Obs:. Capítulo com cenas fortes e baseado na série 13 Reasons Why. Se você tem depressão, pule este capítulo. Conteúdo GATILHO!⚠️⚠️⚠️
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Aos seis anos de idade...
Era uma manhã de quinta-feira e Eisley estava sentada no banco do ônibus ao lado de seu melhor amigo, Tony. Ele era magro, tinha pela translúcida, cabelo loiro e era gay. Mas isso não era um problema para os pais dele, já que tinham a mente muito aberta e ajudaram o filho a passar por tudo.
Ambos compartilhavam o mesmo fone de ouvido e escutavam Califórnia Girls de Katy Perry. Quando o ônibus estacionou em frente à escola pública e mais conhecida de São Petersburgo, Tony guardou o seu celular na mochila e desceu do veículo escolar ao lado de Eisley.
- Eu preciso ir ao banheiro. - disse Eisley.
- Eu também. - ele disse segurando a mão dela. - Vamos comigo? - ele pediu enquanto a puxava para o banheiro.
- Mas este é o banheiro masculino, Tony. - afirmou ao ver o adesivo de um boneco azul na porta.
- Não tem ninguém aqui, Eisley. - ele disse puxando-a para dentro do banheiro.
Eisley não sabia explicar o que estava sentindo, mas algo em sua cabeça insistia para ela não entrar naquele banheiro.
- Não tem ninguém. - Tony disse ao entrarem no banheiro.
Tony entrou em uma das cabines que ficava de frente para os espelhos onde logo abaixo estavam as pias brancas de porcelanato. Tinha uma porta no canto que dava para olhar todas as cabines, então Eisley entrou ao ouvir vozes se aproximando do banheiro masculino.
Era um tipo de depósito com alguns panos de chão, materiais de limpeza e roupas dos zeladores. A porta estava entreaberta, mas ela assistiu três garotos entrarem no banheiro e escutou Tony dizendo:
- Você ainda está aí?
Quando Tony saiu da cabine, ele ficou cara a cara com os três garotos que tinham quase a mesma idade que ele. Eram Billy, Zack e Santiago, eles eram os garotos populares da escola.
- Está falando sozinho? - perguntou Santiago ao aproximar-se de Tony.
Ele era mexicano assim como Tony, mas Santiago era filho de advogados conhecidos e bem sucedidos. Enquanto Zack não tinha muito dinheiro, mas andava com eles para não sentir-se excluído e Billy era o garoto rico e popular da escola.
- O que foi? O viadinho perdeu a lingua? - perguntou Billy.
- Me deixe em paz.
Foi a única coisa que Tony disse para eles e caminhou em direção à pia para lavar as suas mãos. Ele estava de costas para os garotos, mas não prestou atenção quando Billy segurou a nunca dele e bateu três vezes seguidas na borda da pia.
Tony caiu no chão, mas ele não estava inconsciente. Apenas com muita dor por causa dos impactos e com a cabeça sangrando.
Billy era tão perverso que nada daquilo foi o suficiente para ele, então ele arrastou Tony para dentro da cabine aberta e mergulhou a cabeça dele dentro do vaso.
Eisley podia escutar as risadas macabras que eles davam e conseguia ver o que eles estavam fazendo com seu amigo. Mas ela colocou as mãos na boca, enquanto lágrimas escorriam de seu rosto e ela chorava silenciosamente.
- Segurem ele. - disse Billy.
Enquanto Zack e Santiago seguravam Tony que estava ajoelhado em frente ao vaso sanitário. Billy abaixou a calça e cueca box dele, e pegou uma vassoura que tinha na outra extremidade do banheiro.
Quando Santiago colocou a mão para tapar a boca de Tony, Billy colocou o cabo da vassoura no ânus dele e pressionou até sangrar.
Foram cinco minutos de dor para Tony, cinco minutos de diversão para os três amigos e cinco minutos de terror para Eisley. Assim que eles saíram do banheiro, ela saiu de dentro do depósito e correu ao encontro do amigo.
- Tony. - ela sussurrou enquanto assistia o sangue escorrer pela testa dele.
Tony só conseguia chorar de dor e vergonha, enquanto Eisley chorava pelo trauma de seu amigo.
- Precisamos pedir ajuda. - ela disse levantando-se do chão.
- Não. - ele disse segurando a mão dela para que ela não saísse do banheiro.
- Mas Tony...
- Não, Eisley. - ele fez uma pausa. - Feche a porta do banheiro e fique aqui. - concluiu.
Eisley fez o que o amigo havia lhe pedido, ela assistiu Tony gastar todo o papel higiênico para limpar o sangue que saia do seu ânus e da sua cabeça.
Em seguida, eles limparam o sangue que estava no chão do banheiro, na borda da pia e deram descarga no vaso sanitário que também estava sujo.
- Nós precisamos contar para alguém.
- Não vamos contar nada, Eisley.
Foi a última coisa que ele disse. Porque depois daquela cena de filme terror, Tony evitou a amiga durante duas semanas e quase sempre faltava as aulas e não aparecia no refeitório ou no pátio da escola.
Dois meses depois...
Eisley estava sentada na mesa da cantina quando Tony sentou-se à sua frente com um sorriso no rosto.
- Por que está sorrindo? - ela perguntou confusa.
- Estou tentando viver da melhor forma possível. - ele respondeu.
- Você está fingindo um sorriso para me fazer acreditar que está tudo bem? - ela perguntou.
Eisley já sabia a resposta para aquela pergunta, mas mesmo assim ficou esperando que Tony dissesse para ela o que ela queria ouvir.
- Eu estou bem.
Foi tudo o que ele disse, mas Eisley sabia que era mentira. Tony não havia procurado ajuda no dia em que agrediram ele no banheiro e nem depois.
- Como consegue deixar que eles façam com você uma cena horrível de 13 Reasons Why com você e fingir que está tudo bem? - ela perguntou incrédula.
Tony não disse nada, mas quando assistiu ela levantar-se da mesa, ele tentou impedí-la.
- Eisley.
- Não, Tony.
Ela saiu do refeitório com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Desde aquele dia, Eisley nunca mais havia visto Tony e sua vida mudou completamente.
Ela foi a muitas consultas no psicólogo, tomava remédios para ajudá-la a dormir e controlar a ansiedade. A cabeça de Eisley ficou totalmente bagunçada e com a ausência de sua mãe na maior parte do dia, tudo ficou pior.
A rotina de Eisley era matar aula, dormir na enfermaria da escola, roubar as coisas das garotas populares e incêndiar o lixo que os vizinhos deixavam na porta. Ao poucos ela foi perdendo a sanidade e controle de si mesma.
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Rabiscos Na Bruma
Roman d'amourAlgumas histórias não devem ser contadas ou escritas, mesmo que seja nas melhores das intenções. Mas é como diz o ditado popular, o inferno está cheio de boas intenções. A história se sucede em Veneza, cidade localizada no nordeste da Itália situada...
