Capítulo 8 ( Por Martina)

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Não consigo acreditar nas últimas palavras dele, como alguém ousa em dizer que o medo invade o meu corpo, é necessário não conhecer-me para pensar algo assim. Depois da conversa na estufa Brian basicamente desapareceu, apenas no sentindo figurado ele já não fala comigo, ignora por completo a minha existência, mas comigo não é assim, ninguém ignora uma Ross, pelo menos não essa Ross.

Acordo com o barulho do secador, deve ser a Vanessa oh Céus, como ela acorda cedo e ainda tem a ousadia de se atrasar. Abro os olhos, vejo ela desligando o secador de cabelo, a mesma vira-se e ri.

- Qual é a graça a essa hora da manhã.- Pego no celular por cima do criado mudo e quase grito de raiva só de ver as horas.- Cinco da manhã, são apenas cinco da manhã e você já está fazendo barulho.- Vanessa ri.

- Bom dia pra você também, e já está mais do que na hora de você se levantar e ficar linda, ultimamente você anda muito estranha...- Levanto a mão pedindo para que ela mantive-se silêncio.

- Se você parar de falar eu faço tudo o que você quiser.- A mesma ri, o brilho em seus olhos era visível, bem ali eu soube que estava totalmente ferrada para o resto do dia.

- Depois eu penso nisso.- concordo em silêncio.

[...]

Já estava pronta para mais um dia, fiz um coque em meu cabelo que por algum milagre saiu perfeito, passei batom vermelho bem chamativo.

Caminho com Vanessa pelo corredor da mansão, vejo rostos familiares mas nenhum deles importa. Continuo seguindo até chegar a sala, as CEO( Carla, Esmeralda e, Olívia) estavam olhando para mim, sinceramente não me importo, Brian estava sentado do lado oposto ao meu, de certeza ele quer manter distância de mim, olho por vezes seguidas tentando um contacto visual mas sem resposta.

- Vai lá, fala com ele vocês estavam se dando bem e do nada isso.- Diz Vanessa, levanto a sobrancelha direita, balanço a cabeço em sinal de negação.- Para Martina, você disse que faria qualquer coisa que eu quisesse e, por hoje eu só quero isso.- Nesse instante me arrependo de ter dito essas palavras.

Caminha até o outro lado da sala, encaro o resto dos rapazes que olha pra mim como se fosse um pedaço de carne. Eu entendo eles é difícil não focar em mim.

Brian está mexendo no celular, uma forma perfeita de chegar perto sem demonstrar vontade. Cruzo os braços olho para ele mas sem resposta.

- Brian, pensei que você conhecesse as regras, é extremamente proibido o uso de celular na sala de aula.- Digo lutando para manter uma expressão séria, olho para os lados como forma de escapatória. O mesmo não responde e continua calado.- Ficou surdo?... Dane-se eu tentei.- Dou com os ombros , viro e começo a caminhar quando algo impede que tome o meu caminho.

- Sim, você tentou quebrar o meu coração... é tão difícil largar do meu pé, aprenda que você não será sempre o centro das atenções o mundo não gira em torno de você.- Sinto meu corpo doer sua mão estava pressionando o meu pulso com uma certa força criando desconforto em mim.

- Primeiro tire as suas mãos de mim ou eu não respondo por mim, segundo eu estou te fazendo um favor, e terceiro eu não quebrei nada mas se você quer tanto isso eu faço. - Meu pulso estava livre, me viro olho para Wilson que estava caminhando provavelmente para tomar o seu lugar, puxo ele forçando um contacto visual e rompendo o espaço entre nós, dou um beijo nele em frente de toda sala.

Foi tudo sem pensar, eu tento proteger alguém e da nisso, se ele insiste tanto em ser quebrado que assim seja,cansei de brincar de boazinha que os jogos comecem e só pra avisar eu não sei jogar limpo.

Volto para o meu lugar ignorando os olhares sobre mim, beijar Wilson foi algo sem importância, foi como beijar qualquer outra pessoa, não consigo sentir nada... é um beijo vazio.

Pouco tempo depois a classe cansou de falar e falar, mais uma vez consigui ser o centro das atenções, acabo perdendo o meu brilho quando o Professor Smith aparece, ninguém merece ter aula de matemática durante um dia inteiro, estou pensando sinceramente em propor um novo horário para essas aulas.

O sinal toca, Vanessa está encostada a parede com alguns papéis, não questiono apenas fico perto dela, olho para Brian que revira o olhos mudando de lado para evitar contacto visual comigo. Cruzo os braços, Carla passa por mim acompanhada pelas amigas, o grupinho faz cara de nojo e eu mostro o dedo do meio para elas.

- Você não devia ligar para elas, eu sei quem você é, tudo isso te afecta e eu sei.- Vanessa diz enquanto arruma os papéis em sua mão, ela usa o agrafador e une todos os papéis.

- Não preciso que elas saibam como realmente sou.- Digo em meio a um suspiro.

- Calma... não... não vire agora isso é só uma provocação.- O olhar dela muda, sua expressão facial a denúncia me viro e vejo Carla e Brian aos beijos, pra quem queria ficar comigo superou rápido demais.

- Já vi beijos melhores, acredite que até mesmo crianças conseguem fazer algo melhor.- Solto uma gargalhada nervosa.

Ignoro os olhares sobre mim, passo bem na frente dos dois fazendo com que os mesmos se separem, atravesso o corredor até chegar na área administrativa da Mansão, giro a maçaneta externa da porta do director. Entro, meu Pai está com os olhos postos no computador, chupo uma das cadeiras sento nela colocando os pés por cima da mesa.

- Cadê a educação que dei a você.- Diz ele enquanto remove os óculos.

- No mesmo lugar onde está a minha mãe, a sete palmos abaixo da terra.- Digo sorrindo, minhas palavras parecem ter afectado ele mas não me importo.

- O que você quer? Não é comum você aparecer por aqui.- Fixando suas mãos sobre a mesa, ele olha pra mim com uma certa curiosidade.

- Tem razão, eu quero o Dados do Brian Sevilla, na verdade eu só quero o número de celular dele e o e-mail.

- Alunos não podem ter esse tipo de informações, se quiser saber pergunta a ele.- Meu Pai joga sua cabeça contra a cadeira giratória, vejo que o mesmo está se divertindo demais, chegou a hora de.acabar com essa brincadeira.

- Bem, eu não sou uma simples aluna, não sei se você se lembra mas só pra recordar você, eu sou a dona de tudo isso.- Digo com uma certa ironia, acrescento com uma gargalhada no final para amenizar o clima.

- Que seja menina Ross.- O mesmo coloca os óculos, vira-se para o monitor, faz uma pequena pesquisa rasga um pedaço de papel e anota o número de celular do Brian Sevilla.

- Ótimo, obrigada.

Se o Brian queria brincar, então que os jogos comecem.

Último beijoOnde histórias criam vida. Descubra agora