"Algumas mãos podem levar uma vida embora, mas outras são capazes de trazer o amor de volta dos mortos."
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Foram três dias trancada dentro de casa e a única visita que receberá fora de Dylan. Mas nem sempre ele conseguia passar pêlos portões da mansão, já que Romeu sempre o impedia de entrar na casa para falar com a irmã.
Era uma tarde de sábado e Eiskey estava sentada à beira da piscina conversando com Theodore quando Dylan chega silenciosamente e percebe a risada de ambos.
- Então a implicância do Lavigne é só comigo? - perguntou Dylan com curiosidade.
Ambos olharam confusos para ele, mas Theodore percebeu rapidamente que era a sua deixa para voltar ao trabalho. Então ele levantou-se e caminhou em direção à porta da cozinha, deixando Dylan e Eisley a sós.
- Desde quando uma Lavigne é amiga dos funcionários da família? - Dylan perguntou em um tom brincalhão.
- Ele se chama Theo e é meu amigo. - ela fez uma pausa. - E não sou como minha família. - acrescentou.
Dylan deu de ombros.
Theodore assistiu eles conversarem enquanto permanecia na cozinha. Ele não conseguia tirá-la da cabeça, talvez fosse por causa do beijo. Mas ele sentia que devia proteger Eisley de todos os Lavigne's de sangue ou apenas título.
- Observar a patroa não é seu trabalho, Grey. - comentou Lorenzo.
Theodore olhou atentamente para o mordomo que estava com as mãos cruzadas atrás das costas observando Eisley e o amigo e disse:
- Garantir a segurança dela é meu dever, Rossi.
Lorenzo apenas deu de ombros.
Theodore revirou os olhos e caminhou em direção à porta para ir para a garagem, mas parou quando escutou Lorenzo dizendo:
- Por que acha deve protegê-la, Grey?
Theodore virou-se para olhar o colega de trabalho e respondeu:
- Ela é apenas uma adolescente traumatizada.
Lorenzo assistiu ele caminhar em direção seu posto e ficou perguntando-se se as indiretas de Chris não fossem verdadeiras. Mas decidiu apenas ficar de olhos abertos quando o assunto se tratasse de Theodore com os Lavigne's.
- Do que você tem tanto medo, Eisley? - Dylan perguntou curioso.
- Do que você está falando, Dylan? - ela perguntou confusa.
- Você saiu desesperada da capela. - respondeu.
Eisley abaixou a cabeça e ficou olhando para seus pés que estavam submersos na água da piscina.
- Tem alguém me enviando mensagens. - ela responde enquanto sentia seus olhos transbordarem.
- Quem está lhe ameaçando, Eisley?
Ela deu de ombros.
Nem a própria Eisley sabia como se comportar em relação as mensagens estranhas que estava recebendo. Mas a pessoa parecia conhecê-la tão bem quanto ela mesma.
No final daquela tarde, Eisley assistiu o sol se por enquanto permanecia sentada no banco logo abaixo a sacada de seu quarto. Theodore sorriu ao vê-la totalmente serena observando o céu banhado de um vermelho intenso e um bando de pássaros voarem para o oeste da cidade.
- Você está bem? - ele perguntou aproximando-se dela.
- Vou começar a fazer terapia. - ela fez uma pausa. - Como acha que me sinto? - perguntou.
- É. - ele disse sentando-se ao lado dela no banco. - Foi uma pergunta estúpida. - acrescentou.
- Não. - ela disse com a voz calma. - Foi gentil. - ela fez uma pausa. - Obrigada. - acrescentou.
Theodore assentiu.
Ele poderia simplesmente abraça-lá, mas sabia que Eisley precisava mais do que um abraço. Naquele momento, ela necessitava de um abraço e um amigo para conversar sobre coisas que não conseguia guardar para si mesma.
Eisley notou quando as íris azuis de Theodore se perderam no carmesim dos céus e naquele momento ela não o olhou como um estranho. Ela apenas compreendeu que ele sempre estaria ao lado dela, mesmo que fosse somente nos fins de tarde ensolaradas e silenciosas.
- Obrigada, Theo.
- Pelo que? - ele perguntou confuso.
- Por me notar. - ela respondeu serena.
Theodore segurou a mão dela e sorriu ao olhar Eisley esboçar um sorriso em seu rosto. Ela sempre quis voar, mas ela não tinha mais asas e sempre sentia-se pequena perto dele e de Romeu.
Eisley poderia fechar os olhos e imaginar Theodore, Romeu ou Dylan ao seu lado quantas vezes fosse preciso. Mas em seus sonhos o único rosto que continuava a assombrando era a face de Justin. Por que não conseguia esquecer que amá-lo é sempre tão difícil?
Era fácil fingir que havia problemas maiores quando eles existiam. Mas após solucioná-los, o faz de conta chegava ao fim e Eisley conseguia ver claramente o que ela fez para chegar onde estava.
Às vezes ela queria poder fazer chover, mas Justin também era a chuva que ela queria que caísse sobre sua pele. Porém, a fraqueza de Eisley também causou dor a ele. Principalmente, quando ela explodiu e seus estilhaços o cortaram e o fizeram sangrar.
Duas semanas depois...
Ela estava caminhando pelas ruas italianas com o vento frio assolando a avenida iluminada pelas luzes dos postes. Eisley estava em um ventido de cetim na cor creme com um salto de quinze centímetros e uma pequena bolsa que cabia mal seu celular dentro.
Ela havia saído da festa que seu pai havera organizado para comemorar o aniversário de Chris sem que alguém percebesse e tudo o que ela queria era respirar um pouco. Eisley olhou para trás e percebeu que havia alguém com um capuz preto cobrindo o rosto andando atrás dela.
Quem era o desconhecido de capuz? Ele estava a seguindo? Ou era apenas coincidência? O coração dela pulsava por estar extremamente nervosa.
Depois de caminhar por horas e sentir seus pés doendo, ela olhou novamente para trás e avistou que ele ainda estava sendo perseguida. Eisley parou de andar e ficou encarando a pessoa de capuz que também estava a observando.
Ela observou atentamente quando aquele desconhecido entrou na esquina e desapareceu de sua vista. Eisley virou-se lentamente para continuar seu caminho e acabou dando de cara com a pessoa que estava lhe seguindo a minutos atrás.
- Eu não acredito. - ela sussurrou incrédula.
Os olhos dela ficaram emaranhados ao olharem aquelas íris azuis que pensou que nunca mais veria em toda a sua vida.
Quando aquele desconhecido acariciou o rosto dela com sua gélida, Eisley soltou um suspiro de alívio e sentiu uma lágrima escapar de seus olhos.
Como pode ser possível? Eisley perguntou a si mesma enquanto tentava acreditar que aquilo era apenas um sonho no qual ela nunca queria acordar.
- Justin. - ela sussurrou ao colocar sua mão sobre o peito esquerdo dele.
Ao sentir as batidas aceleradas do coração dele, ela percebeu que seu amor veio de volta dos mortos. Mas Eisley não conhecia as mãos que o trouxeram de volta a vida e Justin havia deixado sua amada sem palavras como na noite da explosão.
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Rabiscos Na Bruma
RomanceAlgumas histórias não devem ser contadas ou escritas, mesmo que seja nas melhores das intenções. Mas é como diz o ditado popular, o inferno está cheio de boas intenções. A história se sucede em Veneza, cidade localizada no nordeste da Itália situada...
