Quebrando As Lembranças

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"E quando suas mãos não puderem mais tocar-me, quebre as lembranças, queime as com a esperança de ter-me novamente e deixe o vento levar as cinzas para longe."

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Eles sentaram-se no banco da praça abandonada que ficava no centro da Itália para conversar, mas Eisley estava um pouco afastada dele por ainda estar em estado de choque.

Depois de dois anos, Justin volta dos mortos como se nunca tivesse sido enterrado e ela não consegue pronuncia uma palavra se quer.

- me explique como isso é possível? - ela pediu enquanto tentava evitar olhar nos olhos dele.

- Eu quero poder te contar a verdade. - ele respondeu com a voz pesada. - Mas esse não é o momento exato para uma chuva de realidades. - acrescentou.

Ela olhou arduamente para ele e enquanto seus olhos transbordavam, ela pergunrou:

- O que é tão importante para você me fazer sofrer por todo esse tempo?

Ele abriu a boca para dizer algo, mas antes que qualquer palavra saísse de sua boca, ela o interrompeu:

- E não venha me dizer que fora pouco tempo, Justin. - ela fez uma pausa. - Porque esses dois anos foram uma eternidade. - acrescentou.

- Eu queria poder te dizer a  verdade. - ele disse segurando a mão dela. - Mas essa não é a hora certa. - acrescentou.

Justin assistiu as lágrimas escorrerem pelo dela, enquanto ela o olhava como se ele fosse um terrível monstro.

- Você sabe muito bem que a verdade não é um balão de confetes. - ele tentou explicar. - Eisley, você conhece as consequências se todos os seus balões estourarem. - acrescentou.

Por concordar com o que Justin havera dito que ela abaixou a cabeça, pois ele sempre fora o único que a protegeu e a escondeu da escuridão do mundo. Mesmo sabendo que ela era a própria neblina que abrigava os sussurros mais sombrios e tempestuosos que existia.

Depois de alguns minutos, Justin levantou-se do banco e ela ficou olhando assustada para ele.

- Para onde você vai? - ela perguntou confusa.

- Não é seguro ficar perambulando por . - ele respondeu. - Eu apareci porque soube pelos noticiários o que aconteceu com você. - acrescentou.

Eisley levantou-se rapidamente e o abraçou com medo de perdê-lo.

- Não vai, Justin. - ela suplicou.

Ele a apertou em seu abraço e lembrou o quanto sentiu falta de abraça-lá e do perfume afrodisíaco dela.

- Vamos ficar juntos novamente. - ele sussurrou afastando-se dela. - Eu prometo. - concluiu.

Ele segurou o rosto de Eisley e depositou um beijo terno na testa dela.

Enquanto os passos de Justin se distanciavam, ela tentou voltar a minutos atrás e gravar em sua memória o pequeno abraço e o beijo que ele havera lhe dado.

O coração de Eisley estava batendo devagar e quando ele sumiu de sua vista. Ela ainda tentou recordar do pequeno momento que tiveram há pouco minutos e ela queria repetir aquilo em sua memória até que um novo momento surgisse.

- Eisley. - Theodore suspirou aliviado ao encontrá-la.

Quando ela levantou os olhos para olhá-lo, Theo percebeu que eles estavam transbordando em lágrimas

- O que aconteceu? - ele perguntou curioso.

Sem dizer nada, Eisley apenas jogou-se nos braços dele. Enquanto abraçava Theodore e as lágrimas caíam constantemente como se o abraço dele fosse o único refúgio para sua dor.

- Alguém te machucou...

Eisley não soube se aquilo fora uma pergunta ou afirmação. Mas o que ela realmente não sabia era que toda vez que Theodore a encontrava desabando em algo que ele ainda desconhecia, isso o desgastava um pouco mais.

Justin era o único que sabia que ela pertencia as trevas e mesmo assim caminhava na luz. Mas ele nunca havia dado uma pausa de descanso desde que contar a Eisley, porque ela a música que somente ele sabia tocar.

Durante dois anos ela acreditou imensamente que Justin havia a deixado solitariamente em seu mundo obscuro. Mas agora Eisley tinha certeza de que ele estava de volta para sua vida que fora rodeada de mentiras, segredos e túmulos.

Naquele noite fria, Eisley aproximou-se lentamente da janela de seu quarto e observou a chuva cair do lado de fora da mansão. Por alguns breves momentos, ela imaginou Justin  com um capuz preto sobre a cabeça parado ao lado de fora da janela de seu quarto a olhando.

Ela deslizou suas mãos sobre os seus ombros, enquanto imagina Justin abaixando as alças finas de sua camisola vermelha de seda e beijando sua pele delicadamente. Aquele desejo parecia tão real que Eisley soltava leve suspiros e gemidos, e jogava a sua cabeça para trás.

- O que você está fazendo? - perguntou uma voz masculina.

Eisley perdeu-se rapidamente daquela imaginação e virou-se totalmente envergonhada para quem havia lhe pego de surpresa.

- Romeu?

- Você está bem, Eisley? - ele perguntou confuso.

- Estou, sim. - ela respondeu totalmente tímida.

Ele preferiu não fizer nada, apenas saiu do quarto dela e fechou a porta do recinto.

Eisley suspirou e jogou-se em sua cama, enquanto tentava esquecer a reação de seu irmão ao vê-la reagindo a uma fantasia realizada mentalmente.

Por alguns instantes, ela queria voltar ao momento em que havia encontrado Justin e ter beijado ele ao invés de brigar. Tudo o que Eisley queria era uma beijo dele de boa noite e um abraço para esquecê-la, enquanto a chuva se jogava com brutalidade fazendo com que ela não dormisse e lágrima rolassem pelo se corpo.

Eisley não sabia quando o veria novamente, então ela caminhou até sua bolsa e retirou o frasco de lítio e engoliu três comprimidos com um copo de água que tinha ao lado de uma jarra de cristal sobre uma bandeija de prata em seu criado-mudo.

Ela sentou-se no chão frio de porcelanato com seu corpo encostado no pé de sua cama e adormeceu lentamente.

Ainda que Eisley continuasse indo as consultas psicológicas, ela nunca mencionou o fato de tomar lítio ao seu psicólogo ou alguém da família. Apena Justin sabia que ela tomava aquele medicamento, pois fora ele quem conseguiu uma nova receita para ela quando a antiga fora rasurada por Amélia.

Justin sempre estaria lá para ela, mas não nos últimos dois anos. Eisley precisava de respostas sobre a suposta morte dele e quem estava no caixão, pois ela jurava ter enterrado seu amado durante a primavera.

Rabiscos Na BrumaOnde histórias criam vida. Descubra agora