Depois de alguns minutos, Martina finalmente adormece. Seu corpo em total repouso junto ao meu, descansa levemente. Olhando tranquilamente para ela, percebo que sua cabeça se encontra em uma posição nada agradável junto a janela do carro. Com cuidado e muita calma, estendo meus braços até ao seu corpo a puxando para perto. Colocando sua cabeça em minhas pernas, Martina descansa em um sono profundo, deslizo meus dedos em suas bochechas rosadas, fazendo um caminho até ao seu cabelo, Entrelaço seu cabelo em meus dedos até que o carro para com agressividade, e Martina acorda.
— Que merda. — Esfregando a cara, Martina resmungou. — O que você faz aqui?.— Questionou ao me ver. O efeito da bebida já deve ter passado, ela não lembra de nada.
— Você pediu para que eu viesse. — Tentei continuar, mas seu dedo indicador para em meus lábios.
— Não fala.— Pediu.
Em silêncio, a porta do carro é aberta pelo motorista, o homem vestido de preto, sorri gentilmente, enquanto passamos por ele. Assim que adentrarmos na mansão, o silêncio é um tanto matador, o sol está prestes a nascer. Por quanto tempo ficamos fora?
Caminhando pelos corredores, ninguém fala. O silêncio invade o local, talvez essa seja a oportunidade certa para contar toda a verdade, falar sobre os motivos, dizer que a amo. Por amor a ela não o fiz.
— No que você está pensando?.— Falou Martina olhando para mim.
— Em você, em nós. — Confesso. — Em tudo.
— Hum. — Respondeu simples. — Minha cabeça ainda dói, não vou brigar com você. — Revelou.
— Você séria capaz de perdoar?.— Rapidamente pergunto. Sinto que esse pode ser o momento certo para falar.
— Depende. É uma mentira?. — Questionou franzindo o cenho.
— Uma grande mentira, a única verdade nela são os meus sentimentos.— Caminhei até ela. Eu quero olhar para ela e ver sua reacção. — Em meio a tanta merda que fiz para chegar aqui, os meus sentimentos por você são a única verdade. Não importa o que aconteça, eu sempre irei com toda certeza do mundo, amar você.
A hesitação em seu rosto era visível, talvez ela não gostasse de mim, ou não estava preparada para isso, não posso mais esperar. Talvez seja a última vez que isso aconteça, rapidamente puxo Martina para perto, meus dedos seguem o seu próprio caminho passando, pelos seus cabelos longos, descendo até seu rosto angelical. Concentro tudo nesse momento. No nosso momento, depois do que eu for a falar, talvez ela nunca mais olhe para mim.
— Para. — Pediu Martina. — Não olhe para mim como se, eu fosse seu brinquedo. Em um momento você fica comigo, e no outro corre para Carla. — Falou fazendo meu coração doer. Ela nunca foi um brinquedo para mim. — Desde que a gente começou ficando, eu nunca fiquei com outra pessoa. — Revelou me fazendo sentir o maior idiota do mundo. — Eu fiz a mentira do relacionamento valer a pena, mas você, sempre que teve vontade ficou com Carla.
Suas palavras saíram com tanta rapidez, não consigo assimilar nada. O som de palmas sendo batidas atrás de nós, para tudo. Carla está sorrindo enquanto passa pelo corredor batendo palmas dramaticamente.
— Caramba Martina, eu achei que você fosse mesmo inteligente. — Com a voz calma e baixa, Carla falou. — Achei que ter sido corna te ensinou algo, mas vi que você não aprendeu nada. — Provocou Carla.
— Tira ela daqui. — Gritou Martina. — Tira a sua amiga, senão você passaram uma semana com ela na UTI. — Com os punhos cerrados, Martina já estava visivelmente perdendo a paciência.
— Daqui ninguém me tira.— Sorriu Carla. — Brian, vai contar ou, eu conto?.— A tensão aumentou, eu sabia exactamente do que ela estava falando.
— O que está acontecendo aqui?.— Questionou Martina. Olhei para seus olhos, a confusão e ansiedade estavam a dominando.
— Conta Brian. — Carla insistiu. — A coitada merece saber. — Permaneci em silêncio tentando assimilar a situação.
— Eu não tinha ideia de nada. — Falei olhando para Martina. Mentalmente estou pedindo perdão.
— Que patético. — Carla voltou a falar. — Martina, você sabe por que o Brian decidiu entrar na mansão de rubi?.— Questionou Carla. Já não havia volta a dar. Martina me olha confusa, eu entendo a sua confusão.— Eu e Brian, tínhamos um acordo. Um belo acordo.
— Continua. — Disse Martina. Isso só me deixou mais aflito e com medo.
— Eu pedi. Lembro muito bem do dia, a gente acabava de brigar no começo das aulas, e eu estava definitivamente cansada de você, conversei com Olívia e Esmeralda, a ideia logo surgiu. — Carla deu uma pausa. — O plano era simples, Brian faria com você, o mesmo que você fez com metade da escola.
— Não. — Disse Martina quase soluçando.
Seu olhar confuso, perplexo, doloroso e indignado se direciona até mim. Consigo sentir sua dor, raiva...ela está com raiva de mim. Carla sorriu vitoriosa, ela conseguiu o que mais queria.
— Vocês devem ter muito que conversar.— Sorriu Carla. Aos poucos os vestígios de sua presença foram desaparecendo.
Sinto que preciso falar, eu preciso dizer algo mas, nesse momento me sinto como uma criança pega no flagra. Não sei o que dizer.
— Tudo o que ela disse é verdade?.— Questionou Martina. Sua voz saí tão baixa, seu maxilar está tremendo.
— Sim. — Revelei. — Mas, tudo o que eu disse também é verdade, eu te amo Martina.
Silêncio total!
Nunca imaginei que isso chegaria até esse ponto, estava tão preocupado com a subida e me esqueci da aterragem. Previ grandes coisas, momentos únicos e incríveis, eu só não estava preparado para esse momento. Para essa verdade.
— Eu estava esperando o momento certo para contar. — Revelei não aguentando com o silêncio.
Martina não disse nada, caminhou até a mesa por de baixo do quadro de avisos, segurou em um peça de porcelana branca, caminhou até mim e jogou contra a parede. Não me atrevi a falar.
— Brian Blanc, eu te odeio mais que qualquer pessoa nesse mundo. — Disse com a voz chorosa. — Eu me arrependo de cada maldito dia que passamos juntos.
— Eu te amo Martina. — Não me canso de dizer, eu realmente a amo. — Te amo tanto, as estrelas serão incapazes de definir a quantidade desse sentimento.— Falei tentando uma aproximação.
— Não chegue perto de mim. — Gritou. Mas ignorei suas palavras Continuei caminhando até ela. — Vai se ferrar. — Martina desfere um tapa forte demais em meu rosto, provavelmente o tapa mais doloroso que já recebi em toda a minha vida.
Minhas mãos seguram com força Martina, não posso desistir dela. Não agora, eu preciso falar com ela, preciso que ela me escute. Martina vira-se e desfere outro tapa em mim. Com mais força ainda.
— Caralho, até Marcos sabia disso, aquele escroto tentou me avisar. — Martina leva as mãos até ao cabelo e massageia o coro cabeludo. — Eu confiei em você, eu fui uma idiota. — Berrou.
— Me perdoa. — Imploro. — Você mesma disse que perdoar é um acto bom.
— Sério? Nem eu mesma consigo dizer isso seria. — Martina ri. Uma alta gargalhada. — Quer saber Brian, estamos quites. — Falou sem ânimo. — Você quis brincar comigo, mas eu também fiz, o pior. Você deslizou na minha mão como um sabão molhado. Vai se ferrar. — Martina saí correndo me deixando para trás.
Estou totalmente desgastado, irritado. Eu falhei e provavelmente cada palavra de sua boca, seja um castigo para mim. Eu mereço isso e muito mais. Nem nos meus piores momentos imaginei viver algo assim. Eu a perdi. A dor da perda me corrói a cada segundo eu fiz isso com ela.
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Último beijo
Teen Fiction" O amor é um jogo, e apenas dois podem jogar" Martina Ross teve seu coração quebrado da pior maneira possível, e no pior dia de sua vida. Apartir desse instante ela mata sua antiga personalidade. Durante um tempo ela fez do amor um jogo, onde apena...
