Algumas histórias não devem ser contadas ou escritas, mesmo que seja nas melhores das intenções. Mas é como diz o ditado popular, o inferno está cheio de boas intenções.
A história se sucede em Veneza, cidade localizada no nordeste da Itália situada...
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Eisley olhava seu reflexo no espelho sem vontade de continuar respirando. Ela estava vestida em um vestido tubinho preto, calçava um dos pares de saltos mais lindos da Itália e usava uma pulseira com o pingente de um lobo.
Rossi adentrou no quarto da jovem e assistiu o semblante abatido de Eisley, mas para tentar animá-la, ele disse:
- Eu sabia que este vestido ficaria maravilhoso nesse corpão que você tem.
Ao perceber que nem mesmo elogiando o corpo de Eisley, ele conseguiria arrancar um sorriso dela.
- Estão todos na sala a sua espera. - Rossi disse colocando as mãos sobre o ombro dela.
Eisley abaixou a cabeça e lembrou-se da forma agressiva como os policiais arrastaram Amélia algemada da quitinete de onde moravam e a jogaram no carro da polícia como se ela fosse um saco de lixo.
Rossi secou uma lágrima que escapou dos olhos de Eisley e ambos saíram do cômodo.
Antes de começarem a descer os degraus da escada, Eisley observou para todos os membros da família Lavigne que estavam reunidos na sala vestidos de preto para acompanhá-la no funeral.
Ao passarem pela porta, Theodore abriu a porta limusine para que eles pudessem entrar. Enquanto ele caminhava para o assento de motorista, Eisley olhou da janela fechada para Rossi que estava do lado de fora da casa acenando para eles.
Lorenzo e Theodore eram as únicas pessoas naquela casa que compreendiam e com quem ela poderia falar sobre seus sentimentos.
Ao chegarem no cemitério, eles desceram do carro e caminharam por vários túmulos. A família Lavigne parou em frente à uma lápide onde estava escrito:
Amélia Avalon
E mais abaixo do nome tinha uma frase gravada:
Enquanto viver, lembre-se que o amanhãsó existirá se vocêestiver vivo.
Após ler aquela frase mentalmente, Eisley lembrou-se de que sempre que ela arrumava confusão na escola. Amélia dizia aquela frase para e alguns provérbios que não conseguia recordar-se no momento.
Naquela manhã Leon aconselhou Eisley e seus irmãos a não irem para escola. Ele havia prometido que chegaria do trabalho o mais cedo possível e mesmo na ausência do marido, Ramona continuava sendo a soberana que dizia ser.
Era tarde e Eisley estava com os braços cruzando e o corpo encostado na parede. Ela observava a chuva cair grosseiramente sobre o jardim e algumas lágrimas silenciosas, mas ela as secou quando escutou uma batida na porta.