu baixo, um baixo muito bonito verde água com desenho de baleias orcas, e um braço preto e brilhante que chamou muito a atenção de Anne. As orcas estavam presentes não só no baixo, mas também em uma maleta em um degradê azul em cima de uma prateleira na qual anne acreditava ser uma vitrola. O quarto, apesar de não ser tão mágico quanto o de sua namorada, o quarto de Freddie era com certeza o mais bonito da casa.

- Meu quarto é esse. - disse Freddie orgulhosamente - Venho juntando esses posters desde que tinha 10 anos, e usei todos para decorar na reforma do ano passado.

- Percebi. - Anne estava ainda boquiaberta com a beleza daquele lugar. Parecia que quanto mais olhava mais apareciam coisas, e mais e mais bandas e capas de discos e posters de shows e desenhos das bandas. Apesar de não conhecer nada, parecia que levaria meses para descobrir todas, e talvez nem Freddie soubesse.

- Então você toca mesmo...- diz Anne.

- Sim, sou o baixista das Orcas, uma banda que entrei há uns 2 anos. Eu te contei isso no carro.

- Legal - apesar do tom seco de voz, Anne estava empolgada por dentro, apesar de conviver com grandes modelos e atores a vida inteira, parecia que conhecer músicos era ainda mais mágico, mesmo de uma banda pequena - como é a banda de vocês?

- Temos 6 integrantes - Os brilhos nos heterocromicos olhos azuis de Freddie estavam ainda mais fortes - e como você pôde ver, eu sou o baixista, e também canto algumas músicas.

- 8 integrantes... - susurra a garota, como se aquilo fosse um endereço que não podia esquecer - e o que mais tocam na banda?

- Temos 2 guitarristas, mesmo que um deles quase sempre toque violão. Tem também um baterista, uma pianista, um harpista, e nossos principais vocais, mas essas garotas também tocam de vez enquando, assim como eu e todos cantamos na banda, menos o harpista.

- Vocês tem um harpista na banda...- aquilo foi chocante para a garota, que achava que harpas estavam apenas em orquestras - e por que ele não canta?

- Ele é mudo

- Ah... - Anne desviou o olhar, sentindo-se culpada pela pergunta.

- Entrei como baixista porque eles precisavam de um, e eu aceitei, afinal Paul McCartney também era baixista.
- E quem é Paul McCartney?
- Você não conhece os Beatles?
- Apenas ouvi falar.
- Então é hora de conhecer.
O loirinho foi até as prateleiras e buscou um de seus muitos discos. Anne não prestou muito atenção na capa, ainda estava olhando para o baixo. E começou tocando It's a Hard Day's Night. Laufey, que estava na cozinha, saiu correndo até o quarto do namorado:
- Coloca os patrões para tocar e nem me chama né?
Todos riram, e Anne voltou para o mágico quarto de Helena:
- Ele já tá te influenciando pra esse lado de rock. - disse Helena em tom irônico.
- Mas é legalzinho até. - Anne se deita na cama com o lençol de corujinhas.
- Amor? - Helena chama sem olhar para sua namorada
- E quando você chamar amor vai ser eu que vai tá chamando?
- Claro que sim, meu amorzinho.

Para Anne um arco irisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora